Aparte
Opinião - Curtindo o desterro, livre para dar palpite
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[*] Rômulo Rodrigues  

O Jornal Valor Econômico publicou que se nos sete anos terminados em 2020 o Brasil continuasse a crescer no ritmo médio de 2014 - último ano de governo do PT - teria hoje um crescimento 27% maior que o PIB atual. Ou seja, o país perdeu com o golpe simplesmente R$ 1,8 trilhão.

Olha que em 2014, o Brasil atingiu o pleno emprego, cresceu a uma taxa de 4,3% ao ano e acumulou US$ 378 bilhões de reservas. Vendo a explosão no terminal portuário de Beirute, no Líbano, causada provavelmente por armazenamento irregular de Nitrito e Nitrato de Amônia, dá para concluir que foi o armazenamento criminoso.

No terminal político daqui, o armazenamento é de partidos como PSDB, PMDB e DEM, juntamente com o conspiratório da Lava Jato, mídia, militarismo e judicial que explodiu o Brasil em 2016, no golpe que fez o país regredir mais de uma década, e voltado a ser incluído no Mapa da Fome.

Olhando a cara impávida do ministro Fachin, dá para perceber que o megalomaníaco projeto do Savanarola e do Torquemada do Paraná para fundarem um partido político e elegerem senadores no maior número de estados brasileiros está em processo de decomposição e eles caminham para os monturos de lixos da história.

Aquela eclosão de ovos de serpente de 2018 chegou ao fim e deixou sequelas de até oito anos. Claro que as apostas ainda vão continuar em 2020 e o que não falta são delegados, delegadas e oficiais militares picados pela mosca azul - ou será o tal de Renova-BR, a lá Ibade de 1960 - para avançar na configuração de um Estado policialesco.

Em Aracaju, tem gente animada, tem gente se animando e tem gente se suicidando. Suicídio em dose dupla é o que se pode chamar o acasalamento político de uma delegada que adquiriu fama na profissão e se acha desaguadouro do voto despolitizado e dos que sofrem da síndrome de Estocolmo, com um quase seu chefe que rebaixou a carteira.

A experiência de ter como parelha de chapa quem tem mais bagagem política que a dela vai ser amarga para a pupila de Moro e Dallagnol. Não tem como dar certo, uma dobradinha com dois candidatos disputando os mesmos votos.

Só para lembrar à arrogante doutora: autoridade, liderança, talento, capacidade intelectual e bagagem política tinha Marcelo Deda e tomou uma rasteira no Proinveste.

Daqui do exílio forçado pelo Covid-19 e ignorado pela cúpula partidária, só me resta dizer que o anúncio da inusitada dobradinha é tudo que poderia acontecer de bom, no momento, para a ascensão do nome de Marcio Macedo. Deu o mote para ele fazer a glosa.

Mais uma vez, a lei do desenvolvimento desigual e combinado das sociedades abre as portas para o corajoso e competente pré-candidato do PT.

Vejamos: a delegada se apresenta como combatente da corrupção e monta uma coligação com o PL, de propriedade de Edvan Amorim, o PSDB de José Serra, Geraldo Alckmin e Aécio Neves, comandado por Eduardo Amorim e irmão de Edvan. Quer enganar quem?

Na vice, Valadares Filho do PSB traiu Déda, Lula e Dilma, apoiou o golpe e foi elogiado pela Fiesp, que odeia o Nordeste, votou em Bolsonaro e é corresponsável pela perda de 27% do PIB, a retirada de R$ 1,8 trilhão da economia e a morte programada de 200 mil a 250 mil pessoas.

A delegada, por sua vez, deixou cair a máscara do falso moralismo ao aceitar ser candidata da desmoralizada Lava Jato, subordinada ao FBI, que articulou um golpe, noticiado, de R$ 2,5 bilhões, em cima da Petrobras, para criar um partido político e eleger gente em todo o Brasil.

A recente ameaça do embaixador americano sobre a aquisição de tecnologia 5G da Hawuei chinesa, mostrou quem manda nesse povo.

Falando em pré-campanha, alerto que daqui pra frente Marcio Macedo deve esquecer um pouco o concorrente Edvaldo Nogueira e passar a enxergar que o perigo para a democracia é a chapa do golpe, que é quem deve ser combatida.

E deve ser porque, independentemente de existirem ou não malfeitos para ser investigados, o que se vê na prática é a utilização do método lavajatista de ocupação de território para acuar as populações e mantê-las aterrorizadas.

A Prefeitura de Aracaju pode ser uma meta, já que o histórico da capital mostra sua autonomia desde que Iedo Fiúza, do PCB, foi o mais votado na eleição presidencial de 1945. A Globo anuncia uma grade de filmes para as próximas semanas e “Bacurau” será um bom exemplo.

[*] É sindicalista aposentado e militante político.