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Aparte
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Jozailto Lima

É jornalista há 36 anos, tem formação pela Unit e é fundador do Portal JLPolítica. É poeta.

Opinião - Bolsonaro insulta o mundo ao voltar a classificar coronavírus como  “gripezinha”
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[*] Edson Júnior

Nesta terça-feira, 24, em rede nacional, o presidente da república, Jair Messias Bolsonaro, voltou a minimizar o coronavírus, mais uma vez tratando a doença como uma “gripezinha, um resfriadinho”. Um escárnio a todo esforço mundial para conter a doença, que se alastra silenciosamente entre os continentes; um pitaco atabalhoado e ignorante, que afeta diretamente os esforços do seu ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, como também ações de enfrentamento decretadas por estados e municípios. 

Descolado da realidade, acusou governos de tratar a doença com “histeria”. “Algumas poucas autoridades estaduais e municipais devem abandonar o conceito de terra arrasada, a proibição de transportes, o fechamento de comércio e o confinamento em massa”, pregou.

Tentou desviar a atenção da população quanto ao potencial nocivo do vírus, usando como exemplo um atributo pessoal de imunização, o seu “histórico de atleta”. Quem sabe o mundo esteja interessado em estudá-lo. Também voltou a atacar a imprensa e buscou abrigo para o seu conceito de “gripezinha” a partir de uma declaração do médico Dráuzio Varella, dada em janeiro deste ano, quando o quadro não era de pandemia mundial.  

O coronavírus é silencioso e sem cura até o momento, basta um rápido giro pelo mundo para perceber sua escalada. Presente em 177 países, já matou quase 20.000 pessoas em todo o mundo e já contaminou mais de 400.000. 

Os números se alteram a cada minuto, mas em último levantamento que fiz, a Holanda registrava 2.460 casos, sendo 409 infecções e 18 mortes em 24 horas. Lá, o isolamento social vai até junho; na França são 562 mortes, com 6.172 doentes hospitalizados. 

Na Inglaterra, com 335 mortes, o primeiro-ministro Boris Johnson determinou quarentena oficial e britânicos só podem sair de casa para atividades essenciais, como comprar alimentos e remédios; na Espanha, morte de 462 pessoas em apenas 24 horas, total chega a 2.182 desde o início da pandemia; na Alemanha, de Angela Merkel, são 19 mil casos confirmados, com 68 mortes registradas. 

A doença, que teve início na cidade chinesa de Wuhan, na China, atravessou continentes e chegou na América. Até Donald Trump já mudou seu humor em relação à explosão no número de casos, são 43.499 confirmados, com 537 mortes no seu país. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), os Estados Unidos podem ser o próximo epicentro do coronavírus no mundo. 

Não é o mundo, nem governos estaduais e municipais que exageram, não há histeria, há racionalidade. A incompreensão quanto ao que fazer no combate ao coronavírus está na principal cadeira do Palácio do Planalto. 

Vamos refletir: não fossem os esforços até aqui envidados no enfrentamento ao coronavírus, em que escala estariam os números de infectados e de mortos? Como estaríamos aqui no Brasil, caso estados e municípios deixassem de seguir as orientações do Ministério da Saúde e seguíssem as bravatas do presidente?  

Não dá para relativizar o poder destrutivo do coronavírus, não dá para tratá-lo como uma “gripezinha”. Ao invés de bravatas, provocações e acusações non sense do presidente brasileiro, o mundo pede diálogo sereno, civilizado e somação de esforços das nações para vencer essa terrível crise. 

Jair Bolsonaro demonstra estar completamente “por fora” do que é ser presidente e do que acontece no mundo. Suas aparições não contribuem para o clima de serenidade e colaboração que a crise pandêmica exige, apenas exibem para o mundo como o Brasil está desorientado. A consequência disso é  sua popularidade derretendo e as panelas começando a fazer barulho Brasil afora. 

O slogam “Brasil acima de tudo e Deus acima de todos” precisa encontrar o presidente brasileiro; ele está perdido e o país afundando. Não é uma “gripezinha”, é coronavírus.

* É jornalista.