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Aparte
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Jozailto Lima

É jornalista há 36 anos, tem formação pela Unit e é fundador do Portal JLPolítica. É poeta.

Fábio Reis: “Sou um ficha limpa e votei pelo Brasil”
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Fábio Reis: “Eu acho que quem vai falar por mim é o tempo”

Menos de 24 horas depois de dar um tímido “sim” ao relatório do deputado Paulo Abi-Ackel, livrando o presidente Michel Temer de uma investigação pelo STF, o deputado federal Fábio Reis, PMDB, diz a esta coluna Aparte que votou “pelo Brasil”.

“O país já está dando sinais, dia a dia e mês a mês, de que está voltando a crescer, diminuindo o desemprego. As bolsas subindo, o dólar caindo, e tirar o presidente neste momento de nada resolveria. Seria um gesto meramente político. E outra coisa: o meu partido fechou questão”, diz.

Fábio Reis afasta qualquer inferência do governador Jackson Barreto, PMDB, sobre sua opção de voto. “Acredito, pela convivência que tenho com o governador, que, da mesma forma que eu, ele também torce pelo crescimento do nosso país, porque isso implica crescimento automático para Sergipe e para os municípios. Isso vai ser bom para todos”, diz. Veja a entrevista.

Aparte – Como é que o senhor amanheceu depois do “sim” ao relatório que negou a investigação de Michel Temer pelo STF?
Fábio Reis – Amanheci em paz. Não estou falando tanto, até para deixar que as pessoas possam digerir e vejam que a minha posição foi a melhor coisa para o país. Sou um ficha limpa, não respondo a nenhum processo. Zero.

Aparte – O que norteou a sua decisão?
FR – Eu acho que quem vai falar por mim é o tempo. Não creio que adiante falar alguma coisa. Mas tenho a dizer, primeiro, que o que nós estávamos votando ali não era o julgamento de nada e nem de ninguém. Se Temer seria condenado ou não. Era apenas uma permissão para que ele fosse investigado. Ok: esta permissão está dada, sim, mas para a partir do dia 1° de janeiro de 2019. Ali, ele vai ser julgado normalmente, como qualquer cidadão comum. O tempo é senhor da razão. Vou sofrer algumas críticas naturais de petistas e de outros setores, mas deixar estar. Outra coisa: a unanimidade é burra. Eu tive uma posição, e assumo.

Aparte – A sua tese é também a de que retirá-lo agora, por seis meses, seria prejudicial para o país?
FR – Com certeza. E eu votei pelo Brasil. O país já está dando sinais, dia a dia e mês a mês, de que está voltando a crescer, diminuindo o desemprego. As bolsas subindo, o dólar caindo, e tirar o presidente neste momento de nada resolveria. Seria um gesto meramente político. E outra coisa: o meu partido fechou questão.

Aparte – Esta seria a maior justificativas para seu voto?
FR – É apenas uma das. Mas a primeira questão que eu levei em conta foi a do bem-estar do nosso país. O meu partido ter fechado questão vem em segundo lugar.

Aparte – O seu voto sofreu algum tipo de interferência de Jackson Barreto? O governador lhe pediu algo?
FR – De jeito nenhum. Olhe, a última vez que eu conversei com o meu líder JB foi antes da viagem dele de férias.

Aparte – Mas ele lhe repreendeu pelo voto depois?
FR – De jeito nenhum. Disse-me nada. Não falou nem de bem e nem de mal. Aliás, nem falou comigo depois que chegou da viagem. Estou até triste.

Aparte – Mas o senhor acha que ele vai achar ruim ou bom o seu voto?
FR – Não faço ideia. Porém acredito, pela convivência que tenho com o governador, que, da mesma forma que eu, ele também torce pelo crescimento do nosso país, porque isso implica crescimento automático para Sergipe e para os municípios. Isso vai ser bom para todos.

Aparte – O senhor concorda com o deputado Jony Marcos, quando ele diz que Temer abandonou Sergipe?
FR – Eu não vou dizer que abandonou, literalmente. Mas diria, por concordar plenamente, que o Estado precisa de mais atenção do Governo da União. E isso eu botei na reunião da executiva do PMDB: “eu sou o único parlamentar do PMDB de Sergipe e exijo mais atenção ao meu Estado, que é o menor da Federação”.

Aparte – O seu “sim” foi monossilábico, sem justificativa nenhuma. Foi timidez ou estilo? 
FR – Eu diria que foram mas duas coisas. Não achei necessário dizer nada, até porque meu voto naquele momento não mudaria o resultado nem para sim e nem para não. No mais, sou muito tímido mesmo. Não sou de muitas palavras. Eu gosto mais é de executar serviços do que estar falando. Eu tenho meu estilo. Não gosto de aparecer.

Aparte – Num aspecto pragmático, o senhor está sonhando com os cargos federais de Sergipe com este voto?
FR – Não vou dizer que esteja a sonhar, mesmo porque eu acho que isso pode vir como uma consequência. De uma forma natural.

Aparte – O senhor não teria votado pensando neles?
FR – De modo algum. Eu pensei foi no nosso país. Meu perfil é este: sou aquele amigo tímido, mas apaixonado por política, do tipo que adora e que tem o sonho de sempre realizar, de trazer benefícios para o meu Estado e, principalmente, para o meu município. Olhe um dado que muito me agrada: sou o deputado federal que mais conseguiu recursos em pouco tempo para o Estado de Sergipe. Isso confirmado, empenhado, liberado e com algumas obras já em execução. Foram R$ 116 milhões e, destes, R$ 46 milhões só para a saúde.