Aparte
Opinião - O eleitor brasileiro é masoquista ou tem memória curta?
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[*] Adalberto Vasconcelos Andrade

Há quem diga que a memória do povo brasileiro só vai até a missa de sétimo dia. Quanto a sua participação na vida política, não é muito diferente: depois que o indivíduo deposita o seu voto na urna eletrônica, ele acha que a sua missão já foi cumprida. E seja o que Deus quiser, venha o que vier - e com certeza virá.

Hoje em dia é muito comum ouvir de pessoas que se dizem esclarecidas - ou se acham -, frases do tipo: “Não suporto política”, “Todos os políticos são corruptos”, “O horário eleitoral é um saco. Quando começa, desligo a TV”, “Prefiro não me envolver com essas questões”, e que o Brasil não mais jeito.

Infelizmente, muitos ainda pensam assim, ou que a política só se restringe ao voto. Não sabendo eles que tudo depende da política: a saúde, a educação, a segurança pública e a própria qualidade de vida do cidadão.

Nada justifica tamanha apatia do povo brasileiro com relação a tudo de ruim que vem acontecendo no país - inflação, desemprego, violência, corrupção, saúde na UTI -, mas o discurso dos políticos não muda, e que para todos esses problemas têm solução.

Em todas as eleições a ladainha é a mesma. Mas o eleitor brasileiro tem sua mea culpa: quando ele traz de volta as mesmas figuras políticas que comandam o Brasil e o Estado de Sergipe há décadas. E o drama se repete feito aqueles velhos filmes vespertinos que não valem a pena ver de novo.

Outro erro que o eleitor comete é quando ele decide anular o voto ou se abster de votar.  Agindo assim - querendo ou não -, está facilitando o caminho de volta para os mesmos representantes que aí estão e que querem se perpetuar no poder.

O eleitorado não deve cometer o mesmo erro de Pilatos - lavar as mãos e entregar o destino de 208 milhões de pessoas à própria sorte, ou ficar refém da mesma casta de políticos.

Poucos merecem o passaporte de volta. Só o eleitor pode surpreender e mudar o destino e a cara do país - começando por eleger caras novas pro Congresso Nacional e para a Assembleia Legislativa. O Brasil não merece viver de reprises de seu próprio drama. Muito menos de filmes de Vampiros que sugam o sangue do povo brasileiro.

[*] É administrador de empresas, policial rodoviário federal aposentado, escritor e colaborador efetivo do Portal JLPolítica.