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Aparte
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Jozailto Lima

É jornalista há 36 anos, tem formação pela Unit e é fundador do Portal JLPolítica. É poeta.

Gilmar Carvalho se expõe ao perigo com candidatura antecipada a prefeito de Aracaju
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Gilmar Carvalho: seria mais prudente ter mais calma nesta hora

Muita sede, às vezes, pode denunciar graves problemas no organismo de quem a sente. Partindo do fisiológico para o político, há de se detectar problemas na vontade excessiva do deputado Gilmar Carvalho, PSC, em ser prefeito de Aracaju. Nem bem na vontade. Mas em se lançar candidato a prefeito com tamanha antecedência.

Que fique claro aqui que enquanto ente político com extrema mobilidade e atuação na sociedade sergipana, e muitíssimo mais na aracajuana, ninguém pode tirar de Gilmar Carvalho o direito de sonhar em ser prefeito da cidade de Aracaju a partir de 1º de janeiro de 2021.

O que soa estranho é que a sede dele colocou na rua uma pré-campanha com enorme antecipação, e em nome disso Gilmar discute problemas futuros que podem lhe escapar da possiblidade de solução na hora certa.

Gilmar tem ocupado programas de rádios, espaços na mídia online e impressa e até de parte do seu mandato de deputado estadual para questionar a velha pendência do IPTU de Aracaju - se se revoga ou não –, a questão das concessões dos postos de saúde à inciativa privada e a realização de obras públicas como se efetivamente já fosse um prefeito.

Admita-se que seja preferível um gestor público cheio de projetos a um sem projeto algum. Mas o que pertine alertar nessa hora é se ela é adequada para se estar debatendo programas de governo e pretensões de gestão.

A sede de Gilmar em estar na cena da sucessão municipal de Aracaju fora de hora traz ainda um outro problema: o de que ele desvie o foco do seu mandato de deputado estadual. Que deixe de ver a floresta inteira, que é Sergipe, para mirar apenas a árvore, que é Aracaju.  

A sede de Gilmar, sem que ele se aperceba, pode lhe trazer um outro dano, que é o do cansaço do eleitorado de Aracaju em face da tamanha antecedência com que se joga nas águas dessa disputa de bem lá na frente.

Claro e convém repetir: esta Coluna Aparte não está descredenciando a legitimidade de Gilmar Carvalho de se autoproclamar pré-candidato a prefeito de Aracaju - ele se deixa levar, inclusive e tem razão nisso, pelos 14.128 votos aracajuanos obtidos na soma dos 34.160 gerais ano passado, 28 a mais que os 14.099 votos aracajuanos na soma geral de Iran Barbosa do PT.

O que está em pauta é a precipitação de Gilzinho Cheirosinho. Ele bem que poderia, nessa hora, mirar-se na cautela adotada pelo próprio prefeito da capital, Edvaldo Nogueira, que se compromete a só cair nessas águas sucessórias a partir de abril do ano que vem.

Gilmar poderia mirar-se, ainda, na cautela do PT que, com um senador, um deputado federal e um estadual, andou se insinuado ao processo da capital, mas parou. Suspendeu o debate.

Gilmar poderia ver-se ainda refletido na calmaria de Valadares Filho que, depois de duas eleições, na disputa por Aracaju e por Sergipe, mantém-se com um pé atrás na sucesso da capital.

Por que sim, volte-se ao começo: apesar de muita sede às vezes denunciar graves problemas no organismo de quem a sente, ressalve-se que Gilmar Carvalho é criado, é de maior, tem a cabeça grande dos itabaianenses, e deve saber em que buraco velho pode meter a mão. Só precisa municiar-se de cuidados, porque pode ter cobra dentro.