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Aparte
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Jozailto Lima

É jornalista há 36 anos, tem formação pela Unit e é fundador do Portal JLPolítica. É poeta.

Que ninguém subestime o PT na disputa pela Câmara Federal deste ano
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Márcio Macedo: a briga é com João Daniel

Pode estar ocorrendo uma previsão errada entre os que levantam a possibilidade de o PT não eleger um deputado federal nas eleições deste ano em Sergipe se não souber se encaixar bem processo sucessório.

E pode porque o histórico desse partido, em 20 anos e durante seis eleições, nega esta possibilidade. De 1994, quando ele inaugura a fase de parlamentares federais por Sergipe com Marcelo Déda, até em 2014, nunca mais estancou a chance de representação federal.

Dali até a última eleição, o PT elegeu sete federais, dando-se ao luxo de mandar numa só destas eleições, a de 2010, dois ao mesmo tempo, nas figuras de Rogério Carvalho e de Márcio Macedo. Para uma bancada de oito, é muito.

Claro que entre 1994 e 2010, o PT teve uma ascensão surpreendente, ganhando duas vezes a Prefeitura de Aracaju e duas vezes o Governo do Estado com Déda e ainda carimbou um senador, lá em 1994, com José Eduardo Dutra.

Nesses 20 anos, além dos dois mandatos federais de Déda (1994 e 1998), das duas Prefeituras (2000 e 2004), dos dois Governos (2006 e 2010), do de senador de Dutra, houve um mandato de federal com João Fontes em 2002, um de Iran Barbosa em 2006, dois em 2010, com as figuras de Rogério Carvalho e Márcio Macedo, e o de João Daniel em 2014, que está valendo até hoje.

Nesses 20 anos, houve alguns casos de excelência a mais em nome do PT e de seus petistas. O primeiro: os 82.565 votos, ou 13,92% dos válidos, de Marcelo Déda na reeleição de federal de 1998. As quatro eleições de Executivo do próprio Déda, todas elas em primeiro turno, e os 116.417 votos, ou 11,31% dos válidos, de Rogério Carvalho em 2010. Ao lado de Augusto Franco em 1982, com 101 mil votos, e de Eduardo Amorim em 2006, com 115.446, eles se situam como o quarteto mais aclamado pelos sergipanos no envio a Brasília.

Tudo isso compõe um patrimônio imemorial do PT em território sergipano. Mas depois disso ele se apequenou. Apequenou-se pelo trágico das mortes precoces de Déda e Dutra, mas muito mais com a morte do sonho e da ética, ao converter-se, no aspecto moral, num PDS. Num Arenão. Num partido patrimonialista, larápio e de zelo zero - isso puxado pelo plano nacional.

Mas e por que pode estar ocorrendo uma previsão errada entre os que levantam a possibilidade de o PT não eleger um deputado federal nas eleições deste ano? Porque, ainda que arranhado, o PT mantém uma certa chama em Sergipe. Claro que não na mesma intensidade de quando foi poder por aqui entre 2001 e 2013.

Mas muito pode lhe acontecer até outubro. No partido, há como que líquida e certa a ausência de Lula das eleições. E disso daí, vem o que? Não sabe ao certo. Sabe-se que os petistas conjecturam até candidatura própria e isolada, na intenção de salvar Rogério Carvalho para o Senado - ele teve 416.988 votos, perdendo por 31.114 para Maria do Carmo em 2014 - ou uma chapinha na proporcional, na qual possa pular de dois para quatro deputados estaduais, e de um para dois federais.

Seja lá o que for, sem um federal o PT não deve ficar. E aí a briga será entre João Daniel e Márcio Macedo. Rogério já deu declaração pública de que só se interessa pela disputa do mandato de senador. Se Jackson Barreto não disputasse, o futuro dele seria bem melhor.