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Jozailto Lima

É jornalista com 35 anos de experiência profissional. Antes do Cinform, trabalhou nos jornais Feira Hoje, Tribuna da Bahia, Jornal da Bahia, TV Subaé e Jornal de Sergipe.

Possíveis razões para a queda na rejeição de André Moura
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André Moura: repisando outros caminhos

Liderar a bancada no Congresso Nacional do Governo de Michel Temer, um dos políticos mais odiados na história recente do Brasil, somente isso, aliado ao próprio passivo jurídico e às diatribes dos adversários, justificaria a incrível rejeição do deputado federal André Moura, PSC, até bem pouco tempo? 

O que dizer, então, da queda vertiginosa dessa mesma rejeição em recentes pesquisas divulgadas por um semanário em PDF e em sites diversos na internet a partir de um crível instituto de pesquisa? André Moura continua líder e defensor dos interesses do Governo Federal. Tem-se exposto em votações pouco afeitas a agradar o eleitor. 

No entanto, após ter a imagem usada como contraponto negativo à candidatura de Valadares Filho na eleição de 2016 e amargar um período com altíssima rejeição (acima dos 15%), surge agora como candidato competitivo ao Senado, rejeitado por (vale dizer apenas) 5,1% e 4,5%, respectivamente, em duas pesquisas diferentes publicadas na segunda-feira, 7.

De maneira geral, a vida não anda muito fácil para os políticos. O eleitor os rejeita a todos, sejam de esquerda ou de direita. O caso do ex-presidente Lula é sintomático, por envolver apenas os militantes organizados, convocados pelo PT a comparecer às manifestações. 

André Moura não tem militância, não atrai multidões por onde passa e menos ainda tem pinta de pop star da política, como ocorre com o presidenciável Jair Bolsonaro. Que efeitos lhe afetariam, então?

A literatura científica sobre eleições e sobre a cabeça do eleitor, amplamente observada em vários pleitos e também ultimamente pelo neuromarketing associado à neurociência, ajuda a decifrar esse suposto enigma. 

O eleitor primeiro rejeita; com o tempo, observando os movimentos do político, deixa aos poucos de rejeitar, mas ainda não o aceita, ao ponto de sacramentá-lo com o voto. O passo seguinte é a aceitação, mas ainda sem o voto. Por fim, vota consciente de que o escolhido atende aos seus interesses.

André Moura -dizem essas pesquisas - tem conseguido reverter a rejeição e já trabalha a aceitação em busca do voto, mesmo diante de uma saraivada de críticas dos adversários, sobremodo do senador Antônio Carlos Valadares, e de uma conjuntura jurídica desfavorável - recentemente, a PGR pediu sua condenação pelos crimes de formação de quadrilha e desvio de dinheiro público. 

Sem dúvida, há aqui - em seu socorro - a confluência de liberação de verbas como jamais vista em Sergipe, uma agenda amazônica de compromissos e que deixa a concorrência a comer poeira, uma comunicação social eficiente e uma vontade muito íntima e forte de vir a ser o que peste for que seja grande.

Outro ponto a ser analisado é a reação de André Moura ante as críticas: quem esperava dele um confronto aberto e direto contra os desafetos, encontrou um pré-candidato tranquilo, indisposto a brigas e voltado tão somente a martelar e repisar que Sergipe saiu ganhando com a presença dele como líder e que, com coragem, assumiu o risco de defender bandeiras que, ao fim e ao cabo, estão ajudando a tirar o Brasil da crise – segundo a visão de alguns otimistas compulsivos. 

Será que o eleitor detesta bate-boca e quer dos políticos resultados positivos? Se sim, André Moura se encaixou bem neste sentido. Terá ele sucesso eleitoral, vindo a se eleger senador em outubro? Aí são outras abóboras em busca de uma carruagem na qual possa se acomodar. 

Portanto, a pergunta está longe de poder ser respondida, especialmente porque muita água ainda vai rolar e a campanha que se iniciará em agosto se avizinha como tempestade tsunâmica, daquelas de varrer corações e mentes. Entretanto, uma coisa é certa: se antes esse tal André Moura não estava na agenda de preocupações da concorrência, hoje é um nobre alvo. E isso será testado na eleição.