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Aparte
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Jozailto Lima

É jornalista há 37 anos, tem formação pela Unit e é fundador do Portal JLPolítica. É poeta.

Forró Caju em Casa vence peleja entre pandemia e São João, e festa permanece viva
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Artista contratado, cachê assinado: só se sobe ao palco assim

Quem disse que a pandemia do coronavírus e da sua consequente Covid-19 mataria por definitivo o São João de Sergipe, sobretudo o de Aracaju? 

Com estreia às 9h desta terça-feira, 23, véspera da noite de São João, e duração até o dia 29, São Pedro, o Projeto Forró Caju em Casa levará música, diversão, entretenimento e as cores da tradição junina às pessoas em diversas plataformas que atende e atinge a todos.

O Projeto Forró Caju em Casa é uma materialização da Funcaju, o braço cultural do Governo Municipal de Aracaju. “É uma festa que vai ocorrer com sete apresentações por noite, com 45 artistas e bandas locais selecionados em edital de chamamento público”, justifica Luciano Correia, o presidente da Funcaju.

“Nenhum artista “sobe ao palco do estúdio” onde fazemos as gravações sem que o contrato esteja assinado”, diz Luciano. Com o Projeto Forró Caju em Casa, a Funcaju e o governo de Aracaju atendem a duas demandas urgentes: gera trabalho e cachê para os artistas juninos e leva entretenimento às pessoas confinadas em casa pelos mandamentos da pandemia.

“Esse material será exibido no canal do YouTube da Prefeitura de Aracaju, nas redes sociais da Prefeitura e da Funcaju, em três canais de televisão local - TV Atalaia, TV Aperipê e TV Câmara - e na rádio 103 FM”, avisa Luciano. Veja nesta entrevista à Coluna Aparte o entusiasmo como Luciano encara tudo isso. 

43afbafe322a850aArtista tem acesso a estúdio rigorosamente dentro do que mandam os protocolos da pandemia

Aparte - O senhor acha que o Projeto Forró Caju em Casa consegue atenuar o sentimento de orfandade junina até que ponto?
Luciano Correia -
O Forró Caju em Casa repara em grande parte o vazio deixado pela ausência das festas presenciais, orque o Nordeste tem uma ligação muito forte com as festas juninas. É a festa da colheita, é uma festa das tradições rurais em que infere sobre o urbano. Nós fomos até ontem uma região essencialmente rural - o fenômeno da urbanização no Nordeste é muito recente, portanto, essas festas, mesmo sendo feitas em capitais, como o Forró Caju, que sempre foi um mega evento, carrega esse frescor, esse bucolismo da vida rural nordestina.

Aparte - Mas a pandemia tentou apagar esse candeeiro.
LC –
Exato. Mas nós temos que fazer festas, a partir de agora, de outras formas, como tudo será de outro jeito! Acontece que a pandemia muda tudo e certamente o modelo de festa passa a ser reconfigurado. Se os festejos já vinham sendo repensados e a gente vinha repensando o próprio Forró Caju, agora isso é imperativo. 

Aparte – E restará o que?
LC -
Nós preservamos aquilo que há de mais precioso, que é o sentimento presente numa festa que é a mais querida do povo sergipano! É uma festa que vai ocorrer de 23 a 29 de junho, portanto, com sete apresentações por noite, com 45 artistas e bandas locais selecionados em edital de chamamento público.

Aparte - O que entra aí?
LC -
Entra o melhor da nova cena musical sergipana nesse Forró Caju, com figuras mais tradicionais, já mais bem posicionadas, com maior visibilidade no mercado, e outros jovens que tão entrando há pouco tempo no mercado da música, mas que se revelam músicos muito talentosos. Ou seja, o projeto conseguiu, inclusive, galvanizar o que tinha de melhor na nova cena musical sergipana. O Forró Caju em Casa acontecerá deste 23 a 29 de junho, das 21h até a 1h da manhã, todas as noites.

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Aparte - Quantos grupos ou artistas solos passarão pelo projeto desta terça-feira até o dia 29?
LC -
São esses 45 artistas selecionados em edital, trabalhando cinco linguagens musicais diferenciadas e que vão propiciar entretenimento, manter viva a nossa identidade cultural. E do ponto de vista musical, a nossa principal identidade, que é o forró. Ao mesmo tempo, recebendo o apoio da Funcaju e da Prefeitura de Aracaju nesse momento difícil que os artistas atravessam na pandemia, porque o projeto tem também um caráter social de fomentar a cadeia produtiva da música em Aracaju, mas também de levar o espetáculo e entretenimento nesse período junino. E vai também significar um aporte fundamental para a carreira desses artistas selecionados que vão participar, com a produção de espetáculos de 30 minutos, com muita qualidade, que se transformarão em portfólio para a carreira deles.

Aparte - Eles receberão algum tipo de cachê por estas participações?
LC -
O Forró Caju em Casa envolve investimento da ordem de R$ 85 mil em cachês que vão de R$ 1 mil a R$ 3 mil, a média do que instituições e órgãos semelhantes realizaram aqui na região. Vai, portanto, cumprir o objetivo de um fomento nesse momento da pandemia. 

Aparte – Mas o Projeto Forró Caju em Casa é o único de amparo à classe artística que o Governo de Aracaju desenvolve nessa hora de pandemia?
LC –
Não. O Projeto Forró Caju em Casa foi lançado com o Janela para as Artes, que é outro fomento a outras cadeias produtivas, que são a literatura, o audiovisual, as artes cênicas e a música também. Para que se possa ter uma ideia, apenas numa categoria que se chama Som de Barzinho, o projeto Janela para as Artes contempla 54 indicações. Então, é um outro projeto que envolve investimento de R$ 170 mil, que também pagará cachês de R$ 1 mil a R$ 3 mil.

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Aparte - Qual é a qualidade técnica do material produzido?
LC -
Quando nós concebemos a realização desse projeto, a ideia inicial era fazer por lives, inclusive pensamos em um tutorial explicando como cada um deveria manipular os equipamentos eletrônicos de captação, principalmente o celular, e a partir dessas gravações a gente ia compor o projeto. Evidentemente que isso ia resultar num material muito heterogêneo, mas não era nem por esse aspecto, senão pelo aspecto da qualidade, porque ia incidir sobre essa forma de produção, uma série de componentes que não corresponderiam a uma qualidade no final, que vão desde uma incapacidade de operar, erros na operação, problemas nos equipamentos. 

Aparte – E daí o que se fez?
LC –
Daí então nós optamos, já que um dos objetivos do projeto é produzir portfólio para cada um desses artistas, por levar a uma produção de estúdio mesmo, um estúdio de televisão, com cenários específicos, camarim, banheiros, restaurante, uma área ampla que evita aglomeração e que não permite, de forma alguma, que ela aconteça. É um estúdio com muita área e com direção de fotografia, iluminação e captação de áudio digital da melhor qualidade. E isso resultou na produção de conteúdo local como poucas vezes se viu na história do audiovisual e da televisão sergipana.

Aparte - Houve compreensão da classe artística e de seus produtores para com estes momento e situação?
LC -
Nem se trata de compreensão da classe artística. Houve uma cobrança vigorosa para que houvesse uma iniciativa da Funcaju em função da pandemia. Nós respondemos com esse Forró Caju em Casa e com outro projeto, que é o Janela para as artes, contemplando inclusive em grande parte a música, a cadeia produtiva da música. Eles aplaudiram. Estão satisfeitíssimos. O resultado disso é que dentro do Projeto Forró Caju está a nova cena musical aracajuana. Podemos dizer com certeza que lá está o que há de melhor na nossa música regional.

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Aparte - Quais serão os meios e veículos que a Funcaju usará para fazer vazar este conteúdo para os aracajuanos é sergipanos?
LC -
Esse material será exibido no canal do YouTube da Prefeitura de Aracaju, nas redes sociais da Prefeitura e da Funcaju, em 3 canais de televisão local, TV Atalaia, TV Aperipê e TV Câmara e na rádio 103 FM.

Aparte - Pessoalmente, qual é o sentimento do senhor diante desta realidade pandêmica que levou a uma condição de aquário a festa mais popular dos sergipanos?
LC -
De alguma forma, a angústia maior a gente já vem vivendo desde o começo da pandemia. Que bom que a gente encontrou uma solução que traz um pouco da alegria da festa para essa quadra ainda difícil, ou até a mais difícil de todas, já que os casos se encontram no pique. Ou pior ainda, se encontram até crescendo. Então foi muito satisfatório a gente poder, mesmo no meio dessa agonia, encontrar brechas para construir um projeto seguro, preservando as condições que a Organização Mundial da Saúde recomenda e, ao mesmo tempo, fomentar a cadeia produtiva da música. Porém, fica clara a oportunidade também da gente repensar os modelos de realização de festas. Aquele mega evento que juntava 100 mil, 200 mil, 300 mil pessoas já vinha enfrentando um cansaço, um esgotamento. Um exemplo é o futebol, os estádios. O Maracanã já chegou a ter público de 200 mil espectadores, assim como outros estádios, como o Beira-Rio, com 150 mil, Mineirão. E hoje todos eles reduziram a sua capacidade para fazer com qualidade e, sobretudo, com segurança. Então esses mega eventos se já estavam repensados, a pandemia obriga que sejam feitos com novas concepções de segurança, condições sanitárias e de isolamento, distribuindo essa produção cultural em outros campos da cidade, para outras áreas, sem a obrigação de convergir para um único evento em um único local. Essa é uma primeira lição que a pandemia deixa.

Aparte - É possível tirar que tipo de lição futura deste momento singular?
LC -
Do ponto de vista do campo da cultura, eu diria que a pandemia acelera um processo de rediscussão dos grandes eventos, como já vinha ocorrendo. Acho que a partir de agora nós radicalizamos também o uso das plataformas digitais, que já vinham sendo usadas por alguns, e que agora houve uma adesão extraordinária do mundo inteiro e por todas as faixas etárias. Essa pandemia, se é que ela deixa lições positivas, está alfabetizando, do ponto de vista digital, grandes contingentes que se sentiam alheios, infensos ao uso e ao manuseio da internet, das plataformas digitais. Então acho que a primeira lição é a transferência para o patamar digital de uma série de realizações, de produções, de atividades, para dentro desse campo virtual. E, ao fazê-lo, implica também na reformulação, na reconstrução, na reelaboração de linguagens específicas, esta é uma outra riqueza do ponto de vista literário, do ponto de vista tecnológico também, que vai resultar a partir de agora. Isso efetivamente já vem ocorrendo, esse é um legado positivo. É complicado falar de legado positivo de uma pandemia como essa, mas ela ajuda a tornar grandes contingentes familiarizados com o uso das gramáticas digitais.