Aparte
OPINIÃO - Belivaldo Chagas chegou e resolveu
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[*] Carlos Cauê

Foi uma campanha bonita. Muito bonita. E o resultado não deixou dúvidas sobre isso. Já no primeiro turno, a diferença gigantesca de votos entre Belivaldo Chagas e o segundo colocado, Valadares Filho, mostrou a superioridade do candidato e, convenhamos, da comunicação e marketing postos em andamento durante a disputa. 

O segundo turno foi consagrador. Os mais de 300 mil votos de diferença mostraram o acerto de um posicionamento definido meses atrás - chegou pra resolver - com potencial para seguir evoluindo durante toda a campanha, sobretudo até materializar-se, no segundo turno, num amplo espectro de derivações que permitiram abordar os desafios da candidatura naquele momento, e as inúmeras qualidades do candidato em disputa: chegou pra construir, pra proteger, pra cuidar, dialogar, pra conectar, desenvolver, amparar... Chegou e resolveu.

Muitos não entenderam a força, não do slogan, porque nunca se tratou de um mero slogan de campanha, mas de um posicionamento estratégico para o candidato na disputa; houve mesmo quem dissesse que ele era uma piada. Não era. E a vida mostrou isso.

Precisávamos demonstrar que, mesmo sendo vice-governador, Belivaldo não era responsável pela má avaliação que o governo de Jackson vinha recebendo, que ele tinha jeito próprio de fazer as coisas, de administrar, e desde cedo compreendemos que vivíamos uma eleição atípica, com ingredientes novos na cabeça do eleitor, onde a autenticidade do candidato seria decisiva para despertar a confiança e o voto. 

E Belivaldo era o melhor exemplo de tudo disso. Assim que assumiu o governo, mostrou sua face e começou a ganhar as pessoas por suas qualidades pessoais, sua sinceridade, e seu modo prático de resolver as coisas. O que o marketing fez foi revelar isso e, claro, potencializar. Sergipe começava a conhecer um novo líder.

Mas não só de acerto de estratégia vive uma campanha vencedora. O erro do adversário é também peça relevante nessa equação. E o que vimos, sobretudo no segundo turno, foi um carnaval de falhas grosseiras da campanha de Valadares Filho. Aliás, falhas só, não: verdadeiras sandices, num momento da disputa que exige do candidato racionalidade, cabeça fria e capacidade de alçar-se à confiança do eleitor. Não foi o que aconteceu.

Obcecado pela ideia de que só ganharia a eleição se conseguisse desconstruir a imagem de Belivaldo Chagas, talvez ainda sob o amargor da derrota sofrida em 2016, o candidato Valadares Filho foi buscar um profissional de marketing que tem a fama de ser expert em desconstrução de adversários. Fazia tempo que Sergipe não assistia a tamanho festival de horrores.

Desprezando conceitos elementares da comunicação política, a campanha de Valadares Filho, no segundo turno, patrocinou uma lamentável página na história eleitoral de Sergipe, caracterizando-se tão somente pela agressão gratuita, a especulação vaga, a ausência de propostas críveis, o pessimismo mais lúgubre e, fake news, muitas fake news. 

Na verdade, foi a tentativa desesperada de reeditar a tática da repetição constante de uma mentira para torná-la verdade. Além disso, sua campanha foi marcada também pelo apego quase infantil ao testemunho de personagens, sem sopesar-lhes o verdadeiro valor, e pelo intento obsessivo de ligar Belivaldo a Jackson e André Moura, esquecendo-se que o primeiro turno da eleição já resolvera a questão com JB, e a memória do povo sergipano não permitiria tal embuste em relação à André. 

A utilização ilegal de telemarketing nos três dias que antecederam o pleito, a pretexto de uma suposta pesquisa, foi o tiro de misericórdia. Valadares Filho esqueceu quem são os sergipanos? Esqueceu que somos um estado pequeno, de relações muito próximas e quase familiares? Achou mesmo que aracajuanos e sergipanos, como um todo, iriam engolir tamanho contrabando eleitoral? Que iríamos eleger para governar o estado um homem capaz de cometer tal desonestidade? 

A ideia errônea de que vale tudo para ganhar uma eleição tem feito vítimas pelo caminho eleitoral. A ideia, mais errada ainda, de que marketing político é enganação também tem deixado um rastro considerável de candidatos abatidos pelo caminho.

       
[*] Coordenador de Marketing da Campanha de Belivaldo Chagas