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Aparte
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Jozailto Lima

É jornalista há 36 anos, tem formação pela Unit e é fundador do Portal JLPolítica. É poeta.

Jackson Barreto vê Bolsonaro como “louco”, “irresponsável” e com pretensão de golpe
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Jackson Barreto: Fábio tem sido o deputado, o prefeito e o governador para Lagarto

O antídoto, adverte, é a unidade urgente dos setores democráticos. O ex-governador de Sergipe, Jackson Barreto, empossado na Presidência da Executiva do MDB de Aracaju na última quinta, 30, suspeita que o presidente Jair Bolsonaro, PSL, a quem ele vê como “louco e irresponsável”, tenha pretensões de dar um golpe à direita. 

Uma espécie de quartelada no país. “O Brasil corre perigo na manutenção do processo democrático. O de Bolsonaro é um governo de direita, discutindo com a extrema direita, com aspirações de extrema direita”, alerta Jackson Barreto.

O antídoto para esse suposto perigo, segundo Jackson Barreto, são organização e união dos setores políticos democráticos nacionais. “Nós, os democratas, ficamos brigando, criando divisão entre nós, ao invés de buscar objetivos comuns neste momento em que a democracia corre perigo”, adverte.

Segundo JB, se não se pode fazer grandes coisas no âmbito do Congresso nesse momento, pelo menos “dá para ficar atento com a ameaça que corre o processo democrático nas mãos desse louco chamado Jair Bolsonaro. Diria, desse irresponsável”. 

Na noite de quinta, depois da convenção do MDB de Aracaju, Jackson Barreto conversou com a Coluna Aparte na fila de autógrafos de “Pedras e Avencas”, livro de poemas de Estácio Bahia Guimarães, que estava sendo lançado no Museu da Gente Sergipana e que arrastou meio mundo de sergipanos até lá. Veja a conversa com JB.

Aparte - O que o senhor pensa para o futuro do MDB de Aracaju? 
Jackson Barreto -
Penso em colocar o partido na reação a esse momento em que está muito difícil fazer política na situação em que o país se encontra. Principalmente com essa coisa que foi feita com um partido com a história do MDB, que lamentavelmente foi muito conspurcado pelo Governo Temer, com todos os escândalos que aconteceram. Acho que aqui em Aracaju o que vai ocorrer será um trabalho de ordem mais pessoal, de liderança mais localizada, visando 2020. Eu diria que um trabalho artesanal para organizar uma chapa e concorrer ao processo eleitoral do ano que vem. 

Aparte - Pelo menos na proporcional? 
JB –
Sim. Levando em conta essa mudança de legislação, hoje não há mais formação de legenda proporcional e coligação. Os partidos têm que construir uma chapa para viabilizar a eleição dos vereadores, ou seja, atingir ao seus próprios coeficientes. No mais, é coligar para prefeito, para o Executivo. 

Aparte - Como é a sua harmonia com a Executiva Estadual? Será boa, positiva? 
JB -
Será bem. O Fábio Reis, nosso presidente estadual, com a sua forma de pensar e eu com a minha. 

Aparte - Há divergências entre o seu pensamento e o de Fábio Reis?
JB -
Com relação à política local, não. Mas no plano nacional eles, os Reis, têm uma liberdade de ação política com o Governo Bolsonaro que eu não tenho e nem quero ter. Mas os respeito, porque acho que o Fábio em si tem o direito de fazer as suas opções. Até porque o MDB nunca foi partido. É um movimento. Não tem ideologia. 

Aparte - Mas as duas Executivas - a estadual e a de Aracaju - podem conflitar? 
JB -
Não, não. O importante é que nós somos integrados, amigos e companheiros. Eu votei em Fábio Reis para deputado federal. 

Aparte - O senhor tem algum tipo de decepção política com Fábio? 
JB –
Não. Nenhuma. Como amigo e companheiro, ele sempre foi muito correto comigo. 

Aparte - Qual a sua visão do mandato dele? 
JB -
Hoje, o que um parlamentar pode fazer pelo Estado? É usar seu prestígio, sua influência para trazer recursos, para ajudar os municípios - e Fábio faz bem isso. O Estado de Sergipe precisa disso. Ele, nesse particular, tem sido muito competente. Aliás, se você analisar do ponto de vista de Lagarto, especificamente, Fábio tem sido o deputado, o prefeito e o governador para aquele município. 

Aparte - O senhor diria que ele é grande provedor? 
JB -
Sim, um grande provedor. Aliás, como é um grande companheiro de outros municípios, como São Cristóvão, Tobias Barreto e tantos outros. Tem uma grande parte dos deputados que se dedica a essa ação. Outros, a fazer grandes discursos, debater grandes temas. Mas o Brasil do jeito que está não dá para você fazer muita discussão não. Agora, dá para você ficar atento com a ameaça que corre o processo democrático nas mãos desse louco chamado Jair Bolsonaro. Diria, desse irresponsável. 

Aparte – O senhor acha que o Brasil corre perigo, institucionalmente falando? 
JB –
Corre perigo, sim.

Aparte - Em que grau? 
JB –
O Brasil corre perigo na manutenção do processo democrático. O de Bolsonaro é um governo de direita, discutindo com a extrema direita, com aspirações de extrema direita. Você vê a ala de Olavo de Carvalho, a dos militares: é direita ou extrema direita? E nós, os democratas, ficamos brigando, criando divisão entre nós, ao invés de buscar objetivos comuns neste momento em que a democracia corre perigo.

Aparte - O senhor acha que há espaço para golpe? 
JB -
Não há espaço ainda, mas eles trabalham nessa direção. Aliás, o chamamento da semana passada já foi nessa direção. Depois o Bolsonaro mudou. Ele sempre muda. De manhã tem uma opinião, de tarde outra, e de noite muda as duas. Faz um decreto pela manhã, revoga pela tarde. 

Aparte - O fato de Bolsonaro brigar muito com o Congresso, pode invalidar uma tentativa de golpe dele? Se Bolsonaro conceber um golpe, o Congresso validaria?
JB -
O Congresso reagiria. Vejo isso pela dificuldade que ele está atravessando com os congressistas. O Congresso não lhe dará corda não.