Aparte
OPINIÃO - “Marielle Franco foi executada por ser diferente e fazer a diferença”
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Alessandro Vieira: "milhares de vítimas que se acumulam a cada ano"

[*] Alessandro Vieira

O assassinato da vereadora Marielle Franco, do PSOL do Rio de Janeiro, representa mais uma etapa triste na crescente tragédia nacional que é a violência urbana. São milhares de vítimas que se acumulam a cada ano.

São pais, filhos, amigos que ficam sem a presença de seus entes queridos e, em grande maioria, não recebem sequer uma resposta do poder público, que não consegue punir os autores e muito menos evitar a repetição dos crimes. É urgente mudar este cenário.

Mas o caso de Marielle apresenta uma característica que precisa ser destacada no mar de corpos violentados chamado Brasil. Os indicativos são de que ela foi executada em razão de sua atuação política. Esqueça os conceitos de política partidária, mais ainda as rotulagens ideológicas.

Marielle não foi executada por ser do PSOL ou por ter ideais “de esquerda”. Ela foi executada por ser diferente e fazer a diferença na sua comunidade. Ela foi executada por bandidos que desejam manter intacto o sistema podre de onde tiram seu lucro e espaço de poder.

É inadmissível que alguém pague com a vida por uma postura ativa diante dos problemas que atingem cada pedaço do Brasil, mas não podemos cair na armadilha da polarização partidária/ideológica.

No Brasil, precisamos encontrar os vários pontos de convergência que nos unem, como as demandas de saúde, educação e segurança. A única polarização útil para a democracia é entre quem cumpre e quem não cumpre a lei.

[*] É delegado da Polícia Civil de Sergipe e pré-candidato a senador pelo Rede.