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Aparte
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Jozailto Lima

É jornalista há 37 anos, tem formação pela Unit e é fundador do Portal JLPolítica. É poeta.

Projeto de Marco Pinheiro está na contramão da relação entre Laércio e Edvaldo
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Marco Pinheiro: à disposição do PP pra pré-candidato a prefeito de Aracaju

Para muitos observadores da cena política de Sergipe, o deputado federal Laércio Oliveira, liderança mantedora do Partido Progressista no Estado, teria dado uma congelada drástica nas intenções políticas pessoais do empresário Marco Pinheiro, do Grupo Pinheiro Vigilância, ao dizer aqui neste espaço no último dia 4 que o “vice pra Edvaldo precisa ter caráter, conduta e serviço prestado” - leia a nota na íntegra aqui neste link .

É claro que afirmações de lideranças políticas sempre geram interpretações variadas. E no caso das de Laércio, os desafetos de Marco Pinheiro - e ele tem muita gente assim na área em que atua como presidente da Acese - carregaram nas tintas. Viram um duro pisão de pé dele.

Para esses alarmistas, o grande ovo da serpente na fala de Laércio chocou aqui neste trecho - “Nós temos vários nomes assim, mas prefiro não apontar nenhum. Temos uns seis, todos qualificados - sem desmerecer os do PSD, que é partido aliadíssimo no projeto e com quem vamos trabalhar juntos. Nós vamos aguardar pra ver”.

Mas Laércio está certo nisso. Não excedeu em nada e não deixou indícios de que estivesse mandando recado a nenhum aliado. Aliás, foi até de uma obviedade quase ululante. Se ele está no contexto de uma aliança com mais meia dúzia de partidos disputando a vaga do futuro candidato a vice-prefeito numa eventual chapa de Edvaldo Nogueira, não é hora de empunhar nomes.

Ao contrário disso, Laércio preferiu dourar qualidades exigidas para o pretendente - algo oportuno num momento em que se fala tanto na necessidade de mérito para quem quer vir à vida pública. E novamente, não dá sinais de que estivesse excluindo ninguém.

“A nossa prerrogativa é a de entrar com um nome de qualidade. Que seja alguém que tenha caráter, postura, trânsito, conduta, comportamento e serviço prestado. Que tenha condição de impulsionar o processo eleitoral. Que ajude o prefeito Edvaldo Nogueira na reeleição dele e que depois lhe dê suporte na gestão da cidade”, delimitou Laércio.

Onde há erro nisso? Qual a referência expressamente excludente a Marco Pinheiro? Mas parece que nem o próprio Marco viu assim, e se mexeu no tabuleiro como quem tivesse mordido a mesma isca dos observadores da cena política de Sergipe. E revelando planos e projetos diferentes dos de Laércio.

Algo parece mostrar que se tem alguém lendo errado é o próprio Marco Pinheiro - a não ser que Laércio esteja fazendo jogo duplo. Pois enquanto Laércio faz toda a corte de um apoiamento à pré-candidatura de Edvaldo à reeleição, Marco deixou a Acese com um projeto, em princípio, confuso de candidatura. Não se sabia se era a vereador de Aracaju ou para ser um desses nomes a vice que o Progressista intenta.

Depois da nota com Laércio, Marco saiu com uma própria em suas mídias sociais, na qual se declara um concorrente ao mesmo posto de Edvaldo. “A minha pré-candidatura tem sido construída com total conhecimento do meu partido e seus membros, sendo de conhecimento dos mesmos toda a movimentação que tenho feito, bem como os diálogos estabelecidos por mim em nome do partido, em prol de um projeto voltado à retomada do desenvolvimento humano de toda a capital”, disse ele no começo desta semana.

A fala de Marco está 100% na contramão do que anuncia Laércio. “O meu desejo, o do meu partido e de meus amigos é o de participar da chapa majoritária com a indicação do candidato a vice-prefeito de Edvaldo Nogueira. Mas isso não é uma decisão tipo assim: “se não nos der a Vice-Prefeitura, estaremos fora”. Não será assim. Se fosse assim não seria política, porque não haveria civilidade aí”, disse Laércio na nota do dia 4.

Nesta quarta, 8, vendo Edvaldo Nogueira nas cordas do ringue dos políticos-policiais nessa pirotecnia do Hospital de Campanha, o que fez Laércio Oliveira? O visitou e hipotecou solidariedade ao prefeito.

“Como aliado, vim trazer o meu apoio”, disse o deputado, ressaltando que confia “no trabalho desenvolvido por Edvaldo na Prefeitura de Aracaju”. “É um trabalho que tem transformado a cidade. Edvaldo tem se mantido firme na condução da cidade, neste momento difícil para a humanidade”, reiterou.

Será que quando Marco Pinheiro levanta mais alto a voz está falando sozinho? E há, ainda, um insuportável triunfalismo no pensamento dele, à medida em que se coloca quase que como a única pessoa no contexto político da capital a pensar o bem-estar desenvolvimentista de Aracaju.

“Tenho defendido publicamente a candidatura própria do Partido Progressista, bem como temos realizado uma construção que tem crescido e recebido apoio de diversos setores sociais que acreditam em nossas ideias e reconhecem a necessidade de um olhar voltado ao desenvolvimento de Aracaju, diante do cenário que está por vir”, diz. 

E emenda: “Acredito na ideia de que o nosso projeto, com um olhar voltado para o desenvolvimento humano e econômico de Aracaju, terá muito apoio e adesão. E coloco o meu nome à disposição do nosso partido e também à disposição dos aracajuanos em prol desse projeto”. 

“Mas essa será uma construção coletiva. Não faço a “política do eu sozinho”. Vamos continuar conversando e ouvindo todos, buscando dar musculatura a essa nossa ideia. Isso envolve o diálogo direto com Laércio Oliveira e todas as lideranças do PP. Seguirei trabalhando, com toda humildade e determinação em prol daquilo que acredito”, diz ele num texto mandato a esta Coluna Aparte. Parece haver um ruído sério nesta conversa.

Um ruído que se complementa no fato de ser Marco um bolsonarista daqueles roxos e afetados, Laércio não estar mais evangelicamente muito católico diante das ideias intolerantes do presidente e de Edvaldo Nogueira - que tem o apoio do PP daqui - ser radicalmente contrário aos cânones do bolsonarismo.