Aparte
OPINIÃO – A propósito deste momento: Não há perdas. Há lições!
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[*] João Cardoso Capelão Neto

Na maioria das vezes, não entendemos que ganhar ou perder não é o objetivo das batalhas que travamos ao longo da vida. Ganhar ou perder são contingências da luta. O que nos engrandece verdadeiramente é a própria luta.

Embora a luta seja um meio e não um fim em si mesma, é na luta que nós conjugamos propósitos e ideais. É a luta que nos irmana em bandeiras, nos identifica e nos une. O essencial da jornada não é o destino, mas a própria caminhada.

É na luta, na caminhada, que nos revelamos, nos construímos e nos fortalecemos. Conquistar uma vitória ou chegar a um destino são resultados contingenciais que precisamos ter a sabedoria de compreendê-los como lições.

Às vezes, ao longo da caminhada, há companheiros que nos deixam, assim como há outros que chegam às nossas fileiras. Entender as partidas e as chegadas, as separações e as uniões, é o que nos consolida individual e coletivamente. A partida e a chegada não são perdas ou ganhos, mas fases de uma mesma semeadura.

Há os que tombam em pleno caminho. Há os que são arrebatados a planos superiores, porque outras lutas reivindicam suas presenças. Não há desfalques nem ausências, posto que sementes nos foram legadas, com a eloquência imorredoura do exemplo.

Assim é o curso da nossa jornada, no ciclo incessante da vida... ora sementes, ora árvores, ora folhas, flores e frutos. Por que nos determos em prantos e lamentos?

O que foi, o que é e o que será, são fases de uma mesma caminhada que só poderemos amealhar como elementos imprescindíveis à nossa evolução, na medida em que soubermos vivê-las com maturidade e desprendimento.

As pegadas que deixamos atrás de nós não são meros rastros, mas registros de nossas vivências, experiências com que forjamos a nossa personalidade, o nosso caráter, tijolos adicionados ao edifício de nossas existências.

O que fomos, o que somos e o que seremos, são partes indissociáveis do nosso eu. Não somos tão somente o que somos ou temos, mas, sobretudo, o que almejamos ser e ter. A cada passo que damos nesta caminhada, deixamos o ontem para trás e jamais seremos os mesmos que fomos ontem.

São as lições que amealhamos na caminhada e nas lutas a matéria de que somos compostos. Tombar, levantar e seguir adiante faz parte da jornada e das lutas. Intimidar-se com as quedas e tombos, é renunciar à luta, à caminhada, à própria vida, porque a nossa existência é tecida com a topografia dos nossos altos e baixos.

Ontem, juntos, nós semeamos sonhos, ideais de bem aventurança, de amor, de solidariedade. E se as intempéries que se abateram sobre a nossa seara, sobre a nossa luta, impossibilitaram a nossa colheita, precisamos lembrar que tais intempéries são contingências a que estão sujeitas todas as semeaduras. Precisamos entendê-las como lições imprescindíveis para que no futuro possamos ser mais vigilantes e mais eficazes.

Cumpre a cada um de nós seguir na semeadura, livrando a nossa seara das ervas daninhas, mas conjugando a nossa união, a nossa força para podermos conquistar a colheita almejada. Há apenas e tão somente uma condição: a nossa bandeira sempre será a do amor, da caridade que nos fazem irmãos da tolerância, do respeito às diferenças... enfim, da democracia que nos permite o exercício salutar da liberdade para divergir e, de forma madura e responsável, construir consensos que oportunizem a todos o acesso a direitos e oportunidades iguais.

Não há razão para revoltas, desamor, rancores. Estes são fardos pesados e que nos atrasam a todos. Lutamos e continuaremos lutando o bom combate. Não podemos e não seremos um grão abortado. Um dia seremos árvore, folhas, flores e frutos... e depois sementes. E assim seguiremos em nossa evolução.

Um abraço fraternal a todos com os quais eu tive, tenho e terei o honroso privilégio de estar ao lado, nas trincheiras da luta. Saudações a quem tem coragem.

[*] É jornalista, assessor sindical e cidadão sergipano brasileiro.