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Aparte
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Jozailto Lima

É jornalista há 37 anos, tem formação pela Unit e é fundador do Portal JLPolítica. É poeta.

Gilson Andrade, prefeito de Estância, diz que “Brasil erra profundamente” com eleições este ano
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Gilson Andrade: ponderações críticas sobre mistura de pandemia e eleição

Ele defende eleições gerais em 2022 e sem direito de reeleição para ninguém. O ex-deputado estadual, médico e prefeito de Estância, Gilson Andrade, disse nesta quinta-feira, 30, que “o Brasil erra profundamente” ao colocar em prática este ano uma eleição municipal de prefeitos e de vereadores em seus 5.570 municípios em plena pandemia do coronavírus que já matou quase 100 mil pessoas e cujo futuro nem a política e nem a ciência médica sabem ao certo como será neste ano e nem no outro.

“Não tenho a menor dúvida de que as instituições do Brasil deveriam ter mais juízo e não realizar as eleições municipais este ano. A população brasileira iria entender muito bem o momento e as circunstâncias. Defendo a prorrogação para 2022 com a unificação das eleições gerais por causa desse momento de pandemia, e de jeito e forma nenhuma é para me aproveitar de mais dois anos de mandato. Defendo que sejam em 2022 e sem reeleição, mas já quem tem que ser este ano, vou pro embate, vou para a reeleição tranquilamente, pelo trabalho que estou fazendo em Estância”, disse o prefeito Gilson, com exclusividade à Coluna Aparte.

Com 63 mortos em Estância em decorrência da Covid-19, doença gerada a partir do coronavírus, o prefeito Gilson Andrade diz que não teve tempo - e nem vontade - de colocar nas ruas a campanha por sua reeleição. “Minha campanha eleitoral não começou ainda”, diz ele.

“A minha composição eleitoral agora é com o combate ao coronavírus. Em Estância estou casado com o coronavírus. Este, sim, é a minha preocupação atual. Nós já tivemos 63 mortes no município, e eu considero isso horrível. Estamos torcendo que na segunda quinzena de agosto as coisas possam melhorar e reduzir essa tensão. Estamos testando muito. Com o teste rápido e com o PCR. Estamos oscilando entre 60 e 80 exames por dia”, diz o gestor de Estância.

Defensor de que política eleitoral e combate à pandemia não devessem se entrecruzar nesta hora, Gilson Andrade lamenta não encontrar em alguns políticos estancianos esse mesmo espírito. “Nós estamos tendo o maior zelo no sentido de não envolver a pandemia com a política partidária neste momento, e estou sentindo que a população não está muito preocupada a com política eleitoral. Eu tenho feito isso, mas alguns políticos daqui tentam priorizar a política e politizar o vírus, a pandemia e as suas consequências nesta hora. Estou fora deste desenho. O meu foco não é este. O meu foco - juro a você - é fazer mesmo o enfrentamento à doença, como estamos fazendo, e ampliar cada dia mais as ações”, reforça.

Apesar de crítico à materialização da eleição este ano, Gilson é pessimista quanto a uma mudança nesse curso. “Acredito que a data do eleição já está com o martelo batido e não vejo como voltar atrás. A não ser que haja uma piora da situação, dos riscos de infecção e dos óbitos. Mas seguindo esse rumo que está aí, acredito na eleição marcada para o dia 15 de novembro. Mas insisto que no momento era muito mais oportuno adiarmos para 2022. Não é hora de estarmos discutindo política eleitoral, e a população iria entender isso. Não estou puxando mais dois anos de mandatos para mim. Estou fazendo uma avaliação real deste momento que nós estamos vivendo”, avisa Gilson.

Gilson Andrade alerta, ainda, para uma outra possível avaria ao processo democrático com as eleições agora. “Não tenha dúvidas de que ainda corremos o risco de fazer uma eleição com uma abstenção de mais de 60% dos eleitores. Hoje nem sabemos como vai ser a eleição. Vai ter comício? Vai ter caminhada? Passeata e corpo a corpo, como fazíamos tradicionalmente? Quais serão as regras da internet? As regras serão definidas quando? Daqui a 15 dias, daqui a um mês. A gente não sabe. Está tudo muito obscuro. Neste momento em que estamos vivendo, com essa queda da economia, sem perspectivas de melhora a curto prazo, como é que vai ser o ano de 2021?”, questiona Gilson Andrade.