Aparte
OPINIÃO - Sem luz no fim do túnel
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[*] Adalberto Vasconcelos Andrade

Em outubro, mais de 140 milhões de brasileiros vão às urnas para escolher o futuro presidente do Brasil. Mas aqui em Sergipe, o que pensam os mais de um milhão e meio de eleitores sobre os nossos atuais representantes?

O que se passa na cabeça dos políticos que comandam esse Estado há décadas - ora como aliados, ora como adversário - mas com um discurso batido, que hoje não convence mais ninguém? Quem já esteve em cima, hoje está em baixa. 

Realmente, não é nada confortável a situação dramática pela qual passa o governador do Estado de Sergipe, Jackson Barreto. Além de ter que lidar contra uma série de dificuldades - de toda ordem e volume -, ele sofre pressão de todos os lados e até dos seus aliados, para que seja um dos pré-candidatos ao Senado.

A cobrança é tamanha, que a data de desincompatibilização virou uma novela mexicana na mídia sergipana, que em nada acrescenta e nem altera o seu projeto político, já que existe um prazo limite para isso. Mas a razão da demora é muito simples: nem JB sabe ao certo à medida que o prazo final se aproxima.  

Diante de tantos problemas de difícil solução a curto prazo, nem ele mesmo tem certeza se vale a pena correr o risco de ver toda a sua trajetória política bem sucedida até aqui ser rejeitada nas urnas pelo péssimo momento que passa a sua administração. 

Alguns mais otimistas podem dizer que o seu nome se destaca entre os primeiros mais citados nas pesquisas de intenção de votos entre os sergipanos - como a que foi divulgada a semana passada pelo Instituto França Pesquisas.  

A oposição, apesar de liderar o ranking mesmo alternando os nomes da três maiores lideranças - Antônio Carlos Valadares, Eduardo Amorim e André Moura -, não deve se empolgar demais com o resultado por dois motivos simples.

Primeiro, porque até agora ninguém sabe ao certo se estão juntos ou separados - nem eles mesmos. Só teremos essa resposta quando for divulgada a chapa majoritária - seja através de André/Amorim ou a da terceira via pelos Valadares, incluindo inclusive o nome do vice. 

Interessante que não percebemos nenhum conflito, muito menos queda de braço, entre os partidos aliados do MDB para ficar com a vaga. Pelo silêncio das principais lideranças do PSD, PDT, PRB, PT e PC do B, esta questão parece que já foi resolvida entre os aliados do governador. 

No lado da oposição, a vaga continuava em aberto até a chegada do PPS de Clovis Silveira. O fato é que para os caciques quem têm peso e voto, o espaço de vice-governador não parece muito atraente. Valadares Filho, PSB, e Heleno Silva, PRB, - ainda aliado do governo -, que o digam. Só o Senado seduz o ex-deputado e ex-prefeito de Canindé de São Francisco.

O segundo motivo - e o mais perigoso - pra ninguém comemorar antes da hora, é saber que 61,9% dos eleitores sergipanos estão indecisos em quem votar para governador, e 78% não sabem - ou estão decididos a não endossar o nome de nenhum deles nas urnas.

À primeira vista, tudo leva a crer que não teremos grandes surpresas no pleito desse ano, exceto na Alese. Naquela Casa, haverá uma renovação significativa, porque aqueles deputados que não se enquadram na Lei da Ficha Limpa estarão inelegíveis.  

Mas o grande protagonista dessas eleições será sem dúvida nenhuma o eleitor. Diferentemente de em outras eleições. Só ele pode fazer a diferença e mudar o destino e a cara Brasil - começando por eleger caras novas pro Congresso Nacional e para Assembleia Legislativa. Só o eleitorado pode surpreender alguns caciques da política sergipana e do Brasil que querem se perpetuar no poder. A hora é agora - antes que a luz do fim do túnel se apague de uma vez.

[*] É administrador de Empresas, policial federal rodoviário aposentado e escritor.