Aparte
Opinião - Dez razões para REFUTAR Jair Bolsonaro
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[*] Nino Karvan

Existem milhares de razões para qualquer cidadão que tenha o mínimo de amor ao Brasil não votar em Jair Bolsonaro, em nenhuma circunstância. Mas vou ater-me a apenas dez delas, para atender estritamente à pauta deste portal que me pede um texto com “Dez razões para refutar Jair Bolsonaro”.

Em primeiro lugar, eu não votaria em Bolsonaro por ele ser um militarista, herdeiro de uma tradição militar afeita a golpes, desde a proclamação da República. Em 1964, os generais se venderam aos interesses americanos, deram o golpe e instalaram uma sangrenta ditadura. Bolsonaro é filhote disso. Ele exalta torturadores e os feitos econômicos do regime que endividaram perigosamente este país.

Em segundo lugar, ele é um misógino assumido. É um apologista do estupro. Foi condenado na justiça por isso! Em um país onde milhares de brasileiras são mortas ou violentadas anualmente, não dá para votar em um candidato eu xinga mulheres, menospreza seus direitos e saúda a memória de monstros como Brilhante Ustra, que violentava suas vítimas mulheres, enfiando ratos em suas genitálias.

Em terceiro lugar, ele é homofóbico, e o seu discurso de ódio e intolerância estimula a violência contra homossexuais. Nesse aspecto, suas declarações são de que espancando-se crianças elas não “virariam” gays, ou se “corrigiriam”. Segundo ele, baseado em teoria alguma, apenas no achismo preconceituoso, por exemplo, filhos de casais gays se tornariam também gays.

Em quarto lugar, ele é racista e xenófobo. Em recente discurso no Clube Hebraico, no Rio de Janeiro, disse que não respeitaria terras de índios e quilombolas e se referiu aos “negros gordos” tomando como referencial de medida de peso, a mesma utilizada para animais de rebanho. Ou seja, a arroba. Ele é contra a entrada de imigrantes de origem mulçumana, como se apenas a sua religião fosse um atestado de terrorismo.

Em quinto lugar, não votaria nele pela sua incompetência na área política, pois em 26 anos de mandatos, graças a Deus, diga-se de passagem, aprovou apenas dois projetos. O discurso de Bolsonaro é completamente desarticulado e caótico, conquistando as massas por palavras de efeito e pelo gestual agressivos e não pelo conteúdo. Um típico protótipo do nazifascista.

Em sexto lugar, a sua incapacidade de, sequer, formular um pensamento que possa servir como norte para qualquer assunto relacionado a economia me faz ter motivo suficiente para jamais votar nele. O presidente não precisa ser um expert em economia, mas precisa entender da área, sim! Como vai comandar um país gigante e cheio de nuances como o Brasil, sem conhecer seu potencial e como fazer para potencializar a sua capacidade de gerar e distribuir riqueza?

Em sétimo lugar, não voto em políticos do PSC e de nenhum partido que tem na orientação religiosa a fundamentação de sua ação política. A política é o campo da filosofia, da economia, da sociologia, da educação. Não há explicação para o debate religioso no espaço político de um país de Estado laico. Religião, debate-se na família, nos templos e não nos espaços da gestão do bem comum, onde a conta é paga pelo dinheiro de todos, inclusive dos ateus.

Em oitavo lugar, não voto em extremistas, sejam de esquerda, sejam de direita. Nesse caso, o cara é de extrema direita e esta, historicamente, alinha-se com o nazismo e com o fascismo. Ele mesmo já disse ser favorável à tortura e ao assassinato de comunistas, trabalhadores sem-terra e todos que atentem contra o que ele considera o ideal de sociedade. É só fazer uma busca na internet e se encontra a famosa entrevista dos anos 80, onde ele defende a tortura e a morte de inimigos políticos.

Em nono lugar, como eu poderia votar em um candidato que é contra uma das maiores conquistas da humanidade na idade moderna, e que norteiam as ações das Nações Unidas, que são as garantias da inviolabilidade dos direitos da pessoa humana? Como posso votar em quem arrota hipocrisia, dizendo que “bandido bom é bandido morto”, mas é aliado de bandidos de terno, parlamentares traficantes?

Em décimo lugar, e não menos importante, não voto em corrupto. Ele, por exemplo, recebeu dinheiro sujo na JBS e, ao invés de devolver o dinheiro aos corruptos e denunciar a falcatrua, lavou o dinheiro, entregando ao partido e solicitando que a grana fosse depositada, pelo partido, em sua conta. Ou seja: não importa a origem, contanto que a aparência seja limpa. Típico de hipócritas. Por tudo isso e muito mais, eu jamais votaria, em qualquer circunstância, em Jair Bolsonaro.

[*] É músico e comunicador.