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Aparte
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Jozailto Lima

É jornalista há 36 anos, tem formação pela Unit e é fundador do Portal JLPolítica. É poeta.

Opinião - R$ 810 milhões para a cidade e para os cidadãos
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 [*] Edvaldo Nogueira

O jornal Valor Econômico divulgou uma pesquisa que coloca Aracaju como a primeira capital nordestina e a quarta do país com maior índice de investimento público. Enquanto a maioria das capitais brasileiras reduz o investimento – três delas, inclusive, tiveram desinvestimento -, nós aumentamos em 87%, num comparativo com o primeiro semestre de 2019 e igual período de 2015.

Como quase tudo na vida, não se trata de obra do acaso, coincidências. Costumo dizer que, embora a inspiração seja fundamental à criatividade, nossas conquistas devem-se basicamente a um exercício de transpiração. Trabalho e planejamento. No caso da Prefeitura de Aracaju, o Planejamento Estratégico que começou em março de 2017 e, como um processo contínuo e ininterrupto, segue oferecendo os caminhos e as soluções para a gestão da cidade, conforme análises técnicas e decisão política para as prioridades sociais.

Fiquei feliz com essa constatação do insuspeito Valor Econômico (e é a segunda pesquisa do jornal que nos coloca como maiores investidores no setor público no país), pois atesta uma capacidade de resiliência de nossa brava Aracaju para enfrentar e sobreviver às crises e às dificuldades. Prova também, inconteste, da qualidade dos projetos que ousamos formatar e por em andamento.

Não quero ser repetitivo sobre a situação em que encontrei a prefeitura e a qualidade dos serviços prestados à população, além da dívida quase bilionária, mas sou obrigado, por dever de prestação de contas do meu trabalho, a dizer que desde o primeiro dia trabalhamos intensamente para resolver a crise e fazer avançar. Para isso, cortei despesas e economizei de forma drástica – também não serei repetitivo em relação a isto – reduzi consideravelmente o número de cargos comissionados e renegociei dívidas. Isto, sem suspender ou diminuir a qualidade dos serviços, pela simples razão de que o “xis” do problema, na verdade, tem muito a ver com gestão.

Foi baseado nesta convicção que fui atrás de soluções alternativas, ou fora do orçamento oficial da prefeitura, para viabilizar investimentos na cidade. O resultado é este que o Valor aponta, que, em reais, hoje significa um montante de 510 milhões para serem usados em serviços e obras na nossa capital. Isso, acrescido dos 300 milhões aprovados esta semana pelo Senado Federal, graças à colaboração prestimosa de nossa bancada ali, nos permite totalizar o significativo montante de 810 milhões para investimentos em nossa capital, patamar nunca alcançado antes por Aracaju.

Em meio a todo esforço para chegar a essa conquista, no entanto, enfrento uma furiosa investida de opositores, às vezes até mesmo do fogo amigo, cobrando definições ideológicas, me enquadrando pela filiação partidária ou posições políticas que sempre sustentei. Sergipe inteiro me conhece desde os tempos de movimento estudantil, alinhado com as mesmas forças a que me mantenho fiel até hoje, o quadrante de esquerda e centro-esquerda que caminhou desde aquela época, das lutas universitárias até o desafio de governar Aracaju e o Estado de Sergipe.

Sigo fiel às minhas ideias e aos meus princípios, mas me permito fazer uma leitura minuciosa de uma atitude que, sem contradizer princípios e aliados, mira primeiramente nos quase 700 mil habitantes de Aracaju que me elegeram para cuidar de sua cidade, com a responsabilidade de trabalhar para todos, indistintamente.

O campo das ideias, tão fértil quanto necessário, é fundamental à vitalidade da democracia, apresentando ao eleitorado o projeto político com o qual nos referenciamos na vida, mas também propondo as soluções disponíveis na hora do voto. Uma vez eleitos, os representantes do povo têm a obrigação do desprendimento, de situarem-se acima das questões paroquiais para se colocarem como verdadeiros líderes.

Se tivesse me guiado pelo calor das refregas político-partidárias, seguramente encontraria portas fechadas na missão de correr gabinetes em busca de apoio à população da cidade que me elegeu. Ao contrário disso, em todos os ambientes das esferas de poder no Brasil, tenho vestido só, e tão somente, o figurino dos cidadãos de Aracaju. Num momento de tanta divergência, de tanta turbulência, onde a própria esquerda é chamada a repensar sua práxis, seu programa e sua relação com a população, é fundamental fazermos do republicanismo não uma citação retórica, mas uma ação efetiva e verdadeira, que se materializa na verdade e na consequência dos atos. 

Jamais me preocupei com patrulhas ideológicas à direita ou à esquerda, muitas delas desejosas, justamente, do naufrágio dos governos eleitos, na vã esperança de que seu fracasso os beneficie, de forma direta ou indireta. Agora mesmo, quando vimos um resultado desfavorável a um governador eleito com mais de 300 mil votos sobre o opositor, assistimos incrédulos aos atos, pensamentos e palavras dos velhos derrotados – muitos deles travestidos de novos – se ensaiando em movimentos golpistas, apostando na mesquinhez dos tapetões para, dessa forma, conspurcar a democracia e chegar ao poder sem o valor mais sagrado da democracia: o voto.

Por isso, derivei sempre de discussões estéreis, debates de desocupados sem propósitos, compromissos e missão em favor da população, para efetivamente construir resultados que mudam objetivamente o retrato da realidade. Os 810 milhões de reais que busquei junto a organismos e aliados locais, nacionais e internacionais para viabilizarmos a mínima garantia de futuro para nossa querida Aracaju são a prova material de que, em vez de falar, falar e falar, prefiro a verdade do fazer. É o que o Valor Econômico, tão longe de nós, conseguiu enxergar.

 [*] É prefeito de Aracaju.