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Aparte
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Jozailto Lima

É jornalista com 35 anos de experiência profissional. Antes do Cinform, trabalhou nos jornais Feira Hoje, Tribuna da Bahia, Jornal da Bahia, TV Subaé e Jornal de Sergipe.

OPINIÃO - O PT morreu! Viva o PT
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[*] Silvio Santos

“Vamos acabar com essa raça”. A frase dita no início dos anos 2000 por um ex-senador de Santa Catarina, que ficou pelo caminho e sumiu da memória do povo sem conseguir ver realizada sua profecia, foi repetida com veemência nos últimos anos por porta-vozes do caos, por oportunistas, por intelectuais de Facebook, por inocentes úteis e até por muita gente boa e séria. 

Aliás, não foram poucos os que foram além da ameaça e vaticinaram o fim do PT. Na mídia, os Mervais se multiplicavam desde a “Grande Imprensa” (seja lá o que isso queira dizer), até os sites, blogs, “rádjas” e pequenos pasquins do mais profundo Brasil varonil que repetiam a frase encomendada: o PT acabou. 

O Poder Judiciário e seus apêndices entraram na santa missão. Inverteu a lógica. O PT era culpado até que ele próprio provasse o contrário, e nessa toada foi justo com alguns e injusto com muitos petistas. 

A classe política, principalmente a malta apodrecida, pensou que nessa onda de criminalizar o PT se salvaria de seus próprios pecados. E apostou alto.

Fizeram um grande acordo com os poderes da República com tudo. Colocaram o PT na cruz. Crucificaram e sacrificaram todos os petistas (os culpados e os inocentes) nas fogueiras da inquisição para servir de exemplo. 

Religiosos de todos os templos prostraram seus joelhos ao chão, juntaram as mãos e pediram aos céus o nosso fim.

Antigos aliados, aduladores em outros tempos, mudavam de calçada quando nos avistavam, nos olhavam de soslaio, e quando nos viam de costas, apunhalavam.

Nós resistimos. Nos recusamos a morrer. Enfrentamos tudo e todos com coragem, valentia, altivez e a cabeça erguida dos que lutam por causas.

Assim chegamos em 2018. Mostramos mais uma vez que somos sonhos. E sonhos não morrem. Sequer envelhecem, já dizia o poeta. 

Já havíamos dado mostras de nossa resistência nas eleições de 2016 em Aracaju, quando fomos buscar nas ruas, no corpo a corpo, na força do argumento e da credibilidade do nosso trabalho uma vitória que escapava pelos dedos. Muitos fingiram que não viram nosso papel naquela eleição.

Minimizaram nossa força. Relativizaram nosso esforço. Nós nos calamos. Ficamos quietos. Deixamos que o tempo fosse mais uma vez senhor da razão.

“Eis que chega a roda-viva... Roda mundo, roda-gigante, rodamoinho, roda pião, o tempo rodou num instante...” 

Já estamos nas eleições  de 2018. Encerra-se a primeira parte do jogo democrático. Parece que de nada adiantou o esforço de nos exterminar. O PT continua sendo protagonista da cena política brasileira. Tem sido assim desde sua fundação.

Querem continuar falando de anti-petismo? Leiam os números. Em pouco mais de 20 dias, colocamos o nosso candidato no segundo turno da eleição presidencial. Elegemos a maior bancada para a Câmara Federal e elegemos o maior número de governadores em primeiro turno.

Durante essa guerra santa, muitos soldados e generais, de ambos os lados, foram abatidos, mas a maior baixa, a vítima mais sentida, foi a política. E quando a política é ferida de morte, quem primeiro aparece é a barbárie. 

Começa hoje o segundo turno. Estamos diante de um momento histórico em nosso país. O mundo olha pra nós com os olhos arregalados. A tarefa que está colocada para todos que acreditam na liberdade e na democracia é a de derrotar o fascismo. A barbárie. Quis o destino que fosse o PT a chegar ao segundo turno.

Mas essa tarefa não é exclusiva do PT. Precisamos todos de uma trégua. Precisamos juntar o Brasil civilizado para derrotarmos o caos. A história nos ensina o caminho. Essa união do mundo civilizado já superou antagonismos ideológicos para salvar o nosso planeta do nazismo nos meados do século passado. 

Lá, juntaram-se conservadores, social-democratas, liberais, socialistas, democratas, comunistas... todos contra a selvageria e o barbarismo.

Por favor, não minimizemos o que está acontecendo no nosso país hoje. Não se trata de um mero PT x anti-PT. Não é um simples Fla x Flu. Trata-se de civilização x barbárie. 

Para a vitória da civilização, cabe pactos. Cabe reposicionamentos programáticos. Cabe principalmente esforço e grandeza de todos.

[*] É ex -vice-prefeito de Aracaju e coordenador da campanha Haddad/Manuela em Sergipe.