Aparte
Opinião - A importância da imprensa na renovação política no Brasil
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[*] Luiz Claudio Alves de Souza

Estamos à beira de uma nova eleição, talvez uma das mais importantes da história recente do nosso país. Eleição que, depois que toda a corrupção revelada na Operação Lava Jato, tem um forte viés de renovação.

Mas, apesar desse forte viés colocado como o grande anseio popular, o que vemos na imprensa é o mais do mesmo. Ou seja, a velha política fazendo os acordos necessários para se manter no poder.

A que valores, princípios e projeto de país se coligar? O que importa é tempo na famigerada propaganda eleitoral gratuita, que de gratuita não tem nada, e nesse ano consumirá R$ 1 bilhão em renúncia fiscal das emissoras, dinheiro que poderia estar melhorando nossa saúde, educação e segurança.

Diante do clamor da população por renovação, esperávamos que novos partidos e novos candidatos se colocassem à disposição dessa mesma população para o pleito de outubro próximo. Mas como isso é possível diante de um sistema que dificulta, ou melhor, quase impossibilita os chamados outsiders?

Temos uma legislação eleitoral que define a divisão do tempo de TV, do fundo partidário e do fundo eleitoral proporcionalmente à representação dos partidos no congresso, com 90% destinados de forma proporcional ao número de deputados eleitos pela coligação em 2014 e 10% divididos igualitariamente entre as legendas registradas no Brasil.

E assim, os três maiores partidos terão 34% do tempo nas eleições de 2018, tendo o PT direito a 11,5 dos 95 minutos de propaganda eleitoral; o PSDB, a 9,24 e o MDB, 11,08, e que aumentará sobremaneira o tempo dos candidatos majoritários com as coligações já negociadas. Isso sem contar a exposição natural que os atuais políticos já contam na mídia cotidiana.

Como podemos dessa maneira achar que a renovação é possível? Supostos outsiders se submetem aos donos dos partidos maiores para de alguma maneira conseguirem ter chance de se eleger através do quociente eleitoral, no caso das eleições proporcionais e para conseguirem mais tempo de TV, ficando assim refém da velha política. A única saída seria uma imprensa livre e descomprometida, que divulgasse de maneira igualitária todos os candidatos. Mas não é isso que temos visto.

Sou presidente do diretório estadual do Partido Novo em Sergipe, um real outsider com diferenciais importantes como o da não utilização do fundo partidário e fundo eleitoral, como o processo seletivo para escolha de seus candidatos e como a vedação de coligação se esta não for por coincidências de valores, princípios e projeto (e por isso estamos saindo para essa eleição sem coligação), e apesar de todos essas diferenças, conseguimos pouco sucesso nas nossas tentativas de divulgação.

Somado a isso, percebemos que as grandes emissoras definem os participantes de entrevistas e debates através de critérios como a representação no Congresso ou o posicionamento em pesquisas. Como pode um partido que obteve seu registro em 2015 e participou apenas das eleições municipais em 2016 ter representatividade no Congresso e ser conhecido a ponto de se destacar em pesquisas?

O Partido Novo, apesar de todas essas dificuldades, não abriu mão de seus valores e princípios e continua sem usar dinheiro público nem fazer coligações e espera realmente que a imprensa entenda seu importante papel de tornar conhecidos novos projetos políticos de maneira que possibilite que nossa população pelo menos conheça esses projetos e decida se eles merecem ou não seu voto.

[*] É presidente estadual do Partido Novo de Sergipe.