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Aparte
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Jozailto Lima

É jornalista há 36 anos, tem formação pela Unit e é fundador do Portal JLPolítica. É poeta.

Opinião – A sucessão de Aracaju em 2020 e a nossa frágil oposição
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Sucessão de Aracaju: uma algaravia de possibilidades

[*] David Leite

A estreia dos contendores em busca da cadeira de Edvaldo Nogueira tem componentes de fantasia e “medo”! Oposição de verdade não há para contrapor o atual prefeito de Aracaju - ao menos por ora, ainda reflexo do pleito passado.

Dos nomes postos até o momento, o único profissional da política é o deputado estadual e jornalista Gilmar Carvalho - e isso não significa muita coisa, conforme se depreende dos resultados de 2018.

Nesta terça-feira, 13, Rodrigo Valadares sentiu o gosto amargo de uma campanha política e entrou em modo sofrência. O deputado estadual tem sido duro nas críticas ao alcaide aracajuano e à gestão.

Edvaldo Nogueira respondeu, comparando-o ao pai, que seria, segundo ele, o oposto do filho em ternos de fineza no trato: “Não era uma pessoa capaz desses gestos de agressões, de fake news”.

Em campanha eleitoral não se deve esperar de um adversário afagos, e neste caso vale a máxima de que chumbo trocado não dói. A postura crítica de Rodrigo Valadares por vezes vai além da civilidade e atinge a pessoa do prefeito.

Certamente ressabiado, Edvaldo Nogueira passou do ponto ao, por “coincidência”, atacar o contendor justamente no dia em que o pai dele morreu.

Pelas redes sociais da internet, o deputado derramou-se em lágrimas. Disse fazer oposição ao prefeito desde janeiro sem obter qualquer resposta e, “sem que nem pra que ele escolhe exatamente hoje (…) um dia muito difícil para mim, para tecer uma crítica violenta contra mim, utilizando a memória de meu pai”. E veja que Edvaldo Nogueira só elogiou o falecido deputado...

Ora bolas, a sofrência de Rodrigo Valadares na tentativa mimada de fazer-se de vítima da fúria de Edvaldo Nogueira não cabe no figurino de super-herói com o qual se traveste!

O choro é livre, mas alguém precisa dizer ao deputado – e ele não é tolinho ao ponto de ignorar – que, para pontuar bem nas pesquisas, contendores têm de chamar a atenção para si e ele obteve no gesto impensado do prefeito a chance de “ser alguém” a quem o poderoso adversário resolveu contestar.

Esse é o retrato da oposição hoje: um mundo de fantasia – e de “medo”, também! Tem-se, por exemplo, o “quinteto fantástico”, formado pelo senador-delegado ao centro e um eterno candidato a prefeito de Aracaju na extrema esquerda, ladeado por uma delegada escanteada a Brasília; na outra ponta, um empresário que sonha com a vida na política dia e noite e uma vereadora cujo agudo da voz é capaz de quebrar até garrafa de Coca-Cola.

Na configuração acima, Rodrigo Valadares ficou de fora. A turma dele seria outra. O deputado surge em um retrato ao lado dos colegas do G4, o “quarteto fantástico”, composto por três outros deputados estaduais. O grupo diz que “mete medo nos poderosos desse Estado”, algo que por ora só faz rir!

Como em política não há vácuo, tudo isso ajuda Gilmar Carvalho a sonhar com a possibilidade de ser ele o grande e único adversário capaz de derrotar Edvaldo Nogueira.

Outro provável postulante que anda concedendo entrevistas de rádio, sem contudo declarar-se formalmente, é o ex-presidente da OAB/SE, Henri Clay Andrade, cujo cabedal político soma 53 mil votos em Aracaju dos quase 110 mil obtidos em 2018 como candidato ao Senado.

Em seu favor, Gilmar Carvalho conta com um poderoso aparato de comunicação, as emissoras Atalaia de rádio e TV. No entanto, até para evitar problemas com a Justiça Eleitoral, ele já foi chamado a escolher entre a carreira política ou a de apresentador jornalístico. No momento, empurra a decisão com a barriga, enquanto faz assistencialismo para pobre “se ver na TV”.

Contra si pesa o fato de não ainda possuir um partido para chamar de seu! Por tudo isso, reafirmo: tirar a Prefeitura de Aracaju de Edvaldo Nogueira será dureza, e se ele incorporar o estilo Jair Bolsonaro de não medir o que diz, vai ser páreo inda mais pesado.

[*] É consultor em Comunicação Social.