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Aparte
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Jozailto Lima

É jornalista com 35 anos de experiência profissional. Antes do Cinform, trabalhou nos jornais Feira Hoje, Tribuna da Bahia, Jornal da Bahia, TV Subaé e Jornal de Sergipe.

Governo e governador veem Almeida Lima sob “alta psicopatia” e não responderão nada dele
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Almeida Lima: “A forma de administrar se constituiu num verdadeiro horror à decência pública”

Mas não deixam de ressaltar os R$ 157 milhões de rombo e outros desmandos deixados por ele. Ao ser demitido, numa ação que parecia óbvia para todo o Estado de Sergipe, menos para ele, o ex-secretário de Estado da Saúde - SEES -, José Almeida Lima, elegeu o governador Belivaldo Chagas, PSD, como um saco de pancadas.

Vira e mexe, e está Almeida cutucando os vazios de Belivaldo em entrevistas de rádio, em jornais, em portais e em artigos, inclusive dois deles publicados aqui nesta Coluna Aparte, que é um receptáculo sem preconceito de todas as vozes sergipanas. O tom de Almeida é sempre o do leite derramado. O da lamúria profunda pelo posto e o poder perdidos.

Mas pela lógica parcial de Almeida, só há um ser errado nessa história toda - que é, obviamente, o governador do Estado, para ele uma espécie de perseguidor da saúde pública estadual desde quando na condição de secretário de Estado da Casa Civil e na de vice-governador.

Numa análise razoável e honesta, custa crer que Belivaldo Chagas, na condição de governador de 2,3 milhões de pessoas, e com a pretensão de ter de parte delas um passaporte para permanecer por mais quatro anos gerindo os destinos do Estado, possa se deixar elevar à condição de “perseguidor da saúde pública estadual”. Esta conta parece não fechar.

O governador Belivaldo Chagas e o seu entorno mais fiel querem ver o cão lambuzado de enxofre e fel e não querem ver Almeida Lima. Mas é um não-querer permeado de desprezo total. O Palácio Augusto Franco determinou que nada do que Almeida diga de público em suas falas ou escritos vai ser rebatido. Nada vai ser faturado. Nada será levado a sério.

O Governo e o governador acham que retorquir as dores e as lamúrias almeidistas seria alimentá-lo em seu pranto e em sua ira sem causa. E que isso não valeria a pena. Mas não rebatê-lo e não levá-lo a sério não rimam com passar a mão pela cabeça dele e muito menos pela do espólio deixado por Almeida.

Ao contrário, analistas mais próximos do Governo acham que Almeida foi uma das piores tragédias que já se abaterem sobre a condução da saúde pública sergipana em todos os tempos e que um dos maiores erros de Belivaldo Chagas foi tê-lo tolerado, suportado e mantido secretário por 32 dias da sua gestão.

Belivaldo assumiu no dia 7 de abril e só o demitiu no dia 9 de maio, depois de ter lhe dado pelo menos uma dúzia de indiretas e diretíssimas de que ele deveria ter apanhado o boné e se picado embora. Ao demiti-lo, e ao se apossar de uma Secretaria que o governador considerava uma filha desgarrada do Governo, cheia de calombos pelas costas, foi que o cheiro azedo do espólio de Almeida na Saúde veio de fato à tona.  

A parte mais simbólica do que o Governo considera desmando de Almeida está numa dívida deixada por ele de R$ 157 milhões junto a diversos maltratados credores. Não somente pelo tamanho estratosférico dela, mas pela forma como ele a teceu e a manteve. Almeida instituiu na SEES, diz o Governo, o péssimo hábito de pagar por ofício.

O Governo que não quer falar sobre seu ex-gestor da Saúde, tem no entanto o mapa da catástrofe em mãos. E, para esta coluna, um técnico do Estado, diante do último artigo de Almeida a este portal, emitiu dados e conceitos duros - naturalmente pedindo off.

“Almeida Lima e a SEES eram um Estado à parte dentro do Estado. Belivaldo Chagas parou de mandar dinheiro para Almeida na expectativa do que ele pedia e esperava porque estava enxergando um buraco muito grande na Secretaria de Estado da Saúde. Algo além das normas de Estado”, diz esta fonte.

“Quando a Almeida saiu atirando, nós decidimos: não vamos responder nada. Ele se achava o porreta e o melhor administrador do mundo, mas deixou um rombo de R$ 157 milhões. Portanto, quem quiser que pense que Almeida é um bom gestor. Quem pensar assim, que leve-o para casa. Leve-o para administrar as suas finanças pessoais ou as da sua empresa, e espere para ver no que dará”, diz.

Pela lógica desta fonte, “Almeida não dava satisfação a ninguém do Governo sobre os seus e atos, custos e gastos. Nem ao Tribunal de Contas e nem à Controladoria Geral do Estado. Ele tinha o péssimo hábito de pagar por ofício, o que é um fato de exceção na administração pública que deve ocorrer uma vez ou outra, e sob segura justificativa. Mas Almeida fez do pagamento por ofício sua regra. A sua normalidade. Era uma forma de ele burlar a Secretaria de Estado da Fazenda. Uma forma de que a Sefaz não aferisse as peraltices dele. E quando fomos ver, o rombo era esse dos R$ 157 milhões”, insiste.

Segundo ainda esta fonte, “a forma de Almeida Lima administrar se constituiu num verdadeiro horror à decência pública”. E dá um exemplo: “O Estado foi pagar agora a Embrapes - Empresa Brasileira de Prestação de Serviços - e não havia o devido processo burocrático que nos respaldasse. Almeida não dispunha do registro dos serviços prestados por esta empresa. É bom deixar claro que não existe isso em nenhuma outra Secretaria de Estado do Governo de Sergipe. Mas com ele não havia empenho, não havia certidões negativas das contratadas. A da Saúde era uma Secretaria cheia de pepinos”.

O Governo do Estado, que prefere não alimentar polêmica, parte do princípio de que “Almeida é um sujeito que beira o ridículo” e com um “componente de psicopatia muito forte”. “De zero a 10, ele está na casa dos 11 na psicopatia. A grande raiva de Almeida é porque perdeu uma fonte de recursos e de poder. Como é que ele vai fazer a campanha a deputado do genro Breno SiIveira nesta hora? Já teve uma repercussão negativa. Breno vinha numa ascendência, fechando acordos com Câmara Municipais com todos os vereadores dentro. Mas essa fonte secou e Almeida sentiu o baque”, diz a persona ligada ao Governo.