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Aparte
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Jozailto Lima

É jornalista há 36 anos, tem formação pela Unit e é fundador do Portal JLPolítica. É poeta.

Fábio Mitidieri vê reforma da Previdência penalizando pobres e protegendo ricos
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Fábio Mitidieri: reação firme a pontos da reforma da Previdência

O deputado federal Fábio Mitidieri, PSD, defendeu nesta segunda-feira, 20, em conversa exclusiva com a Coluna Aparte, que a reforma da Previdência do Governo do Jair Bolsonaro, PSL, não terá futuro se insistir na possibilidade de punir quem menos ganha e beneficiar os que ganham mais.

A reforma com esse viés, assinalou Fábio, não terá seu o voto pessoal. “A reforma da Previdência vai ser alterada e modificada pela Câmara Federal para que se ache um texto que seja mais justo e que a gente faça com que as pessoas que mais ganham paguem mais, e aí a gente possa aprovar”, disse o parlamentar.

Para Fábio Mitidieri, os erros mais plausíveis, visíveis e crassos da reforma previdenciária são exatamente esses de não pensar na parte mais fraca. “Embora eu entenda a necessidade que o Brasil tem de contar com uma reforma da Previdência, mas esse texto que foi apresentado pelo Governo não podemos aceitar que faça com que o cara mais fraco da classe trabalhadora venha a pagar a aposentadoria do cara mais rico”, diz Fábio.

“Você não pode mexer no abono salarial, você não pode mexer no Benefício de Prestação Continuada - o BPC -, você não pode mexer na aposentadoria rural. Porque com isso estaria fazendo com que aquele que menos ganha pague a aposentadoria de quem mais ganha. Dados oficiais do Governo dizem que hoje que mais da metade da despesa da Previdência é consumida pela classe que mais ganha. Então, se a classe que mais ganha consome mais da metade, vamos mexer nela”, insiste Fábio.

Para Fábio Mitidieri, o Governo não pode também, nessa reforma, penalizar a Seguridade Social, um instituto que tem vida correlata com a da Previdência, mas com recursos próprios e de outras fontes, e muito eficaz amparo aos pobres do Brasil. “A seguridade social tem receita própria, legal”, diz ele. Ela custa R$ 60 bilhões por ano.

“O PIS, Cofins, as lotéricas, pagam a seguridade social. Está casada com a Previdência, mas se separar e der a ela o que é dela de direito, a seguridade se banca sozinha. O problema é que tudo está misturado. E aí o Governo faz uma reforma da Previdência que parece mais da seguridade do que da Previdência, porque está mexendo em BPC, em abono, em aposentadoria rural. Tudo isso é seguridade”, diz o deputado.

Fábio adverte: “Não tem a menor condição de acabar com a seguridade social. O bolsa família é considerado o maior plano de renda do mundo, com menos de 1% do orçamento da União. Esse é um plano que deu certo e que nenhum presidente, de direita ou de esquerda, tem coragem de acabar - aí, sim, iríamos ver o povo na rua. Vamos fazer escalonamento de contribuição, como ele está propondo, e de idade mínima, que eu concordo. Tem pontos lá que eu concordo. Agora, com o que eu não posso concordar é fazer com que quem ganha menos pague a conta de que ganha mais”, insiste.

Na sua pregação de proteger o fraco contra o forte, o deputado federal Fábio Mitidieri diz que não está focado na suposta economia que a reforma faria, segundo os cálculos do ministro da Economia, Paulo Guedes. “Talvez não dê esse R$ 1 trilhão que o ministro da Economia queira. Mas eu não estou preocupado com o ministro da Economia. Estou preocupado é com as pessoas que mais precisam”, diz ele.

“Veja bem: esse é um número que ele (Guedes) tirou lá, não justificou muito bem pra gente o que é esse R$ 1 trilhão. Mas está apresentado que ele quer economizar R$ 1 trilhão. Aliás, eu não tenho problema com isso. Ele pode economizar R$ 1 trilhão, R$ 2 trilhões, meio trilhão. Eu quero é que esse R$ 1 trilhão não venha de quem mais precisa. Só isso. Você acha que quem ganha R$ 20 mil, R$ 30 mil, R$ 40 mil por mês está preocupado com Previdência? Uma pessoa dessa não vai se aposentar com R$ 5 mil nunca. Ela tem a sua previdência privada. Previdência pública é pra quem menos tem e pra quem mais precisa”, diz.