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Aparte
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Jozailto Lima

É jornalista há 36 anos, tem formação pela Unit e é fundador do Portal JLPolítica. É poeta.

NOVA ALESE 24 - Luciano Bispo: há mais de 30 anos de corpo e alma na política
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Eleito em outubro passado com 33.705 votos, conquistando a quinta colocação, Luciano exerce o terceiro mandato como deputado na Alese

Atual presidente da Assembleia Legislativa de Sergipe - Alese -, Luciano Bispo de Lima, 65 anos, MDB, é um homem dedicado de corpo e alma à política há mais de 30 anos: quatro mandatos como prefeito de Itabaiana e três como deputado estadual.

Luciano, obviamente, acredita que vale a pena se dedicar à política, mas deixa claro: é uma causa que gera sacrifícios. “Quem quiser patrimônio está no lugar errado, porque política é sacerdócio, é vida”, ressalta.

A vida de Luciano se resume, realmente, à política. Ele não é envolvido, por exemplo, com o ramo empresarial. “Lamentavelmente, não exerço outra atividade”, diz, ironicamente.

ITABAIANENSE DA GEMA

Mas, quem sabe, um dia este ato de sacrifício mude. “Sou um homem que faz política com amor e carinho porque gosto. No dia que eu enjoar, vou embora para casa”, informa Luciano.

Quando se fala em casa, com certeza, Itabaiana vem à mente. É lá onde Luciano viveu a infância, a adolescência e vive a fase adulta. “Sou itabaianense da gema mesmo”, frisa.

Filho de José Bispo de Lima, o Zé de Bevenuto, e Maria José do Espírito Santo Lima, dona Mariazinha, Luciano nasceu em Itabaiana no dia 13 de março de 1954. “Nasci na sede da cidade, na casa de minha mãe”, lembra. 

9b9f6c646fdfda34Pela segunda vez, Luciano assumiu a Presidência da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa

PAIS ZELOSOS

Luciano nasceu e se criou numa família de nove irmãos: Tereza, Antonio, Nivalda, Renato, Arnaldo, Ana Maria Lima e Roberto. “Sou o sétimo. Vivos somos seis. Morreram três”, informa.

Zé de Bevenuto e Mariazinha criaram os filhos, segundo Luciano, com bastante zelo e dedicação. “Meus pais eram pessoas altamente honestas, centradas no que queriam. Sempre nos aconselhavam para o bem, sempre fiscalizavam a gente, cobravam, orientavam”, relata Luciano.

“Sempre nos mostraram que, acima de tudo, o homem tinha que ter palavra, tinha que ser correto, honesto, porque ninguém ia para lugar algum se fosse desonesto”, afirma o deputado.

FILHO ORGULHOSO

Luciano não poupa elogios a Zé de Bevenuto – um fazendeiro que também tinha certa veia para o comércio. Contudo, o forte dele era agricultura mesmo. “Meu pai era um homem que tinha palavra. Palavra empenhada era palavra cumprida. Esse era o meu pai”, destaca.

Ainda sobre o pai, o deputado relembra certo comentário do comentarista esportivo Wellington Elias - ícone do rádio sergipano - que lhe tocou bastante. “Ele não conhecia o meu pai, mas quando ele morreu fez um comentário a respeito no programa de esportes: “hoje morreu um dos grandes homens de bem da história de Itabaiana””, conta. 

Se Zé de Bevenuto fez história em Itabaiana, o filho Luciano, com certeza, também fez. Para chegar até a Prefeitura Municipal, à Assembleia Legislativa, ele trilhou vários caminhos, a começar pelos estudos.

05fae83a751a94a9Luciano durante a vida estudantil no Educandário Nossa Senhora Menina, da professora Maria Branquinha

TRABALHADOR DESDE OS 12

O primário de Luciano Bispo, até o 4º ano, foi na escola Nossa Senhora Menina. “Foi na Maria de Branquinha. Branquinha era a dona da escola”, afirma. O deputado também estudou no Murilo Braga. “Depois fui para a faculdade, a Tiradentes, e me formei em Economia”, informa.

Paralelamente aos estudos, Luciano, como um bom itabaianense, trabalhava. “Eu trabalho desde os 12 anos. Meu pai nunca criou filho e filha sem trabalhar. Eu com 19 anos já tinha carteira assinada”, afirma.

Ainda na adolescência, buscando a independência financeira, Luciano vendia chinelas. “Eu tinha uma loja de comércio, onde vendia sandálias havaianas”, informa.

“QUEBRADO, FALIDO”

Para Luciano, trabalho é uma satisfação e alegria. “Eu vendia nas feiras com 12 anos. Fui feirante. Viajei vendendo chinela havaiana em Carira, Coronel João Sá (na Bahia). Botava barraca no chão da feira. Depois, montei, junto com minha mãe, uma loja de calçados”, explica.

Ainda no campo empresarial, Luciano, em parceria com o irmão Arnaldo, montou uma loja no ramo automotivo. “Fundei a Pneu Car. Aí, depois nós vendemos. Acabamos”, diz.

“Já fui empresário, comerciante itabaianense. Já fui muito rico. Mas hoje sou quebrado, falido. Para se ter uma ideia, moro numa casa de herança de meus pais”, relata Luciano, que, pelo jeito, não deixará tanta herança para as filhas. 

354a8295ef16972fFoto oficial da campanha eleitoral de 1988, quando Luciano se consagrou prefeito de Itabaiana pela primeira vez

FILHAS E ESPOSA

Luciano é pai de três mulheres: Luísa, Maria Eduarda e Luciana Valentina, frutos dos relacionamentos com Niede Santana, Manuela Andrade e Roseli Andrade dos Santos. Atualmente, ele é casado com Roseli. 

“Sou casado com Roseli há 22 anos. Ela é biomédica e também formada em Biologia. É a companheira que estou há mais tempo junto. É muito carinho, atenção e respeito. É uma boa convivência. Eu sou do tipo que casamento não tem meio termo: eu vivo ou não vivo”, afirma.

Luciano leva a sério suas causas, como a política que entrou na vida dele, segundo o próprio, por um acaso na década de 80. “João Patola foi na minha casa para me colocar para ser candidato a prefeito em 1982. Ele era vereador da cidade”, diz.

PRIMEIRA ELEIÇÃO/PRIMEIRA DERROTA

Luciano relata como se deu a entrada dele na política. “Aí eu: “E por que eu?” Ele: “porque você já faz muita caridade, você é de uma família que pode”. Eu tinha sido presidente da Associação Atlética e tinha feito um trabalho muito bom na cidade de Itabaiana. Fui eu que construí a piscina lá, a boate. Eu tinha feito um nome na cidade e tinha a facilidade de conviver com as pessoas”, afirma.

Luciano entrou na política também movido pelo sentimento de tirar Itabaiana, segundo ele, “do atraso”. “Na verdade, eu sempre fui contra as ditaduras. Itabaiana passava por um momento difícil, na época de Chico de Miguel. Não tinha crescimento. Era uma cidade atrasada”, critica. 

Uma vez aceita a proposta de ser candidato a prefeito de Itabaiana, Luciano perdeu a primeira eleição. Isso foi em 1982. Na época, o vitorioso foi João Germano da Trindade, o João da Veia, filho adotivo de Chico de Miguel.

109c24ad42c02f46Em 1989, Luciano entre o então deputado Djalma Lobo, o ex-prefeito de Itabaiana, João Germano, e o ex-vereador Wilson do Táxi

MUDANÇA POLÍTICA

“Para a época, perdi por poucos votos. Foi uma das coisas que fez com que eu continuasse e tivesse chance de ganhar no futuro”, explica Luciano que, quatro anos após a derrota, se elegeu prefeito de Itabaiana, aos 34 anos.

“Veio a eleição de 88, com o grupo chamado Progresso para a Liberdade. Era eu, Djalma Lobo e Zé Queiroz”, diz Luciano. Segundo ele, sua vitória representou a mudança da história política de Itabaiana, quiçá de Sergipe.

Na história de Itabaiana, ninguém, a não ser Luciano Bispo, chegou à marca de ser prefeito por quatro mandatos. O agora deputado atuou na Prefeitura itabaianense entre 1988-1991; 1997-2000; 2001-2004; e 2009/2012.

HOMEM FALHO

“Foram eleições de muita responsabilidade e cuidado. Uma lição importante é que: quando você faz política com seriedade, você ajuda muita gente e tende a crescer no seu município. E você também se realiza muito, porque faz muito pelo seu povo”, afirma Luciano.

Ele tenta explicar o que o levou a conquistar quatro pleitos municipais. “Eu fui um prefeito sempre muito ligado à pobreza. Fui honesto, sincero com o povo de Itabaiana”, diz.

Contudo, como ninguém é perfeito na vida, Luciano afirma que já falhou. “Cometi alguns erros, que todos cometem”, diz. Atualmente, ele responde, por exemplo, um processo que pode interditá-lo como deputado devido a uma situação de 14 anos atrás, na época em que geria a Prefeitura. 

Eb45a2fd7d8e74baLuciano durante a posse como deputado estadual pela primeira vez, em 1995. Nessa época, ele foi o segundo colocado geral nas eleições.

“HOMEM CLASSE MÉDIA”

“Foi um problema do secretário da saúde que, na verdade, era a acusação que teria gasto R$ 3.250 de forma errada. Esse R$ 3.250 era, na verdade, R$ 26 mil, que foi aplicado na saúde pelo secretário, que tinha aplicado certo, porque ele tinha ordem do Ministério Público para fazer essas aplicações”, explica o ex-prefeito.

Luciano se defende mais. “Se você puxar a vida dos prefeitos de Sergipe, verá que são tudo uns quebrados. Hoje sou um homem classe média-baixa”, afirma.

Independentemente de acusações, de uma coisa Luciano está certo e se orgulha: “Itabaiana tem 130 anos e ninguém, mas ninguém na história da cidade, fez por Itabaiana o que eu fiz”, afirma.

Para Luciano, o maior legado dele à frente da Prefeitura foi o progresso e a liberdade do povo itabaianense. “Eu tirei Itabaiana de uma ditadura, de uma tirania. E outra, eu pregava o progresso com liberdade e aplicava. Não só dizia”, destaca.

SECRETÁRIO DE JOÃO ALVES

Fora da Prefeitura de Itabaiana após o mandato de 1988 a 1991, Luciano se candidatou a uma vaga na Alese e se elegeu em 1994 – conquistando 67% do eleitorado itabaianense. “Geralmente, todos nós que somos de municípios grandes e temos um cabedal político grande, não podemos jogar no mato, temos que representar essa região”, explica.

Entre a Prefeitura de Itabaiana e Alese, Luciano teve passagem também pelo Governo do Estado, mais especificamente como secretário de Estado de Articulação com os Municípios, na gestão de João Alves Filho.

“Eu era muito ligado a João e tinha um acesso muito bom com os prefeitos. Por isso, ele me nomeou para esse cargo. Foi bom e ao mesmo tempo não, porque eu me chocava com ele. Eu trazia os prefeitos para João atender e ele não atendia”, revela Luciano.

A1fa1125dd2792b2Luciano é casado há 22 anos com a biomédica Roseli Andrade dos Santos

MÁGOA COM JOÃO

Independentemente dos choques, Luciano afirma ter tido um bom relacionamento com João Alves por muitos anos. “Mas, no final, eu me magoei muito com ele, pela questão de Arnaldo Bispo, quando ele negou a candidatura de Arnaldo (para prefeito de Itabaiana)”, relata.

“Eu achei que tinha feito muito por João e ele por mim. Então, ele não podia de hipótese alguma negar a candidatura do meu irmão, que já era um grande deputado estadual pelo DEM e homem sério”, afirma Luciano.

Após passagem pelo Governo de João, Luciano retornou para a Prefeitura de Itabaiana e em 2015 à Alese, após quase 20 anos de ausência. Voltou em grande estilo, assumindo logo a Presidência da Casa.

HOMEM RESPEITADO

“Tive um papel melhor nesse mandato passado como presidente. Eu cheguei na Assembleia e busquei mostrar uma cara nova. Dei-me muito bem com os colegas. Tive uma convivência boa com os poderes”, diz.

Segundo Luciano, sua unanimidade entre os deputados vem do respeito que adquiriu ao longo dos anos. “Sou sincero com todos”, frisa. Para ele, sua ascensão à Presidência foi de fundamental importância.

“Mostrou ao povo sergipano quem é Luciano Bispo. Uma pessoa de responsabilidade, um político por natureza e cuidadoso com as coisas dos poderes”, ressalta o deputado.

Para ele, a gestão pública é uma escola que proporciona muitos ensinamentos. “Você convive com o que é dos outros. Você administra o que é do próximo. Mostra que você tem que ser, acima de tudo, honesto, responsável e cuidadoso o máximo que puder. Se não for, tende a ter muita dor de cabeça”, sentencia. 

D0019e8618b8df9fLuciano com a esposa Roseli e a filha Maria Eduarda


A Série Nova Alese e a missão cumprida

Com a apresentação hoje da biografia do deputado Luciano Bispo de Lima - ele e a assessoria dele escolheram ser o derradeiro,  para amarrar a história dos 24 -, o Portal JLPolítica encerra a Série Nova Alese.

Encerra e se dá por demasiado contente e realizado em ter contribuído para que os demais sergipanos conheçam sempre um pouco mais da história das 24 figuras - homens e mulheres - que compõem esta nova legislatura que se encerrará  em 31 de dezembro de 2023.

Com a série que se encerra hoje, o Portal JLPolítica entende que cumpre o seu papel de jogar mais luzes sobre a política estadual. E o faz  seguindo uma premissa de que a política é um dos melhores instrumentos a serviço da civilização - só por via dela se pode pacificar uma sociedade, ainda que na atividade política alguns dos seus praticantes incorram em tantas digressões inoportunas e nefastas.

Mas a Série Nova Alese não teve a intenção de seguir os rastros de desacertos. Quis mostrar a saga de cada um dos 24 até aqui - dos reeleitos aos eleitos. Foi um jornalismo positivador.

Para isso, o Portal contratou a jornalista Tati Melo, que conversou com cada um deles, contou com a colaboração de assessores - aqui um agradecimento especial ao diretor de Comunicação da Alese Marcos Aurélio Costa - e deu o melhor de si na redação do perfil de todos os parlamentares. Muito obrigado, Tati. Seja qual for o destino da Série, seu nome está ligado a ela.

No decorrer da Série, esta Coluna Aparte, onde todo o conteúdo foi publicado, recebeu algumas provocações de leitores, segundo os quais a classificação de Nova Alese era inapropriada. E argumentavam isso com a constatação aparentemente simplória de que 12 dos 24 deputados haviam sido reeleitos e que portanto somente os demais 12 acabariam credenciados pelo rótulo de novos.

É preciso deixar claro, no entanto, que apesar dos seus seis mandatos, decanos como Garibalde Mendonça e Maria Mendonça - não são parentes, leitores - compõem com seus mandatos renovados uma nova Alese.

Sim, eles e os 12 demais estreantes são componentes de um novo período parlamentar. De uma Nova Alese.

O JLPolítica, repita-se, regozija-se de ter trazido à tona dados das biografias dos 18 homens e das seis mulheres desta nova Alese. Portanto, que eles façam o melhor pelos 2,3 milhões de sergipanos.

Isso, para nós do JLPolítica, terá sido o preço da Série. Obrigado a quem foi notícia e obrigado a quem foi leitor. Até uma próxima.