Aparte
Edvaldo Nogueira recebe André Moura na PMA. Isso pode ter desenho do futuro
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Edvaldo Nogueira: abriu o casa para André entrar a 10 dias das eleições

Edvaldo Nogueira, PCdoB, e André Moura, PSC, são dois jovens líderes da política sergipana. Eles têm perfis diferentes, atuam em grupos divergentes, ocupam posições desiguais - um, no Executivo, como prefeito de Aracaju; o outro, no Legislativo, líder do Governo Federal no Congresso Nacional.

As diferenças e divergências parecem parar por aí. Porque, na prática, há um húmus maior fecundando a carreira e a atuação dos dois - e eles se flertam no campo político abertamente, respeitando cada um o nicho que ocupam.

Edvaldo Nogueira, naquele seu jeito aberto e aspirante a libertário mesmo tendo um grupo, nunca escondeu de ninguém a importância do papel de André Moura para Aracaju enquanto deputado federal em sua gestão.

O prefeito admite que o deputado lhe foi fatalmente positivo nestes quase dois anos de gestão, ajudando-lhe a trazer mais de R$ 350 milhões de recursos federais para obras importantes em Aracaju - recursos sem os quais, pontua, sua gestão teria experimentado um pouco mais do amargo.

Isso não é um reconhecimento de subterfúgio. Por debaixo dos panos. Edvaldo Nogueira assume isso de público, se deixa a participar em áudio e imagens de programas eleitorais de TV de André Moura candidato a senador e vai a eventos promovidos por ele.

Mas, mais do que ir a eventos realizados pelo candidato André Moura, Edvaldo Nogueira recebe André Moura no seu Gabinete na Sede da Prefeitura. E isso não é coisa hipotética e nem do passado. Aconteceu nesta sexta-feira, 28 de setembro, a exatos 10 dias da realização da eleição.

Claro que Edvaldo Nogueira não atraiu André Moura a seu Gabinete para dizer lhe: “Olha, quero aqui lhe garantir que vou votar em você para senador e coisa e tal”. Claro que não foi isso. Edvaldo tem grupo e, pelo que se sabe, vota assumidamente em Jackson Barreto para sanador. Em Jackson Barreto, que fique claro.

Pelo que este colunista foi informado, neste encontro o perfeito quis ter de André a confirmação de que, nos próximos três meses que restam de 2018, ele, enquanto líder do Governo Federal no Congresso, deve se comprometer a lutar para que recursos apalavrados em Brasília para Aracaju de fato venham.

Mas é muito simbólico que Edvaldo Nogueira, a 10 dias da eleição, atraia o amigo “divergente” para dentro do seu alcácer, do seu labirinto, e diga-lhe em palavras e gestos: “Olha, companheiro, continuo contando com você nessa parceria”. Não só na vida como na política, para bom entendedor, meia palavra bas...!

Na esfera de André Moura, sempre houve uma espécie de comemoração ao fato de Edvaldo Nogueira não sair por aí fulminando a candidatura dele ao Senado. Isso, para eles, já teria uma equivalência de alinhamento. E quando Edvaldo, ainda por cima, agradece a André de público é quase um pedido de voto.

Outro aspecto de operação política fundamental e que poucos observadores estão mesurando: Edvaldo Nogueira, que de besta não tem nada, deve estar lendo as finas linhas do futuro político estadual. Ele sabe que, num eventual segundo turno entre Belivaldo Chagas e Valadares Filho, as chances de André marchar com Belivaldo são quase que totais. Isso com ele eleito senador ou não.

E se a eleição de André for consumada, a mão na roda em favor de Belivaldo vai ter as digitais de Edvaldo Nogueira. Uma vez reeleito Belivaldo, Edvaldo tem horizontes boníssimos em 2020 e tapetes bem distendidos em 2022, quiçá em parceria com André, que todos sabem o que pensa do futuro. Filosofia à parte, o hoje sempre entrelaça o amanhã.