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Aparte
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Jozailto Lima

É jornalista com 35 anos de experiência profissional. Antes do Cinform, trabalhou nos jornais Feira Hoje, Tribuna da Bahia, Jornal da Bahia, TV Subaé e Jornal de Sergipe.

Fábio Reis e a memória da cirurgia: “Sinto-me como uma pessoa que ganhou uma segunda chance”
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Fábio Reis: "Eu nunca tinha tomado remédio antes"

Em duas eleições de deputado federal, Fábio Reis, PMDB, foi alvo de 137.103 votos do sergipanos - 56.208 em 2010 e 80.895, em 2014. Fábio é signatário de uma família política que vem do velho Artur Reis, o Artur do Gavião, ex-prefeito de Lagarto e ex-deputado estadual, e já teve o pai, Jerônimo Reis, e o irmão, Sérgio Reis, como deputados federais.

De uma figura assim, com tantos seguidores, é natural que se queira saber o que se passou do ponto de vista da saúde, com ele se submetendo, aos 40 anos, a uma cirurgia do coração no dia 19 do mês passado. Mas o que se comunicou sobre isso foi de uma fragilidade quase imperdoável.

Portanto, é com o intuito de suprir essa lacuna que a coluna Aparte convidou Fábio Reis para um depoimento exclusivo, no que ele atendeu de pronto, sem nenhum subterfúgio, e disse tudo em detalhes. Leia

[*] Fábio Reis

Eu tive um probleminha chamado CIA, que significa Correção de Comunicação Interarterial. Traduzindo melhor, é um buraco no coração. Não é aquele convencional sopro - não tem nada a ver com ele. Quando somos feto na barriga da mãe, este espaço no coração é o que temos para a comunicação com ela. Com a formação do bebê, é por ali que passam sangue e oxigênio para o coração da criança.

Depois do nascimento, este buraco é para ser fechado até os dois primeiros anos de vida da pessoa. O meu não fechou. O que é que acontece, então? O lado direito do meu coração inchou, em decorrência da passagem do sangue sujo do lado esquerdo para o lado direito. Havia muita pressão ali dentro e estava acumulando muito sangue.

O que que isso poderia causar-me? Um infarto. Porque, além desse inchaço do coração, poderia ir sangue para o pulmão. E como você descobriu, Fábio Reis? Foi através de um chek-up que fiz há um mês e três semanas.

Eu nem sentia cansaço. Apenas um pouco de fadiga sem dores nenhuma. Aliás, nunca imaginava que seria isso. No primeiro eco cardiograma, que fiz em Brasília, a médica identificou, mas não tinha tanta certeza. Aí ela solicitou um outro exame, que vai pela garganta ao coração, e realmente constatou que meu coração estava com a CIA.

Ela me tranquilizou e me recomendou um cardiologista especialista nesta área, Maurício Jaramillo. Como eu tenho um primo médico em Brasília, passei os exames para ele, que examinou e me indicou este mesmo cardiologista.

Claro que fiquei assustando e um pouco aperreado. Mas até aí eu estava digerindo bem todas as informações. Na semana seguinte, marquei com este cardiologista, pedi acompanhamento de minha irmã, para que ela também fizesse algumas perguntas.

O doutor Maurício Jaramillo, um médico colombiano extraordinário, que mora em Brasília há mais de 20 anos, onde se formou – ele é um especialista exatamente na cirurgia de CIA - me disse: “tenho o dever de lhe orientar, e no seu caso, eu faria logo essa cirurgia. Pode acontecer de você passar 10 anos a 15 anos e não sentir nada, assim como você chegou aos 40 e não sentiu nada. Mas da forma como seu coração está inchado do lado direito, você pode amanhã enfartar. Não quero lhe causar pânico, mas pode ser que sim, pode ser que não. Então façamos”.

Das piores, esta é a menos grave das cirurgias do coração. Topei. O doutor Maurício Jaramillo me disse: “nós vamos colocar esta prótese aqui, que é de titânio, tem mais de 25 anos de experimentação no mundo, não tem qualquer tipo de rejeição, é via cateter, pela virilha, e todo este procedimento vai levar entre 45 minutos e 1 hora”. E de fato durou uma hora.

Antes, ele me disse que meu plano levaria de 10 a 15 dias para autorizar. Era o tempo que eu tinha para conversar com minha família e me preparar psicologicamente. O plano autorizou para o dia 19 a minha cirurgia e eu soube dia 18 por ele.

Eu ponderei que minha família não estava em Brasília. Ele me disse que meu irmão Sérgio poderia me acompanhar. Aí eu liguei para a minha mãe, comprei uma passagem para ela, que veio rápido, e foi assim que foi feito. Sofri demais foi com a anestesia. Vomitei muito e tive reação.

Mas, no geral, a cirurgia foi perfeita. Não vou dizer que estou 100%, porque ainda não posso fazer atividades físicas. Mas a minha alimentação já está normal. Preciso caminhar, mas correr e pegar peso, não posso por alguns meses. Peguei apenas 15 dias de repouso, sem licença do mandato.

Eu nunca tinha tomado remédio antes. Eu diria a quem tem problema parecido com este meu, no coração, que vá pra cima rápido e resolva. É um susto que a gente toma, mas é necessário a resolução. Eu me sinto hoje como uma pessoa que ganhou uma segunda chance, uma sobrevida.

[*] É deputado federal em segundo mandato, tem 40 anos, duas filhas e é solteiro