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Aparte
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Jozailto Lima

É jornalista há 36 anos, tem formação pela Unit e é fundador do Portal JLPolítica. É poeta.

Opinião - Política de Itabaiana: auge, reconstrução e declínio de figuras
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[*] Mateus Lima
 
O isolamento traz solidão, mas nele também surgem bons pensamentos e boas reflexões. Como todo bom itabaianense, povo que tem em seu DNA a disputa, seja partidária ou comercial, estou passando boa parte do tempo analisando o que vem ocorrendo nos últimos anos na política desse município serrano.

Como é de conhecimento dos mais antenados na política partidária sergipana, o presidente da Assembleia Legislativa de Sergipe, o deputado Luciano Bispo, MDB, no início da noite da última segunda-feira, 23, comprovou mais uma vez sua inocência em mais um processo, conseguindo só agora o registro definitivo da sua candidatura lá de 2018.

Esse é o desfecho de uma longa história acompanhada por simpatizantes e adversários do Luciano Bispo da Alese. Na manhã de terça, 24, o conceituado advogado Alexandro Argolo, um dos responsáveis pela área jurídica na esfera de Luciano, falou em uma emissora de rádio muito sobre as questões do processo recém-julgado. Trocando em miúdos, Luciano era acusado de irregularidades licitatórias de quando fora prefeito e foi inocentado, tendo seu registro de candidatura finalmente deferido.

Alguns pontos disso tudo me levaram à uma reflexão: sou jovem, estou iniciando minha fase adulta, conhecendo a história Itabaianense e, ao ouvir um outrora aliado de Luciano, o radialista e ex-vereador por quatro mandatos Francis de Andrade, hoje oposicionista, comparar a trajetória de Luciano à de Valmir de Francisquinho, PL, no início de seus mandatos como prefeito, respetivamente, passei a me questionar os prós e contras de ambos.

Relacionando a explicação do advogado Alexandro, o comparativo do radialista e os escritos da história recente, é tido como de conhecimento público que Luciano Bispo ao longo de seus quatro mandatos revolucionou nossa cidade, modernizou todas as áreas essenciais, fez uma gestão humana e, de tanto se colocar no lugar do próximo, ele errou.

Errou ao ter as contas da Prefeitura bloqueadas e consequentemente atrasar salários, manchando sua carreira e concedendo munições fortíssimas ao seus opositores ao longo dos anos para assim ser derrotado pela primeira vez em 2012. Surgiu ali um opositor de nome Valmir de Francisquinho, que iniciou a sua carreira na Prefeitura como qualquer político em primeiro mandato.

Valmir de Francisquinho quis mostrar serviço, sua popularidade avançou assustadoramente e, assim como Luciano, trouxe modernidade para a cidade em sua gestão, adquirindo uma usina de asfalto considerada um dos seus maiores feitos. De fato, reconheço que foi. No entanto, depois de uma vitória esmagadora em sua reeleição em 2016, Valmir esqueceu-se das qualidades que Luciano sempre manteve: humildade, senso de autocrítica e pés no chão.

Valmir de Francisquinho se sentiu imbatível e, de uma maneira desenfreada, segundo as investigações da Deotap, trouxe danos ao erário. Hoje, os processos e investigações por quais passam Valmir, que são de conhecimento público, somam mais de R$ 11 milhões em desvios. Estes ainda serão julgados, podendo ser comprovada posteriormente a sua inocência no caso ou não.

Mas Valmir foi preso e afastado do seu cargo. Hoje está prefeito ainda com medidas cautelares, afastado de amigos que estiveram ao seu lado no auge. Luciano se encontra, na avaliação deste que escreve, em processo de reconstrução. Conduz a Assembleia Legislativa com maestria e a maior prova disso é a sua aprovação pelos colegas, tendo sido eleito quatro vezes consecutivamente presidente. Enquanto isso, Valmir encontra-se em declínio, enfrentando problemas judiciais e internos em seu agrupamento inchado, com muitas opções mas também com muita discordância.

Em resumo: Valmir e Luciano tiveram muitos pontos em comum no auge. Mas, no declínio, Luciano soube se reinventar, buscando provar sua inocência em processos antes usados como argumento hoje extintos. Valmir precisa fazer o mesmo e comprovar sua inocência. Enquanto Luciano era acusado por irregularidades na comprar remédios em um processo com montante na casa de pouco mais de R$ 30 mil, Valmir é acusado por desviar mais de R$ 11 milhões. É nessa questão que os dois se diferenciam. Fica aqui a reflexão.

[*] É itabaianense e estudante de Comunicação Social - Publicidade e Propaganda - na Universidade Tiradentes.