Aparte
Dom João José Costa: “Um país conflagrado, em guerra, não serve a ninguém”
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Dom João José Costa: em busca da harmonia nesta hora tensa

Muito preocupado com a estabilidade democrática e com a paz entre sergipanos, os brasileiros, o arcebispo arquidiocesano de Aracaju, Dom João José Costa, disse à Coluna Aparte nesta terça-feira, 23, que espera que dos resultados das urnas no próximo domingo, dia 28, saia algo pacificador para o clima de ódio em que vive o país.

“Um país conflagrado, em guerra, não serve a ninguém. Não serve, principalmente, a um povo que é cristão, que é a maioria de nós sergipanos, de nós brasileiros. Ninguém entende um cristão que prefira partir para a guerra e a violência. Defendemos a paz, no sentido de preservar a vida, que é um dom de Deus”, disse o arcebispo, todo cheio de cuidados para não transparecer tendência pessoal pela disputa.

Mas, religioso democrático e muito focado em valores bons, Dom João José Costa não esconde apreço pela preservação da democracia e os seus desdobramentos de paz social. Ele acompanha, com especial atenção - e um pouco de tensão – o momento beligerante da política nacional.

“Esse momento de maniqueísmo hoje não me apraz de jeito nenhum. Isso é um perigo. É um mal. Nós somos um povo da paz e queremos essa paz constituída e preservada. Respeitadas, naturalmente, as diferenças de cada um e o direito de cada um se posicionar com a sua consciência”, pondera o religioso.

“Eu espero que todos tenham a verdadeira dimensão da responsabilidade do voto e que se atentem para aquele adágio que diz que voto não tem preço, tem consequência. Que prestemos atenção na dimensão do resgate daqueles que estão com dificuldade de viver dignamente, dos que dependem do pão de cada dia, do trabalho e de uma casa para morar”, diz o bispo.

“Não basta que cada um de nós seja honesto, mas que também escolhamos pessoas boas, que estejam a serviço do povo, da sociedade e da democracia, E que viva a fraternidade e estimule o amor e a paz. O voto deve estar a serviço da perspectiva da construção da paz”, diz.

“Defendo que, já na segunda-feira, dia 29, todos devamos nos unir, independentemente de quem seja o eleito, para varrer os conflitos, estabelecer a superação e colocar um fim nas divisões. Para que possamos promover a comunhão entre todos. Claro que, individualmente, cada um tem o seu candidato. Mas uma vez passada a eleição, devemos nos unir”, diz Dom João José Costa.

Foto: Heitor Xavier