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Aparte
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Jozailto Lima

É jornalista com 35 anos de experiência profissional. Antes do Cinform, trabalhou nos jornais Feira Hoje, Tribuna da Bahia, Jornal da Bahia, TV Subaé e Jornal de Sergipe.

Jackson Barreto não vai deixar o Governo de Sergipe para disputar o Senado
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Jackson Barreto: numa sinuca de bico repleta de atrasos salariais e de estradas esburacadas

O governador Jackson Barreto não vai deixar o Governo de Sergipe nem agora em março e nem no sete de abril, data-limite para a desincompatibilização. Ele não vai, portanto, disputar o Senado.

Jackson Barreto só faria isso - a renúncia e a candidatura - diante de uma condicionante muito difícil de se materializar: se o Governo Federal liberasse o empréstimo dos R$ 560 milhões aprovado pela Alese para Sergipe para recuperação das estradas sergipanas.

Essas concepções e afirmações não são de coluna Aparte. São de uma liderança política que esteve em conversa de gabinete nesta semana com o próprio governador Jackson Barreto e ouviu dele esses conteúdos expressos. Sem tirar, nem por.

Em off, a liderança diz à coluna Aparte que o governador JB colocou como obstáculos para o projeto político envolvendo o nome dele duas realidades que travam o seu governo, e que de fato correm à boca larga nos bastidores políticos do Estado.

A primeira: a situação caótica dos servidores estaduais, que estão recebendo salários atrasados, divididos ou parcelados. A segunda: exatamente a situação de pleno destroçamento das estradas estaduais de Sergipe, quase todas elas intransitáveis e um aperreio para os usuários.

Segundo esta fonte, JB teria dito que na questão do pessoal, poderia haver um atenuante, com a distribuição, ou compartilhamento, da culpa com a crise nacional que atravanca o país. Não contempla de tudo a JB, que gostaria de estar pagando em dia, mas ele admitiu que dividir o problema com a questão estrutural poderia ser o lenitivo.

Mas o próprio JB disse a esta fonte que a questão das rodovias é grave-gravíssima. Que lhe incomoda pra caramba. Ele teria ponderado que em face disso enfrentaria extrema dificuldade de cruzar o Estado esburacado pedindo voto para senador.

E é aqui onde entra a esperança de um atenuante quase impossível e improvável: o de que o Governo Federal libere, devidamente pra já, aqueles R$ 560 milhões que foram aprovados ano passado em forma de empréstimo pelo Estado junto à Caixa.

O “devidamente pra já” seria até sete de abril, para que JB deixasse o Governo com dezenas de ordens de serviços para dar vida nova às velhas estradas. É claro que esse “pra já” é uma utopia. Não sai.

A fonte que esteve com JB suspeita, inclusive, que o todo generoso André Moura-liberador-de-rios-de-dinheiro

para Sergipe esteja fomentando essa impossibilidade de liberação dos R$ 560 milhões. Dificultando-a, para atravancar o projeto eleitoral de JB. Afinal, André quer a mesma coisa dupla que JB aspira: o Senado e o Governo do Estado. Pra ele e pros seus.

Se o empréstimo dos R$ 560 milhões sair depois de junho ou julho, a vaca já terá ido pro brejo e não haverá eficácia alguma diante da urgência das estradas. Mesmo se saísse no hoje de março, a eficácia para as estradas, em face da burocracia de realização de obras públicas, já estaria comprometida, quanto mais daqui a três ou quatro meses.

Por falta do conforto e da tranquilidade desse empréstimo, o governador disse à pessoa que lhe visitou que, face à probabilidade de desincompatibilização, ele dorme com um sentimento e acorda com outro. É uma situação demasiado complexa para quem só tem 34 dias para decidir e que está acossado por uma multidão dizendo “desincompatibilize-se” e outra, “fique”. Mas há que se levar em conta o bom histórico político de Jackson Barreto. Isso atenua as dificuldades estruturais.