YoutubeFacebookTwitterInstagram
Aparte
Author 4eb5c947b54eb69b
Jozailto Lima

É jornalista com 35 anos de experiência profissional. Antes do Cinform, trabalhou nos jornais Feira Hoje, Tribuna da Bahia, Jornal da Bahia, TV Subaé e Jornal de Sergipe.

OPINIÃO - Com quantas variáveis se constrói uma vitória eleitoral
CompartilharWhatsapp internalFacebook internalTwitter internal
A22380179afb40bc

[*] Eloisa Galdino

O processo eleitoral deste ano trouxe inúmeras lições para atores políticos e profissionais de comunicação que atuam nesta seara. Sim, porque ele marcou a força da internet e das redes sociais na definição dos resultados e sinalizou para a expressiva  diminuição da relevância do tempo de televisão e rádio dos partidos, antes encarado como elemento preponderante para qualquer candidato e coligação. Um sinal de que as campanhas precisarão ter outros formatos a partir do próximo pleito.

É impossível, portanto, analisar qualquer resultado sem considerar uma miríade de variáveis que entraram em cena, incluindo aí ferramentas novas como o disparo de mensagens em profusão via Whatsapp - inclusive as chamadas fake news - a partir de sistemas informatizados e com centrais administradas até de fora do espaço geográfico brasileiro. Este é um fenômeno que precisará ser estudado, mapeado e controlado a partir de mecanismos legais nos próximos anos.

Dito isto, cabe destacar entre essas variáveis aquelas que sobrevivem ao tempo e continuam sendo parte do “fazer política”. Uma delas é a militância, uma classificação na qual inserimos pessoas engajadas e dispostas a fazer campanha a partir de vários estímulos, mas sobretudo por causas partidárias, ideológicas ou identitárias. Num processo eleitoral cheio de tantas nuances, ter militância passou a ser um grande e valoroso diferencial. 

E, neste ponto, podemos dizer que o Partido dos Trabalhadores é campeão em número e qualidade na sua militância. Ela vai às ruas e às redes em defesa do que acredita, levanta bandeiras e segue firme e em campanha, até o resultado final.

Aqui em Sergipe, tivemos um processo eleitoral dos mais difíceis, com três coligações fortes disputando a sucessão no governo estadual e vários nomes proeminentes na briga pelas duas vagas do Senado. E podemos dizer que o resultado do pleito, considerando todas as variáveis já citadas até aqui, possui relação direta com a composição das chapas, as arrumações, bem como com o  histórico de cada um dos grupos que disputaram essa eleição.

A coligação liderada por Belivaldo Chagas, apesar de começar a campanha com índices de intenção de votos bem tímidos, tinha algumas vantagens significativas: primeiro, a qualidade do candidato a governador, um político experiente e com uma imagem de homem sério e cumpridor de palavra. Isso é muito num tempo de tanto descrédito da classe política. Outra vantagem era ter em seu arco de aliados a militância do Partido dos Trabalhadores em Sergipe, além, claro, de uma ampla coligação com partidos e lideranças fortes; um qualificado grupo, portanto. Por fim, e não menos importante, o fato do candidato estar no PSD, atualmente um partido com muita capilaridade e organização no estado de Sergipe.

Para completar todo o cenário, no momento em que análises qualitativas e quantitativas mostravam o significado de ter o nome de Eliane Aquino como vice de Belivaldo Chagas, lideranças  de vários partidos da coligação entenderam isso como fundamental para dar força à chapa. E tê-la nessa composição virou objetivo político. Eliane, que poderia ter uma eleição garantida para qualquer cargo - como várias pesquisas apontavam -, mostrou desprendimento político, espírito de grupo e preocupação com a unidade de seu partido quando, após muito ponderar e pensar, aceitou o convite e, consequentemente, passou a ter papel preponderante em toda a campanha, nas ruas e nas redes, se comunicando bem com a população de várias formas e através dos mais diferentes meios. 
 
Neste ponto, é justo destacar que a presença de Eliane Aquino nos últimos pleitos eleitorais (2016 e 2018) foi fundamental para garantir o êxito do grupo que começou lá atrás, com Marcelo Déda. Eliane ajuda a materializar vitórias - é desonesto não reconhecer isso. Por ela, pelo partido que representa, e porque, ao colocar seu nome num pleito eleitoral, Eliane reforça a presença da aguerrida militância do PT sergipano, e com ela ativa no imaginário coletivo um tempo áureo desse partido, e a reverência às memórias de nomes como Déda e Zé Eduardo.

Mais que isso: Eliane reafirma a relação da gente sergipana com ideais de transformação e esperança, diálogo e ética. Sim, porque esses ideais são caros para a cepa de petistas sergipanos da qual ela faz parte. 

Eliane traz e representa isso, além de a sua postura fortalecer a comunicação direta e o papel histórico do partido no Estado. 

Não é possível entender -  muito menos tentar explicar - o resultado eleitoral em Sergipe sem considerar essas variáveis, até porque elas estão presentes na cena política e nos números de uma eleição vitoriosa exatamente porque todos esses atores e elementos estiveram juntos para produzí-la. 


[*] É comunicóloga. Foi secretária de Comunicação e de Cultura nos Governos Marcelo Déda.