Aparte
Opinião - Vazio tomou lugar do ódio e tenta se passar por divergência
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[*] Leandro Pereira Gomes

O uso indiscriminado e, portanto, desleixado das palavras de impacto da nossa língua fez com que hoje expressões como “ódio” fossem esvaziadas e perdidas.

Nossa comunicação está flácida. As pessoas apontam e repetem a esmo o que ouvem, mas ninguém entende realmente o que está sendo dito - e muitas vezes nem ligam para isso.

O ódio, simbolizado na figura de Jair Bolsonaro e dos que a ele se assemelham, foi o termo que substituiu, perigosamente, a conveniência, a megalomania, o nepotismo, o poder pelo poder travestido de sentimento patriótico, de amor à família, amparado por todo um suposto sentimento religioso que serviu como cobertura para esse bolo de lama que nos foi vendido.

É preciso entender que temos hoje no poder um político reacionário, que é mais tresloucado que nossa esquerda radical e dita revolucionária. Afinal, ele, o tal Jair, com o qual nem todos vão se acostumando, não conserva valor nenhum. Apenas propaga palavras ao vento.

Nada objetivamente valoroso vem desse que ludibriou até chegar à Presidência da República, pai de seus pequenos homúnculos encastelados nos poderes legislativos do Rio de Janeiro e de São Paulo. Todos igualmente vazios.

Política da prudência? Não há a virtude da paciência, nem o que se espera minimamente enquanto respeito pelo outro. Nessa hora, tudo foi perdido ao darmos vazão a esse personagem que, num momento de fragilidade da política nacional, fanatizou os desesperados do Brasil.

Não podemos cair no lugar comum de chamar de ódio o que esse vazio tem a nos oferecer. O momento, mais do que nunca, é o de refletirmos sobre o que há entre isso, que se diz ódio, e a divergência política. Que esta prevaleça como suprassumo da democracia.

[*] É jornalista, consultor de Tecnologia da Informação e colaborador do Portal JLPolítica.