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“Deve ter gente mais importante do que eu no mundo para merecer o Nobel da Paz", diz Lula
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Lula: indicação ao Nobel da Paz por companheiros latino-americanos

São Paulo - Mesmo condenado e com risco de ser preso, o ex-presidente Lula foi Indicado pelo ativista Adolfo Pérez Esquivel, ganhador do Nobel da Paz de 1980, para receber o próximo prêmio. Em entrevista, nesta terça-feira, à Rádio Cultura, de Foz do Iguaçu, Lula disse que acredita que não merece essa distinção.

Ontem, parte da bancada do Parlamento do Mercosul também recomendou Lula para a homenagem. O ex-presidente foi sentenciado a 12 anos e um mês de prisão pela 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no processo que o investiga pela propriedade de um tríplex no Guarujá.

“É sempre gratificante quando as pessoas lembram (para um) gesto de solidariedade. Eu sinceramente não sei se mereço o Prêmio Nobel da Paz. Deve ter gente mais importante do que eu no mundo para merecer isso”, disse o ex-presidente em entrevista à Rádio Cultura, de Foz de Iguaçu.

O ex-presidente espera o julgamento de seu recurso na segunda instância. De acordo com o atual entendimento do tribunal, em caso de decisão desfavorável ao ex-presidente, deve ser determinada a execução de sua pena em regime fechado. O ex-presidente tenta reverter essa possibilidade nos tribunais superiores para evitar uma prisão. Lideranças da sigla adotaram o discurso de que Lula será preso porque é perseguido.

Dentro do partido, a expectativa é de que o ex-presidente seja preso após o dia 26 de março, quando a 8ª Turma do TRF4 faz uma primeira reunião após o retorno do desembargador Victor Laus das férias.

O petista planeja realizar uma caravana por estados do Sul do Brasil. O presidente deverá visitar o ex-presidente do Uruguai Pepe Mujica. Na entrevista concedida hoje, Lula voltou a criticar a decisão do juiz Sérgio Moro e da segunda instância.

“Para mim, é sagrado resgatar minha honra e a minha inocência, não vou passar para a história com base na mentira contada pelo inquérito policial, pela acusação do Ministério Público e pela sentença do Moro e do TRF-4, em Porto Alegre. Se eu respeitar essa decisão, estarei depondo contra todos os sonhos de liberdade”, disse. (Do jornal O Globo)