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Diógenes Almeida diz que Tobias Barreto respeita leis da pandemia, mas tem preocupação econômica
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Diógenes Almeida: situação de angústia no emprego, mas de controle na saúde

O prefeito de Tobias Barreto, Diógenes Almeida, MDB, vive um dilema duplo - aliás, como a maioria dos seus colegas: o de cuidar de uma comunidade de quase 55 mil habitantes - uma média alta para Sergipe - no campo da saúde neste momento de pandemia de coronavírus e o de zelar na esfera econômica, num município que tem tradição para o Nordeste no terreno das confecções, com feiras que atraem gente de longe, e muitos informais no trabalho.

A cidade tem hoje sete casos confirmados de coronavírus, com um óbito quase que não aceito, uma pessoa curada e 80 descartados após testes. Há outros três suspeitos e 52 pessoas monitoradas. “Para a população tenho dito que nós temos uma pandemia, sim, mas não precisamos ter pânico. Estou preocupado em cuidar da saúde e as pessoas estão em sintonia”, diz Diógenes.

O prefeito de Tobias Barreto diz que sentiu preocupação enorme durante o pagamento do auxílio financeiro pelo Governo Federal, quando se formaram grandes filas na agência da Caixa Econômica, inclusive com pessoas que vieram de outras cidades. Mas ele conseguiu botar ordem.

“Para mim, hoje não pode existir na minha cabeça um conflito entre economia e vida. Mas acho que está se pregando muito esse conflito. E as duas coisas são identicamente importantes. O problema que nós estamos enfrentando é porque as sequelas sobre o comércio de Tobias Barreto nessa hora têm sido gritantes demais e isso me preocupa muito”, diz o gestor.

“Não é pouco não e nem é por causa de imposto, porque o cara aqui em Tobias Barreto não vai pagar imposto. Nós temos um comércio, e o nosso comércio é do comprador de fora, que deixa renda. Nós temos aqui, além de um presídio, uma fronteira com a Bahia pela região de Itapicuru. Você passa da ponte e já está na Lagoa Redonda. Nós paramos com aquela Feira da Coruja, porque ninguém iria aguentar o fluxo. Perdemos as feiras, mas tem mercado aberto dia de quinta, os cereais na terça, com as barracas organizadas. Não está faltando alimentos”, diz.

“A minha preocupação é a de prezar pelo ganha pão das pessoas, porque nós tínhamos muitos informais, pessoas que trabalham em casa, com suas máquinas de costura. São serviços terceirizados, que o cara vai colocar como barraqueiro. Essas pessoas estão desativadas nesta hora, e é grave”, diz o prefeito.

Diógenes Almeida informa que, antes do vírus, Tobias Barreto vinha num ritmo de desenvolvimento econômico promissor. E teve de brecar. “Nós ganhamos no ano passado o prêmio de prefeitura que mais desburocratizou. Hoje, a gente abre uma empresa em Tobias Barreto em menos de um dia. Meio dia já estamos abrindo a empresa. Trouxemos a Jucese para cá. Foi um prêmio nacional o que ganhamos em Sergipe. Mas veio a pandemia e parou todo esse fluxo” diz o prefeito.

Apesar de toda essa “angústia” no aspecto “desenvolvimentista”, Diógenes diz que não tem como furar as determinações públicas adotadas nos decretos do Governo do Estado sobre a pandemia. “Não posso flexibilizar o comércio agora, porque não tenho essa autonomia. Veja, nunca passei por uma situação dessas. Também não posso ir contra o decreto do governador, porque é um seguinte: o poder de Polícia é do Governo”, afirma ele. 

“Os municípios e os estados são autônomos, mas eu não posso flexibilizar para mais o decreto do governador. Não posso à revelia do governador tomar essa ação, mesmo porque se eu afrouxar e tiver um surto grande em Tobias Barreto, por exemplo e Deus nos livre, vou correr para o Estado e o governador vai perguntar porque eu abri. E me dirá: “Não conte comigo””. É complicado. O Ministério Público vive encima, dizendo que não é para abrir. Abri uma feira e no dia seguinte o promotor fez uma recomendação para que não houvesse mais a feira. Estou dentro da linha do que tem mandado a legislação do Estado. É esperar”, diz Diógenes.

Diógenes Almeida e a esposa, a deputada estadual Diná Almeida, fazem parte do grupo de risco - os dois estão acima dos 65 anos - e eles têm se mantido muito na fazenda no interior do município. Mas ele, com presença em despachos rotineiros da gestão. A deputada Diná conseguiu colocar recursos da emenda impositiva para a saúde e ação social do município.