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Aparte
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Jozailto Lima

É jornalista há 37 anos, tem formação pela Unit e é fundador do Portal JLPolítica. É poeta.

Fábio Mitidieri mira Governo do Estado, mas quer mesmo é o Tribunal de Contas?
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Fábio Mitidieri: sair de cena tão cedo para cair na burocracia?

É claro que é um ato imprudente o de se falar em sucessão estadual sergipana de 2022 numa horas dessas - tanto pela pandemia do coronavírus e quanto pela distância do pleito que escolherá o sucessor de Belivaldo Chagas, PSD.

Mas se fala. E se fala até pelo óbvio de que antes mesmo da posse de Belivaldo Chagas em 1º de janeiro de 2019 já havia uma série de pré-pré-candidatos - é preciso levar-se em conta que Belivaldo é um político reeleito e em 2022 não poderá ir à sucessão de si próprio.

E entre estes pré-pré-candidatos avulta alto no horizonte o deputado federal reeleito Fábio Mitidieri, PSD, que pensara no Senado em 2018 e tomou posse com os olhos esbugalhados para 2022; desponta o projeto do prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira, PDT, que tentará a reeleição este ano - ou quando tiver eleição - e que muitos veem-no como uma marca forte. Convém lembrar que o próprio Nogueira evita falar até da própria sucessão, quanto mais da de Belivaldo.

Por esse bloco, apesar da dissidência que se abre agora em 2020 - e que pode reverberar negativamente em 2022 -, pontua ainda o nome do senador Rogério Carvalho, PT. Ainda na nau governista insinua-se com muita insistência nos bastidores, feito fogo de monturo, o nome do conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, Ulices Andrade, um sujeito político muito do raposo - raposo no sentido das costuras e das habilidades nessa seara.

Deve ser levado em conta, ainda, o projeto do deputado federal Laércio Oliveira, Progressistas. Também reeleito, ele tem acenado para a possibilidade de ser mais um dos governistas a disputar o Governo do Estado em 2022.  Constrói bases políticas pra isso, e a trombada com Belivado recentemente em virtude do coronavírus não deve ser levada em conta. Isso se cauteriza fácil.

Veja que estas observações não se atêm ao universo das oposições - não estão em pauta aqui nomes de opositores como o senador Alessandro Vieira, Cidadania, Valadares Filho, PSB, e outros quetais que, de tão escassos, são difíceis de serem nominados.

Vez por outra pontua aqui e ali o nome do deputado federal Fábio Henrique de Santana, PDT, mas por que setor? Assim como o do futuro ex-prefeito de Itabaiana, Valmir de Francisquinho, PR - e a aqui também cabe a questão de por qual ala, uma vez que ele é muito ligado ao ex-senador Eduardo Amorim, PSDB, que parece fechado para balanço.

Voltemos então ao bloco genuinamente governista. Nele, pontuam duas observações curiosas sobre dois nomes vistosos que atuam no seu interior. A primeira diz respeito ao deputado Fábio Mitidieri. E que observação seria essa? É a de que Fábio estaria mirando sua pontaria na perdiz do Governo do Estado, mas querendo acertar mesmo é na codorna gorda e perene de uma vaga no Tribunal de Contas do Estado.

Isso mesmo: ser conselheiro, posto vitalício que leva o sujeito à aposentadoria compulsória só aos 75 anos. Mas conselheiro aos 43 anos - ele é de 14 de fevereiro de 1977 -, e com um grupo político tão robusto e fornido? Sim. Há quem diga que o neo-magro Fábio não dorme sem pensar nisso. A Coluna Aparte não subscreve 100% dessa tese.

A segunda observação curiosa no âmbito dos governistas envolve alguém do TCE e do PSD. Trata-se do conselheiro raposo Ulices Andrade. O que se diz é que Ulices é que “não dorme sem pensar nisso” - sendo que nisso está expressamente inserida a possibilidade de vir a ser o governador de Sergipe. Ou, para ser mais prudente com os termos e com a história, de vir a ser candidato a governador de Sergipe.

Ulices Andrade é reconhecidamente habilidoso e jeitoso com a classe política e com a atividade política em si. Teve uma ruma de mandatos de deputado estadual, presidiu o Poder Legislativo de Sergipe por duas vezes e já presidiu o TCE/SE. Tem 66 anos, boas saúde e aparência, e sinais vitais de lucidez.

No terreno dessas conjecturas político-eleitorais, é mais fácil se arrancar uma declaração de Buda ou Maomé do que de Ulices Andrade. Ele nada fala, mas diz-se que muito se mexe no tabuleiro das possibilidades. De modo que o projeto de intenção dele parece mais plausível e exequível do que o de Fábio Mitidieri se elevar a conselheiro. Afinal, seria elevar mesmo?