Aparte
Clovis e o faça o que mando, mas não faça o que eu faço
0078ce2f47e90150

Clóvis Barbosa: quem vai puni-lo?

A reação à notícia de que “Num ato não-republicano, Clovis paga R$ 22 mil de cachê a Agnaldo Timóteo para show privê no TCE”, foi enorme durante parte do dia de ontem nesta coluna, neste portal.

Por um longo período, este foi o conteúdo mais acessado - chegando a mais que dobrar a matéria de segunda colocação. Na conceituação emitida pelos leitores, que o fizeram pelo whatsapp, o gesto de Clovis Barbosa não recebeu um só elogio. Uma só relativização. Uma só tolerância.

Ao contrário: o sentimento foi expressa e unanimemente de protesto. Alguns, de repúdio ao fato de Clóvis Barbosa ter contratado o cantor Agnaldo Timóteo por R$ 22 mil para tocar numa festa de aposentadoria de 30 servidores que deixaram compulsoriamente o TCE.

Nem a nota que sua Diretoria de Comunicação emitiu após esta coluna postar o texto pareceu a mais adequada. Um trecho dela: “E onde está o não-republicanismo de se contratar um artista para animar uma homenagem a servidores, se o TCE tem feito isso com frequência, já que apoiador de diversas manifestações culturais, e se faz o dever de casa que lhe permitem as condições necessárias para isso?”.

Uma coisa é levar artistas plásticos, músicos e escritores locais para eventos, lançar seus livros, discos, expor suas pinturas, em fomento à cena local. Outra é o que fizera Clovis com Agnaldo.

De modo que esta coluna, respeitosamente, mantém o espírito do que foi publicado ao meio dia de hoje. E relembra aqui um trecho: “o que está em jogo é a licenciosidade de um presidente de Tribunal de Contas para decidir fora da caixa, fora do eixo do seu itinerário. Apesar de todo o seu histórico de um homem decente e ético, o que Clovis Barbosa fez neste caso em particular não foi republicano”.

E não foi mesmo. Ao agir assim, o velho e bom Clóvis pôs em prática, num lugar em que não poderia jamais, a máxima nada pertinente do faça o que eu mando, e não faça o que eu faço. Quem vai puni-lo?