Aparte
Opinião - A realidade do câncer de mama em Sergipe
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[*] Emerson Ferreira da Costa

A educação em saúde é uma ação indispensável para dar efetividade às políticas públicas de saúde. E o outubro está rosa com o objetivo de promover a conscientização da população sobre o câncer de mama. Ou seja, conscientização sobre o tipo de câncer que mais mata as mulheres.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer - INCA -, o Estado de Sergipe teve uma estimativa de 550 casos novos, em 2018, para um total de 59.700 no Brasil, com mais de quinze mil mortes.

O Ministério da Saúde recomenda que se realize a mamografia de rastreamento quando não há sinais nem sintomas em mulheres de 50 a 69 anos, uma vez a cada dois anos.

Em Aracaju, do mesmo modo que em nosso Estado, jamais conseguimos realizar mamografias de rastreamento em metade da população-alvo.

Logo, quanto menor for a cobertura de mamografia de rastreamento, menor será a possibilidade de diagnóstico precoce.

Como se não bastasse essa realidade inaceitável, a dificuldade de acesso ao tratamento dos casos diagnosticados, estabelece o caos na atenção à saúde para a maioria pobre da nossa população. 

Existem diversos tipos de câncer de mama e vários são os fatores de risco para o seu desenvolvimento, sendo a idade um dos mais importantes, uma vez que cerca de 80% dos casos acometem pessoas com mais de 50 anos.

Convém destacar que dentre os fatores genéticos e hereditários estão os casos de câncer de mama na família antes dos 50 anos, mas vale destacar que estes casos correspondem a, no máximo, 10% do total. 

Outra informação importante é a de que a mulher que nunca amamentou não está submetida a maior risco para o câncer de mama, porém quanto mais tempo a mulher tiver amamentado, mais ela estará protegida.

A prevenção do câncer de mama se faz com hábitos saudáveis de vida, tais como, atividade física, alimentação saudável, peso corporal adequado, não usar bebida alcoólica, amamentar e evitar o uso de hormônios sintéticos.

Os sinais e sintomas precisam ser avaliados por um médico. O câncer de mama, na maioria das vezes, se manifesta como um caroço na mama, geralmente indolor, pele da mama avermelhada, retraída ou em casca de laranja, alterações no bico do peito, eliminação espontânea de líquido pelo mamilo e caroço na axila ou pescoço.

Por tudo isso, é importante que as mulheres observem suas mamas e que o Estado cumpra o que rege a Constituição Federal no que diz que “a saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”.                                            

[*] Médico dermatologista, professor aposentado da Universidade Federal de Sergipe e ex-vereador por Aracaju.