YoutubeFacebookTwitterInstagram
Aparte
Author bc92de88786c313d
Jozailto Lima

É jornalista há 36 anos, tem formação pela Unit e é fundador do Portal JLPolítica. É poeta.

PT de Sergipe contraria resolução nacional do partido e prejudica luta contra extrema-direita
CompartilharWhatsapp internalFacebook internalTwitter internal
Bdd594954288939d

Edvaldo: segundo PT Nacional, ida ao PDT não o desabilita como parceiro

Vai ficando cada dia mais claro que houve precipitação do PT ao romper com o prefeito Edvaldo Nogueira. Além de ter provocado desconforto desnecessário debaixo do guarda-chuva político liderado pelo governador Belivaldo Chagas, a atitude dos petistas ao lançar uma pré-candidatura de Márcio Macedo a prefeito de Aracaju vai na contramão do que propõe a Executiva Nacional do PT.

Reunido no último fim de semana, o PT Nacional aprovou uma resolução que coloca o PDT como um dos partidos preferenciais para alianças nas eleições deste ano, sem que necessariamente seja o PT o cabeça da chapa. Para o mais desavisado, o PDT é a futura casa de Edvaldo Nogueira (ele se filiará ao partido no dia 10 de março) e tem como seu nome principal nacional o ex-ministro Ciro Gomes. O presidente da sigla, Carlos Lupi, ex-ministro de Dilma, esteve, inclusive, presente na festa de 40 anos do PT.

Ou seja, o suposto desconforto de lideranças do PT por causa do ingresso de Edvaldo no PDT não encontra eco entre petistas da Direção Nacional, nem em Lula, mesmo sendo ele alvo de críticas recentes e reiteradas de Ciro. Diferentemente do PT local, o partido no âmbito nacional não está perdendo tempo com picuinhas, mas focado no enfrentamento ao governo de Jair Bolsonaro e seus aliados.

Nem mesmo o PSDB e o DEM foram descartados em eventuais alianças pelo PT. A presidente nacional do partido, Gleisi Hoffmann, admitiu a possibilidade de aliança com partidos fora do campo da esquerda. “Às vezes pode acontecer. Aí nós vamos ter que decidir sobre isso caso a caso, como já decidimos nas outras vezes”, disse ela à imprensa.

Em sua resolução, o PT Nacional declarou que a constituição de uma frente democrática popular “é compatível e complementar à formação de alianças táticas com setores sociais e políticos que tenham contradições reais com determinadas políticas do governo Bolsonaro”, algo que está em consonância com o pensamento de Lula. Aqui fica claro que o mais importante para o PT Nacional é impedir a ascensão de políticos de extrema-direita - algo que sempre foi bandeira de Edvaldo Nogueira e sobre o que ele tem muito debatido atualmente, buscando ampliar o leque dos setores mais progressistas.

E neste ponto há mais uma contradição clara com o PT local, porque a iniciativa do partido de romper com Edvaldo prejudicaria uma aliança histórica iniciada por Déda e mantida há mais de duas décadas com êxito – embora não se possa suprir o desejo do PT em ser ele mesmo o protagonista de si mesmo. E isto se torna ainda mais grave num momento em que as forças progressistas enfrentam o desafio de lidar com o avanço da extrema-direita no país.

Resta saber agora a que orientação o PT de Rogério Carvalho, Eliane Aquino, Márcio Macedo e João Daniel dará ouvidos e que prioridade dará ao projeto maior de fortalecimento do campo progressista no país de que falam o Lula e Edvaldo. A eleição de 2020 pode ser o início da virada contra a extrema-direita, mas para isto é preciso que iniciativas individuais não sejam priorizadas.