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Aparte
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Jozailto Lima

É jornalista há 36 anos, tem formação pela Unit e é fundador do Portal JLPolítica. É poeta.

Fala de Onyx Lorenzoni contra UFS desperta fúria e repúdios em Sergipe
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Onyx Lorenzoni: versão preconceituosa contra a UFS

É previsível supor que a deselegante pantomima do ministro da Casa Civil do Governo de Jair Bolsonaro, Onyx Lorenzoni, depreciando a Universidade Federal de Sergipe - UFS - e exaltando a Universidade Tiradentes - Unit -, aquela pública e esta particular -, não tenha agradado nem mesmo aos donos da Unit.

Não agradou porque não foi algo fidalgo, cordial ou cavalheiro. Foi grotesco, pedante e bem fincado em desinformação, preconceito e disposição para acabar com ensino superior gratuito. E, pelo que se viu a seguir como desdobramento, para lá de irreal no que diz respeito à depreciação da UFS.

Jouberto Uchoa de Mendonça, o professor que há 57 anos constrói pedra por pedra a Unit e a reitora hoje, nunca foi homem de enfrentamento à UFS. Nunca partiu para a deselegância contra ela.

Não o fez porque não é do estilo dele, mas muito mais por saber que uma instituição não compete com a outra. No fundo, Uchoa deve entender bem o quanto significa para Sergipe a existência da UFS, que nasce concomitantemente com a sua Unit. Sergipe jamais seria o mesmo não fosse a existência da UFS – e disso o desinformando Onyx não faz a menor noção.

Portanto, e bizarramente, a deselegância coube ao senhor Onyx Lorenzoni, um homem público a serviço de um Governo que começa com sérios problemas e com enormes necessidades de empatia com a sociedade. Um homem, o Onyx, que representa, em tese, a UFS.

Mas nem mesmo ao mais simples dos mortais, ao mais descerebrado deles, há dificuldade de entender a simetria entre o pensamento de Onyx e a do próprio presidente Jair Bolsonaro e de seus ministros de Educação, que querem banir das escolas e sobretudo das universidades públicas qualquer perspectiva de pensamento crítico em troca de um pensamento objeto, manso e cordial. Escola sem partido e universidade sem filosofia são apenas duas pontas cruéis e cruciais desta questão.

Mas a deselegante pantomima do Onyx Lorenzoni não passou incólume e impune por aqui. Se este gaúcho achou que Sergipe era um cão sem dono, ou um cachorro de fateira, perdeu o prumo e o rumo. Houve reações de todos os lados. (Sim, há quem o apoie).

Esta Coluna Aparte vai dar vazão a algumas delas – três, mais especificamente. A começar pela própria UFS, passando pela nota da Adufs e Sintufs e por um belíssimo texto do intelectual Antonio Samarone. Veja a seguir, começando pela nota da sua Reitoria. O que segue, vai entre aspas.

Nota de esclarecimento à sociedade

Universidade possui 54 programas de pós, quatro deles com nota 5 pela Capes.

Em relação às declarações feitas pelo ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, a Universidade Federal de Sergipe – UFS - esclarece que possui 54 programas de Pós-Graduação, quatro deles com nota 5 pela Capes. Aproximadamente 90% dos alunos de mestrado (1.511) e doutorado (724) do Estado de Sergipe são da UFS. O número de programas de pós-graduação da UFS saiu de 10 em 2007 para 54 em 2018, um crescimento de 440%.

Confira o vídeo do pronunciamento do reitor Angelo Antoniolli

Todas as bases de dados do Ministério da Educação mostram que a UFS tem um desempenho muito acima em relação a outras instituições de ensino superior do Estado de Sergipe. Respondemos por 84% do número de pesquisadores de produtividade do CNPq em nosso Estado. Pesquisas de excelência para a inovação tecnológica do país como a biotecnologia, energias renováveis, meio ambiente, desenvolvimento da agricultura e tecnologias sociais são desenvolvidas na UFS.

Pesquisas na prevenção e tratamento de doenças como a chikungunya e zika vírus, bem como o atendimento de saúde integral de crianças portadoras de microcefalia são realizados em nossos hospitais universitários. A UFS é a única instituição de ensino do Estado que conta com dois hospitais universitários, os quais atendem exclusivamente por meio do SUS. Em ranking feito pela Clarivates Analytics (empresa americana), das 50 instituições que mais publicaram trabalhos científicos no Brasil nos últimos 5 anos, a UFS é a única instituição do estado a figurar no referido ranking.

RECURSOS FINANCEIROS

Os recursos destinados ao funcionamento dos 113 cursos de graduação, 70 cursos de pós-graduação e à assistência estudantil previstos para 2019 somam pouco mais de R$ 100 milhões. Deste total, estão contingenciados 90% da verba para investimentos e 30% do custeio. São mais de 30 mil alunos distribuídos nos campi de São Cristóvão, Aracaju, Laranjeiras, Itabaiana, Lagarto e N. Sra. da Glória.

A UFS, instituição pública com mais de meio século de serviços prestados à sociedade, reitera seu compromisso com a verdade e apela para que fatos dessa natureza não se reproduzam de forma a colocar em risco a integridade e imagem da única universidade pública do estado, patrimônio imaterial da sociedade sergipana.

Gabinete do reitor”.

8e4956f48cf34e83Jouberto Uchoa: em 57 anos, nunca partiu para o confronto com a UFS

Pelo que se leu na nota da UFS, Onyx Lorenzoni estava no mundo da lua. Sua vontade de atacar o que pertence a ele, ao Governo dele e a toda sociedade não o poupou de repassar dados errados. Veja agora a nota da Adufs e do Sintufs.

“Nota de repúdio às declarações do ministro Onyx Lorenzoni

Em razão das recentes declarações do ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, sobre a produção intelectual e a qualidade das atividades de pesquisa desenvolvidas na Universidade Federal de Sergipe, a Associação dos Docentes da UFS - Adufs - e o Sindicato dos Trabalhadores Técnico-Administrativos em Educação da UFS – Sintufs -, por meio desta nota, repudiam energicamente tais declarações como absurdas e falaciosas, tanto em relação aos números apresentados quanto no que diz respeito aos princípios que norteiam, constitucionalmente, a universidade pública brasileira.

Inicialmente, cabe tornar claro à sociedade civil que a universidade pública é uma instituição a serviço da formação de gerações de cidadãos e cidadãs, produz ciência em alto nível e preserva o patrimônio cultural do povo brasileiro. A universidade pública brasileira é uma conquista civilizacional, está norteada pelo tripé do ensino, da pesquisa e da extensão, visa à formação qualificada dos seus acadêmicos, possui responsabilidade 

social e o respeito da sociedade como umas das mais importantes e significativas instituições criadas pelo povo brasileiro. Todas essas características foram deixadas de lado pela compreensão obscurantista de um ministro visivelmente desqualificado para discorrer sobre a pesquisa e a ciência brasileira.

Do ponto de vista dos números, apesar de não serem esses os únicos critérios, como temos visto, para avaliar a universidade pública, é preciso deixar claro que a Universidade Federal de Sergipe consiste na maior instituição de ensino superior do Estado de Sergipe em todos os sentidos. Sobre isso, os números são incontestáveis e estão amplamente divulgados por meio dos levantamentos realizados pelo MEC e pela Capes.

Vejamos alguns desses números, em Ranking Universitário realizado pela Folha de S. Paulo - RUF -, levando em conta a pesquisa, a internacionalização, inovação, ensino e mercado, publicado em 2018, a Universidade Federal de Sergipe aparece na 38ª posição entre as universidades brasileiras, algo que a coloca na frente de toda e qualquer instituição privada atuante dentro do Estado.

Por sua vez, os dados da Pós-Graduação utilizados pelo ministro para afirmar falaciosamente que a UFS não possuía nenhum curso com nota 5 atribuída pela Capes consistem em disparate grotesco. Sobre isso, a UFS possui 54 Programas de Pós-Graduação, sendo que, desses, 4 possuem nota 5 atribuída pela Capes. Além disso, 15 cursos de doutorado acadêmico, 17 cursos de mestrado acadêmico e 4 cursos de mestrado profissional possuem nota 4; 27 cursos de mestrado acadêmico e 3 cursos de mestrado profissional possuem nota 3.

A partir desses dados, uma questão salta aos olhos: o que levaria um ministro da Casa Civil a afirmar em rede nacional números tão equivocados de modo a desqualificar de forma falaciosa a única universidade pública do Estado de Sergipe? A Adufs e o Sintufs exigem explicações em nome de toda a comunidade acadêmica da UFS, e condena veementemente o caráter depreciativo da fala do ministro, compreendendo como gravíssimo atacar a universidade pública e fazer propaganda indevida e mentirosa para uma instituição privada. A esse respeito, deixamos claro que tomaremos todas as medidas cabíveis para que os danos acometidos à Universidade Federal de Sergipe e à sua comunidade acadêmica sejam devidamente reparados!

Adufs e Sintufs”.

4075c1c6c545079cWagner Vieira, coordenador do Sintufs: ao lado da Adufs, nota dura e sem concessões

Mas não ficaram somente por aqui as defesas da UFS. Chamou a atenção um texto bem-concebido pelo médico, professor e intelectual Antonio Samarone de Santana - apesar de ser ele mesmo um professor da UFS, certamente Samarone o fez e o publicou em seu blog pessoal à margem das entidades que defendem a UFS. Vale a leitura, e é o que se segue daqui pra frente.

Por que o ministro Onyx atacou a UFS?

O Governo Bolsonaro declarou guerras as universidades públicas. Quais as motivações? Eliminar o “marxismo cultural”, como diz Olavo de Carvalho; combater as “balburdias”, como afirmou o inditoso ministro da Educação; combater a ineficiência, como insinuou o ministro Onyx? Nada disso!

Por que esses ataques permanentes às universidades públicas?

Se esse corte anunciado de 30% do orçamento for executado, as universidades públicas não sobreviverão. Para não fecharem as portas, vão procurar outras fontes de receita. Entre elas, o pagamento de mensalidade pelos alunos. Com o discurso de que irá priorizar o ensino básico e o fundamental, o Governo Bolsonaro botará uma pá de cal no ensino gratuito nas universidades.

Essa é a principal motivação!

E por que a UFS foi escolhida como bode expiatório? Por puro preconceito! Sergipe, um Estado pequeno, sem expressão econômica, no Nordeste, como pode ter uma universidade pública com 1.500 doutores, pensou o desinformado ministro. E partiu para desacreditar a UFS!

Só que dessa vez o ministro Onyx se deu mal. Ele não avaliou que a UFS foi construída, a duras penas, pelos sergipanos. Inclusive, com gente da elite provinciana envolvida. O ministro não sabia que a UFS tem raízes na sociedade, tem a alma dos sergipanos. Não é uma simples repartição que o Governo Federal põe e dispõe.

Depois da agressão do ministro Onyx à UFS, ficou visível o constrangimento dos eleitores de Bolsonaro nas redes sociais. Ninguém saiu em defesa do ministro, nem os mais apaixonados. Alguns ranzinzas ficaram com indiretas, piadinhas, fazendo-se de mal-entendidos: não foi bem isso! Onde ele mentiu, cadê os dados? Todos sem muita convicção...

Quando a UFS emitiu uma nota oficial, repondo a verdade, o silêncio dos governistas foi uma confissão.

Mas a resistência está apenas começando! A universidade pública e gratuita é uma conquista do povo, berço de cidadania e de liberdade.

https://blogdesamarone.blogspot.com/

Antônio Samarone”.

7e1189f1f1bc7a8bAntonio Samarone: a visão foi de segregação a Sergipe e ao Nordeste