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Aparte
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Jozailto Lima

É jornalista há 36 anos, tem formação pela Unit e é fundador do Portal JLPolítica. É poeta.

Opinião - O porquê do discurso tresloucado
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[*] Paulo Roberto Dantas Brandão 

O movimento criado por Jair Bolsonaro, que sustenta o seu Governo, tem dois pilares.  O primeiro é a eleição permanente de um inimigo, ou de inimigos, para deixar os seus apoiadores distraídos.

O segundo seria um sucesso na economia, escorado num movimento liberal, que daria um colchão de renda e emprego para sustentar a classe baixa e a classe média. 

Com isso, o presidente Bolsonaro esperava atravessar os quatro anos de governo e garantir mais quatro com a reeleição.

O coronavírus tem colocado tudo a perder. O vírus é um inimigo, mas não daqueles que você pode espancar verbalmente todos os dias nas redes sociais. 

Não é como o lulopetismo, como os esquerdistas de modo geral, como a imprensa, como o Congresso ou como os intelectuais, entre outros. 

E o pior: não dá para ficar elegendo outros novos inimigos, ou mesmo requentando os demais, enquanto o vírus é que está na mídia.

Aí o combate ao coronarismo vem corroer o outro pilar: um pretenso sucesso econômico. A economia já não decolava. Agora, com a quarentena geral, vem aí uma recessão braba. 

São empregos que vão embora; empresas que vão fechar; trabalhadores informais que não vão ter o que comer, e por aí vai. A conta ainda vai chegar, e certamente será pesada.

Por isso o discurso tresloucado do presidente. Por isso sua patente impaciência. Quem dá um tempo para pensar vai descobrir que aqui e ali há alguns exageros nas medidas de quarentena. 

É certo que a sintonia fina das medidas deve ser bem observada, e essas medidas não podem ultrapassar o necessário. Afinal, não se pode matar o boi para acabar com o carrapato - com todos os perdões pela metáfora ruim. 

Mas o desespero presidencial só faz prejudicar. Um “liberou geral” nessa altura pode colocar tudo a perder no combate à pandemia.

Há ainda perigos adicionais. 

O presidente desautoriza o ministro da Saúde, o Luiz Henrique Mandetta, que até agora tem se mostrado um dos poucos com algo na cabeça no ministério.

[*] É advogado e jornalista.