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Aparte
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Jozailto Lima

É jornalista há 36 anos, tem formação pela Unit e é fundador do Portal JLPolítica. É poeta.

Opinião - O jogo bruto do poder
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[*] Almeida Lima

Depois de 35 anos, Sergipe vê chegar ao fim o ciclo de lideranças políticas iniciado em 1982, com a eleição de João Alves para o seu primeiro governo. Dois grupos se formaram: um, com João, Valadares e Albano; e o outro, com Jackson, Déda e depois Valadares.

No discurso, eram diferentes: conservadores e progressistas. Mas, no exercício do governo, foram todos iguais. Apenas tocadores de obras, pois até no item servidor público todos saíram desgastados, e por igual. Nenhum foi reformador nem fez um governo popular, pois mantiveram as mesmas estruturas de dominação política e o mesmo sistema de poder.

O Estado, enquanto instituição política, de governo, de centro do poder, de decisões de natureza pública, e que deve ser único, pois representa a todos, foi fragilizado e, aos poucos, desmantelado e substituído por setores específicos do poder econômico com práticas perniciosas, sem o caráter da res publica - da coisa pública - que sintetiza a razão da existência do próprio Estado.

Ou seja, hoje o Estado não existe como poder, apenas como um cabide de empregos para alguns apaniguados. Vejam a diferença: antes de João em 1983, o ciclo político foi o de Augusto Franco, José Rollemberg Leite, Paulo Barreto e Lourival Baptista.

O centro do poder, de governo, era político e não econômico, e se situava no Palácio Olímpio Campos. Daí a crise social, econômica e de lideranças políticas em que se vive 35 anos depois.

Preocupado com essa perversa realidade, e sem enxergar qualquer saída no atual quadro político que se apresenta para a sucessão municipal de Aracaju, donde se espera comece um novo ciclo político para Sergipe, diferenciado do anterior, entendi que deveria retornar e retornei às disputas eleitorais, colocando-me como opção para prefeito de Aracaju e, ao mesmo tempo, como não poderia deixar de ser, apresentei pontos de um Plano de Governo para ser cumprido caso eu seja eleito. Vejam alguns desses pontos.

1 - Discutir um Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano, pois, há mais de 20 anos, não é encaminhado à Câmara, por submissão ao poder econômico da área. Darei a Aracaju um plano representativo da vontade geral, com diretriz para uma cidade moderna, sem espaços estrangulados por incorporadoras que invadem ruas e avenidas, em prejuízo até da mobilidade urbana.

2 - Rescindir os contratos com as empresas que fazem a limpeza da cidade por terem valores exorbitantes, já que conseguirei realizar a limpeza por 40% do que é gasto, melhorando a qualidade e empregando mais trabalhadores.

3 - Abrir a caixa preta da planilha de custos que calcula a tarifa de ônibus que é a oitava mais cara entre as capitais do país, e farei isso com bons consultores e a participação da OAB, do Ministério Público, das entidades dos empregadores, dos trabalhadores e da sociedade, fazendo a licitação e revisando todo o sistema.

4 - Rescindir os contratos de serviços terceirizados que hoje privatizam a prefeitura, a partir da saúde do município.

Esses são alguns dos pontos de um programa de governo reformador que jamais foi executado, embora já tenha sido prometido, a exemplo da revogação do IPTU.

Farei porque tenho determinação, e esse é o meu ideal: realizar um governo popular - não confundir com populista -, diminuindo a angústia do povo e restabelecendo a sua esperança e a sua felicidade.

Mas nem tudo são flores. Eu sabia das dificuldades que iria enfrentar com um Plano de Governo mudancista, reformador. Sabia que teria de pagar um preço alto. Não tardou e o jogo bruto do poder agiu e abortou a minha candidatura pelo Partido Verde, forçando-me a procurar outro partido que possa incorporar esse programa.

Ao final, qual a mensagem que eu lhe trago aqui? Você que concorda com esse Programa de Governo e que deseja restaurar o poder público, retirando o poder de setores empresariais que massacram a vida do povo, adote-o como seu, fazendo de mim o instrumento político para a sua execução.

[*] É advogado, ex-deputado estadual, ex-prefeito de Aracaju ex-senador e ex-deputado federal.