Aparte
Opinião - Da momentânea irracionalidade eleitoral
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[*] Thiago Davis

Após uma semana do 1º turno das eleições 2018, confirmando a disputa presidencial entre Fernando Haddad e Jair Bolsonaro, os grupos de whatsApp estão em polvorosa. 

Nos de família, a ceia de natal corre perigo, porque os almoços de domingo já foram suspensos. Nos de amizade, sempre tem um para postar como se tivesse sido um “sem querer”, ou um “só para descontrair”.

Mas suficiente para disparar uma avalanche de mensagens anteriormente selecionadas do lado contrário e, pronto, é um monte de gente saindo do grupo, outros tantos pedindo que todos que postaram sejam excluídos.

Têm aqueles que argumentam que só fizeram revidar, uns ainda tentam lembrar que são amigos de infância e que eleição tem a cada dois anos. O administrador, sem saber o que fazer, e termina sempre naquele silêncio sepulcral depois de zilhões de mensagens acompanhadas por todos, em tempo real, ou parando um tempo só para sentir a sensação de como foi.

Nem mesmo os grupos reservados para reunir todos do mesmo time de futebol, ou sob a mesma orientação religiosa, resistem a ficar de fora da batalha eleitoral. Como chegamos a tudo isso? As eleições passaram a representar o bem contra mal. 

Se meu candidato ganhar, eu já nem faço questão de ir ao paraíso. Contento-me em não descer ao inferno que a vitória do outro candidato nos reserva. Ou ainda, se a nação quer, se Deus também quer, se meu candidato perder é porque tem fraude nas urnas. 

No meio disso tudo, tem 40 milhões do eleitorado brasileiro que sequer comparecem às urnas ou escolhem um candidato e, ainda assim, ficam no meio do fogo cruzado. O que esquecemos? Somos todos brasileiros querendo o melhor para o país e divergimos apenas no modo (cada um com a sua opção de voto). 

No 1° turno, 26,5 milhões de eleitores não votaram nem em Bolsonaro nem em Haddad, e serão convocados para fazer uma escolha: ou votar em um dos dois ou não votar. O mesmo se diga aos 40 milhões que já tinham optado em não influenciar na disputa eleitoral. 

Por que esquecemos? Porque ainda não reconhecemos que toda situação atual é fruto dos erros e acertos da nossa história, próprios das circunstâncias do momento vivenciado. Não existe salto quântico para a solução dos mais graves problemas do país. 

Qual será o desfecho? Como é próprio da democracia no Estado de Direito, a maioria dos votos válidos decidirá quem será o próximo presidente do Brasil. Não será o apocalipse para ninguém.

[*] É bacharel em Direito pela PUC/SP.