Aparte
Transformar o forró em patrimônio imaterial para salvar nossa tradição
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Paulo Correa: luta importante para identificar o verdadeiro forró

Estão se aproximando os festejos juninos e o todo bom nordestino já conta as horas para bailar ao som do triângulo, da sanfona e da zabumba. Mas o que se testemunha cada vez mais são as grandes festas – muitas das quais realizadas pelo Poder Público com o dinheiro do contribuinte – serem invadidas por artistas que despejam para o público ritmos que nada em se comunica com a cultura tradicional. Que fariam Luiz Gonzaga desafinar sua sanfona de tamanho desgosto.

A boa notícia é que há uma bandeira sendo erguida há alguns anos pela defesa e preservação do forró. Um movimento nacional para que o ritmo seja reconhecido como Patrimônio Imaterial do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan - e que conta com a chancela de artistas de peso e renome como Elba Ramalho, Gilberto Gil, Lucy Alves, e até o sanfoneiro itabaianense Mestrinho, filho do nosso Erivaldo de Carira. O foco é um só: salvar um dos pilares da cultura nordestina, ou seja, o forró tradicional.

E esse processo está próximo de ser finalizado com a aprovação. Quem traz a boa nova é o jornalista e radialista Paulo Correa – um pesquisador da música brasileira e sergipana desde os anos 80 do século passado. “Está em fase adiantada. O processo solicitando esse reconhecimento foi dado entrada em Brasília em 2011. Como exemplo, podemos citar o processo de reconhecimento de patrimônio imaterial para o cordel, que foi apresentado em 2010 e aprovado no ano passado. Logo, acreditamos que o reconhecimento para o forró deverá sair entre este ano e o próximo”, previu.

Correa conta que a medida servirá para rotular, etiquetar e carimbar o que é forró de verdade e o que não é. Para os que tem alguma dúvida sobre as diferenças, o pesquisador elucida para que não haja confusão. “Muita gente começou a dar nomenclatura para tudo: forró pé de serra, forró universitário, forró eletrônico. Mas forró só existe um. A identidade do forró é aquele tocado pelo trio, com sanfona, triângulo e a zabumba. O forró eletrônico é o que tem a banda completa, desde que execute os ritmos deixados por Luiz Gonzaga e os herdeiros musicais dele”, afirmou. Mais claro, impossível.

O jornalista defende que com o selo do Iphan se contribuirá grandemente com a sobrevivência do forró e de todos aqueles que tocam o ritmo e que disso dependem para sobreviver. A preocupação com a temática é tanta que vários músicos se reuniram na quinta-feira, 10, na Assembleia Legislativa, para discutir o abandono do forró. Paulo estava entre os presentes e constatou que os artistas estão preocupados com a invasão de outros tipos musicais durante o período junino.

“Existe hoje um movimento comandado por empresários de shows que estão querendo transformar em um País que se limita a tocar um ou dois ritmos. É querer baixar o nível da nossa cultura. Por isso, é uma luta importante para identificar o verdadeiro forró em um momento onde aqueles que cantam a música tradicional está ficando de fora das festas juninas. Justamente os artistas que vendem e fazem a nossa cultura. Os que tocam os ritmos que compõem o único e verdadeiro forró”, assegurou o jornalista.