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Aparte
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Jozailto Lima

É jornalista com 35 anos de experiência profissional. Antes do Cinform, trabalhou nos jornais Feira Hoje, Tribuna da Bahia, Jornal da Bahia, TV Subaé e Jornal de Sergipe.

O estranho silêncio eleitoral da OAB de Sergipe esconde o quê?
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Henri Clay Andrade: puxando o freio das prerrogativas políticas dos advogados

Desde o mês de janeiro de 2015 os advogados de Sergipe viviam um clima intenso de pré-campanha para uma eleição que se daria no dia 27 de novembro daquele ano, na qual foi eleito o advogado Henri Clay Andrade.

A campanha foi muitíssimo intensa, com a participação de marqueteiros políticos como Carlos Cauê e David Leite, com tamanhos ânimo e foguetório que mais parecia que o alvo da disputa era o Governo de Sergipe ou a Prefeitura de Aracaju.

Pelo que se viu nas ruas e nos bastidores, não se diria que era simplesmente - pode se dizer simplesmente neste caso? - a eleição pela Presidência da OAB para os três anos que se seguiriam e que se encerrarão exatamente em janeiro de 2019 com a posse do novo eleito de novembro deste ano, dentro de mais oito meses.

O que mais chama a atenção agora é o ensurdecedor silêncio produzido pela proximidade das eleições desta que é uma das maiores instituições do Brasil. Diferentemente do barulhento 2015, o 2018 assume um ar de eunuco, de impotente, de fastidioso, quando o assunto é a eleição da OAB de Sergipe.

O que cabe o pertinente questionamento: o que esconde esse estranho silêncio de caráter eleitoral da OAB de Sergipe? Antes, esse apassivamento é bom ou ruim para uma classe que sempre tenta atrair os requisitos de não ser somente uma categoria funcional em si?

O que se pressente é um freio de mão puxado pelo presidente Henri Clay Andrade, quando o tema é o debate eleitoral. Ele tem dito que desviar o foco agora seria botar meio que a perder o projeto de gestão.

Henri Clay Andrade, que já havia presidido a OAB antes, ganhou a eleição como um duro oponente ao presidente Carlos Augusto Monteiro, que havia sido seu aliado, chegando à Ordem por suas mãos seis anos antes e lhe virado as costas. Ele teve 2.021 votos, contra 1.916 obtidos pela advogada Rose Morais, pela situação, e 423 por Emanuel Cacho, que fez o nem um, nem outro.

A principal plataforma de Henri Clay Andrade na zoadenta campanha foi o do resgate das prerrogativas dos advogados sergipanos. Ele vendeu em discursos e programas a ideia de que os operadores do direito do Estado estavam com a dignidade ao rés do chão, sendo chutados nos desvãos da magistratura. Algo nos limites de cachorro de fateira.

Para tornar esse discurso mais efetivo, Henri Clay Andrade fez um atalho e interceptou o grupo liderado por Inácio Krauss, Aurélio Belém do Espírito Santo, Arnaldo Machado e uma dúzia mais de outros ativos causídicos. Essa turma tinha uma pré-candidatura próprio, simbolizada em Krauss e a eles pode ser atribuída a vitória de Henri Clay. 

A confirmação disso está nos 321 votos a menos obtidos por Henri Clay perante a soma de Rose e Cacho – 2.342 de ambos contra os 2.021 dele. Claro que, como numa aliança da política convencional, Henri Clay abarcou os novos aliados, deu-lhes espaços de poder e mando - Krauss fez-se o vice, Aurélio Belém o secretário geral, e Machado, um dos três conselheiros.

Embora não ficasse patenteado em cartório algum, em nada formal, restou uma expectativa de que na eleição deste ano Henri Clay e seu grupo apoiariam os novos aliados para o comando da OAB a partir de 2019. Mas o ensurdecedor silêncio no território da OAB de Sergipe quando o assunto é a sucessão engloba até esses eventuais apoiáveis.

Como se tomada pelo espírito HC de ser - e HC é meio patriarcal e centralista -, a turma ligada a Krauss, Aurélio e Machado torna mais ensurdecedor o silêncio. Eles nada falam - embora haja um clima de que esperam o apoio na hora H. E ainda recebem uma luxuosa colaboração de Rose Morais e de seu padrinho Carlos Augusto Monteiro.

Aliás, quando o assunto é o silêncio em torno da sucessão da OAB, a contribuição vem até do iconoclasta Cacho, que já andou acenando a bandeirinha da paz para Henri Clay Andrade e não deve ser este ano uma carta desse baralho.