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Aparte
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Jozailto Lima

É jornalista há 37 anos, tem formação pela Unit e é fundador do Portal JLPolítica. É poeta.

Governo tenta derrubar veto do Bacen à indicação de Ademário Alves para comando do Banese
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Ademário Alves: Governo ainda sonha com sua expertise bancária

Por uma filigrana, uma finíssima espinha de peixe, o Conselho Monetário Nacional do Banco Central do Brasil - Bacen - não aprovou o nome do sergipano Ademário Alves de Jesus, 37 anos, para a Presidência do Banco do Estado de Sergipe - Banese - em substituição a Fenando Mota, conforme fora desejo e indicação do governador Belivaldo Chagas desde o começo do mês de junho.

Não que houvesse qualquer incompatibilidade técnica ou ética na biografia ou na carreira bancária dele - Ademário Alves vem do Banco do Nordeste do Brasil, passou pelo comando da Secretaria de Estado da Fazenda de Sergipe ainda em 2018 e está hoje superintendente Executivo da Secretaria Geral de Governo do Estado de Sergipe, onde atua como suporte ao planejamento. É considerado pelo Estado como um bom estudioso na esfera de planos.

Mas o Conselho Monetário Nacional do Bacen bateu os olhos num pequeno detalhe da vida pessoal de Ademário Alves de Jesus: Valdemar Gomes Alves, o Demar das Cotias, o pai dele, é vereador em sexto mandato em Carira - Demar não é um criador de cotias. Esse é o nome do povoado que ele representa. 

Antes, Nelma Maria de Jesus Alves, a mãe, fora vereadora por mais outros dois mandatos - perfazendo oito de ambos. Desde 1982, a dupla pai e mãe dele mantém ativado um espaço de vereador por Carira - isso são 38 anos. Mais tempo do que o próprio Ademário tem de vida - ele nasceu no dia 7 de março de 1983.

É uma fina espinha de peixe, mas portanto um pouco alongada no tempo. Mas diante da expertise e da experiência que Ademário possui em banco e sobretudo da distância que ele professa em relação às atividades políticas do pai e da mãe, o Governo de Sergipe, por não ficar feliz com a desaprovação, recorreu da decisão do Conselho Monetário.

Recorreu e espera que se saia vitorioso e que ele fique no comando do Banese. O Governo de Sergipe até relativiza, sem subestimar o papel e a importância de um vereador, na ponderação de até onde e quanto um vereador de uma cidade do interior vai ter influência sobre as decisões presidenciais de um banco.

Uma forte fonte do Governo chama a atenção para o fato de que um presidente de banco no Brasil nunca age sozinho. Decide sempre em função de um conselho bem amarrado e rigoroso. Segundo esta fonte, “o presidente não pode posar de mangangão e segue regras rígidas do Banco Central”. É fato.

A Coluna Aparte apurou que o governador Belivado Chagas tem até um “ou dois” nomes apostos para serem convidados em caso de o Estado não ser vitorioso no processo administrativo com o pedido de reconsideração da decisão contra Ademário.

O comando, portanto, é de aguardar a definição. Se for mantida a posição do Bacen, o Governo vai tentar um nome alternativo. Segundo esta fonte, o Governo entende que “seria deslealdade” já estar contatando outras pessoas sem ter um desfecho conhecido. “O fato de o pai de Ademário ser vereador pode ser impedimento para ele ser o presidente do banco?”, questiona esta fonte.

“Mas mexeram na lei e prefixaram que se tiver parentesco até tal grau com alguém que atue na política, a pessoa é vedada. O Governo de Sergipe não quer discutir o que há na letra fria da lei, mas lamenta que um homem da área, com atuação reconhecida em banco, possa perder a oportunidade de presidir o Banese”, reforça a fonte.

Desde que Fernando Mota deixou a Presidência do Banese, no dia 10 de junho, o banco vem sendo presidido interinamente por Helom Oliveira da Silva, um simãodiense que é originalmente diretor de Finanças, Controles e Relações com Investidores da instituição. Ele permanece até que a espinha de peixe desça ou não.