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Maria Tereza Andrade

Maria Tereza Andrade é jornalista, graduada pela Unit em 1995, com experiência em veículos de comunicação em Sergipe e no Brasil. 

Instituto Luciano Barreto Júnior: compromisso social que projeta sonhos e transforma vidas
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Luciano Barreto, Maria Celi e ministro Luiz Fux: relação de amizade que se solidificou

“Emociona-me quando chego a qualquer estabelecimento comercial, a qualquer shopping, a qualquer cidade ou país e um jovem se identifica: 'doutor Luciano, estou empregado aqui e devo isso ao Instituto'. Isto é um projeto inclusivo, de amor. É um sonho que busco realizar."

A emoção contida nas afirmações acima rompe a rigidez de um homem de negócios quando o empresário Luciano Franco Barreto, 79 anos, fala do Instituto Luciano Barreto Júnior - ILBJ -, que toca com a sua Maria Celi - tendo-a como protagonista na administração do projeto -, compartilha com as filhas Ana Cecília e Alda Cecília e no qual quer ver os seis netos envolvidos.

Com o ILBJ, o fundador da Construtora Celi busca cauterizar diariamente “uma dor que não tem nome” - como reconhece em alguns raros momentos de desalento público -, que é a simbolizada pela morte precoce do filho Luciano Barreto Júnior, em 6 de setembro de 2002, aos 28 anos – um jovem promissor que morreu em acidente de carro em Aracaju depois de chegar de sua formação acadêmica na cidade de São Paulo e começar a dar os primeiros passos nos negócios da família.

“Eu nunca aceitei a morte de Júnior. Mas nunca questionei o porquê”, disse ele numa Entrevista Domingueira do JLPolítica. Logo após a morte do filho, Luciano encontrou nos papeis rabiscados por Júnior a constituição completa do que hoje é o grandioso ILBJ de 15 anos.

Naqueles papeis o jovem LBJ dava à iniciativa o nome de Instituto Paulo Figueiredo Barreto, que era o seu avô, pai do pai, também um homem de negócios. Ao materializar o projeto, Luciano Barreto é que lhe deu o nome, em memória. Pelo ILBJ já passaram mais de 15 mil jovens, todos de origem pobre, e que muita satisfação dão à família de Luciano e de Maria pela transformação de que são beneficiários.

E83fff24f2853071Maria Celi e o seu ILBJ: encontros que constroem novas histórias de vida

Para tocar o ILBJ e fazer desta uma das maiores instituições sociais de Sergipe e do Brasil proporcionalmente, a família Barreto não aceita um tostão de ninguém como ajuda - o custo do Instituto é de R$ 3 milhões por ano e sai todo das receitas do Grupo Celi. Incisivo, Luciano Barreto não aceita nem dedução de benefícios do Imposto de Renda.

“Há 17 anos ele partiu. Em vez de estarmos lamentando uma perda tão terrível, nós reunimos a família e construímos um projeto que chama a atenção de todos que o visitam pela grandiosidade do serviço que prestamos e por não receber nem doações privadas, nem verbas públicas. O ILBJ é mantido exclusivamente pela família de Luciano Barreto Júnior. O Instituto começou pequeno e foi crescendo. Hoje, trabalhamos com 1.200 jovens por ano. Estimamos que já passaram 15 mil jovens pelo Instituto - se inscreveram no último ano mais de dois mil deles, estamos processando e fazendo as avaliações para 2020”, diz Luciano Barreto.

F0d8b38bb4a29678Instituto começou pequeno e foi crescendo: 1.200 jovens são beneficiados a cada ano

A experiência e a proposta do ILBJ despertam a atenção, a solidariedade e fazem amigos além Sergipe. O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal - STF - e atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral - TSE -, ministro Luiz Fux, é um deles. Aliás, o ILBJ foi uma espécie de argamassa, selante e cimento numa relação de amizade que se solidificou entre Fux e a família de Luciano. 

Na sexta-feira da semana passada, 29 de novembro, Fux esteve em Sergipe como palestrante do XXI Congresso Brasileiro de Direito Notarial e de Registro e foi mais uma vez parar nas instalações do ILBJ, um espaço amplo da Avenida Barão de Maruim, onde um dia Maria Celi fez nascer a sua portentosa Celi Mall Decor. Fux, que recebe visitas de Luciano em Brasília, já tinha ido ao Instituto duas vezes. Uma delas na formatura do ILBJ de 2010 quando foi um dos homenageados - à época ele ministro do Superior Tribunal de Justiça - STJ.

Isso deixa Luciano e Maria Celi siderados de alegria, porque é gesto trespassado de espontaneidade do ministro que, de resto, é socialmente um bom camarada. “Fux foi aplaudido de pé. Tem um carinho enorme pela memória de Júnior. Ele se afeiçoou, e isso não é coisa deste mês e nem de quando se tornou ministro do STF. Ele tem uma relação de carinho, respeito e amizade pela obra”, revela Luciano Barreto.

“Fux fez questão de ser fotografado ao lado do retrato de Luciano Júnior, comigo e Maria Celi. Em seguida, fomos ao Memorial do Luciano Júnior, que fica logo na entrada. Lá, tem uma imagem de Nossa Senhora de Fátima. Fux é muito religioso, espiritualista, sensível. Ele é um homem brilhante, a gente vê pela qualidade dos votos dele. Sempre independentes. Quando mostramos a ele os novos projetos, todos nos emocionamos. Mais uma vez relembramos a história de Júnior, e a importância do Instituto no projeto de convivência de minha família com a perda”, atesta Luciano Barreto.

A534b0a1af0a0198Reunião de pais e mestres faz parte da rotina do ILBJ: integração e avanços

Essa é uma convivência que traz profunda dor, acalentada talvez pela transformação diária de tantas histórias - individuais e coletivas. O ILBJ e sua ação são instâncias que comovem Luciano Barreto bem mais do que os lances de negócios, nos quais ele foi sacramentado doutor pela visão coletiva de muitos sergipanos. “Tem jovem que vivia com a mãe na rua e hoje é formada. Uma das jovens do Instituto já se formou em Enfermagem, outros dois que também viviam nas ruas concluíram a universidade. Outro é estagiário da Petrobras”, relembra alguns deles, com orgulho, Luciano Barreto.

Sobre o processo de seleção de jovens para ingressar no Instituto, o empresário revela ser bastante criterioso – e a condição social do inscrito tem um peso determinante. “O jovem tem que ser de escola pública, de 15 a 25 anos de idade e, quanto mais necessitado, maior a chance de ingresso. Estamos concluindo um processo para darmos vale transporte, devido à dificuldade de locomoção de muitos alunos. O Instituto quer, acima de tudo, além da parte pedagógica, a transformação desses jovens”, pontua Luciano Barreto.

O objetivo inicial do Instituto era o ensino da Informática - uma febre no momento em que foi fundado. Mas, pelo perfil da gurizada, sentiu-se a necessidade de um reforço em Matemática e Língua Portuguesa, e foram criados esses cursos, somando-se três. “Depois, nós agregamos o curso de Inglês, e um que temos dado muito destaque, que é o de Cidadania e Trabalho. O nosso objetivo é preparar os jovens para o mercado de trabalho. A maior dificuldade de arranjar emprego é nessa faixa do jovem de 15 a 25 anos”, argumenta Luciano Barreto.

“Uma coisa que tem me surpreendido, e eu relatei isso ao ministro, é que um curso que nós criamos, e que tem atraído interessados, é o de Libras. Já tem três anos. Inclusive, tem um rapaz em condição social muito difícil que se formou em Libras pela universidade. As vagas oferecidas têm sido preenchidas, e às vezes precisamos fazer mais que uma seleção”, explica o empresário.

8f56aedc4287999eCurso de Libras ganha um espaço cada vez maior no ILBJ

Apesar das hiper ocupações como empresário, como líder de classe - ele preside a Aseopp - Associação Sergipana dos Empresários de Obras Públicas e Privadas -, Luciano Barreto não perde o foco do ILBJ e suas atividade. Sabe tudo, tim-tim por tim-tim do Instituto. De segunda-feira a quinta-feira, lembra ele, tem a parte pedagógica, e sexta-feira são as oficinas - de Teatro, Empreendedorismo e Meio Ambiente. “Há também sessões de cinema, inclusive as de filmes antigos, que trazem uma bagagem cultural complementar”, diz o empresário.

“Tem ainda educação financeira, e Maria Celi, pelo menos duas vezes por ano, no primeiro e no segundo semestre, faz uma atividade com os alunos, uma vivência sobre os cuidados com drogas e com doenças”, explica Luciano Barreto. “Eu faço mais a parte da economia e empreendedorismo. É para informar a realidade do momento, o que está acontecendo com Sergipe e com o Brasil. O que está certo e o que não está certo. Então, sim, o ILBJ é uma instituição viva, ativa, realizadora e altamente independente”, destaca Luciano Barreto.

6026ea9f0570bad2Mês da Consciência Negra: cidadania e identidade cultural

Para ingressar no ILBJ, o jovem deve estar estudando num escola pública - escola privada, nem pensar. Esta é uma regra intransponível no Instituto Luciano Barreto Júnior. Há cursos nos dois turnos, manhã e tarde. “Nós temos 15 anos, começamos pequenos e fomos crescendo e, apesar desse ingresso de jovens que ainda estão amadurecendo, nós não tivemos caso nenhum grave de disciplina. Não tivemos nenhum caso grave, como os de dano ao patrimônio do Instituto. Isso é sinal que o Instituto educa para a convivência nele mesmo. Os alunos zelam pelo Instituto”, revela Luciano Barreto.

“Outra coisa importante é que nós temos lá assistente social e psicóloga, e quando o jovem tem algum problema, a família é informada. Tem reunião mensal com os professores. O planejamento pedagógico é feito preocupado com essa questão. Minhas filhas, que eram muito ligadas ao irmão, e os meus netos, já depois de crescidos, têm um compromisso de continuidade com o Instituto, com os meus propósitos”, afirma Luciano Barreto.

70839e607e88fad7Ex-governador Marcelo Déda tinha um grande carinho pelo ILBJ

Luciano Barreto e Maria Celi sempre fizeram no ILBJ eventos de formaturas anuais que chamavam a atenção. Mas eles deram um tempo nesses atos - e Luciano apresenta, para tanto, um razão bem plausível. “O último evento foi próximo ao final da vida de Marcelo Déda. Ele era muito ligado ao Instituto, tinha um carinho muito grande. A ida dele nos traumatizou. E nesses eventos vinham Marcelo Déda e Eduardo Campos, o nosso amigo governador de Pernambuco, que também faleceu”, diz Luciano.

“Com esses falecimentos, criamos um trauma e decidimos que os recursos que nós gastávamos naqueles eventos, que eram sim muito bonitos, retornaríamos todos ao Parque Tecnológico. Este ano, faremos uma confraternização lá no Iate Clube agora em 17 de dezembro, ao fim da tarde”, antecipa Luciano Barreto. Na formatura, será feita uma ação interna com concursos de redação e outras áreas para avaliar o aproveitamento do aluno - os três primeiros colocados serão premiados.

B61f0f26233575d3Eduardo Campos também faz parte da história do ILBJ

Por fim, Luciano Barreto revela outro lance de generosidade e inclusão social a partir do ideário do ILBJ. “Todas as empresas ligadas a amigos e familiares nossos têm feito um trabalho em conjunto para priorizar a inserção no mercado, com o Jovem Aprendiz, de alunos egressos do ILBJ. Temos conseguido também que algumas faculdades privadas abram bolsas pelo Instituto para o estudante poder se formar. Tudo isso com total independência, sem interesse nenhum. Com muito amor”, sintetiza.

Amor que para o empresário Luciano Franco Barreto significa transformar - transformar sonhos em projetos de vida, dor em realizações coletivas. Um amor que para o pai Luciano Franco Barreto se fortalece no compartilhar, que rompe o tempo e as barreiras sociais e concretiza sonhos. Porque lá, no Instituto Luciano Barreto Júnior, o futuro se faz presente - e no presente de cada um daqueles jovens é permitido, sim, sonhar. Isto é amor - que lá, no Instituto Luciano Barreto Júnior, conjuga-se pelo verbo solidarizar. 

Ecd6058860f99165Encerramento das atividades do ILBJ em 2018: o futuro se faz presente