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Aparte
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Jozailto Lima

É jornalista há 36 anos, tem formação pela Unit e é fundador do Portal JLPolítica. É poeta.

Sistema Distritão acaba com os mercadores de mandatos
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Zezinho Guimarães: “Distritão acaba com a farra de candidatos que não têm voto”

Esta opinião aí no título, em síntese, é do deputado estadual Zezinho Guimarães, PMDB. Ele está de dedos cruzados, torcendo para que a reforma política que se discute no Congresso aprove este modelo eleitoral a ser colocado em prática nas eleições do próximo ano. Esta semana houve bons avanços no Congresso.

Mas, afinal, o que é mesmo o sistema Distritão? É um modelo que vai garantir o mandato diretamente a quem tiver mais voto nas esferas do Legislativo. Não estranhe: hoje, no modelo proporcional, não é assim.

Às vezes, quem tem menos votos vale mais do que quem tem mais, e termina dono do mandato. Na tradução popular, há quem veja isso como uma sacanagem com o interesse do eleitor e muito mais com o papel e a importância de muitos dos mais votados, que terminam ficando de fora.

Quer um exemplo vistoso e assombroso? Na eleição de 2002, o finado Pedro Valadares, PSB, teve 64.999 votos, foi o terceiro sergipano mais votado para a Câmara Federal, mas ficou a ver navios. Depois dele, vieram seis outros com votações bem menores, e todos se sentaram na janela do mandato.

Aqui estavam inclusos ali o nosso falante João Fontes que, pelo PT, obteve 28.8790 votos – ou 35.820 votos a menos que Pedrinho, mas chegou lá, e Jackson Barreto, Jorge Alberto Prado, Mendonça Prado, Heleno Silva e Cleonâncio Fonseca. Naquela eleição, só Bosco Costa e José Carlos Machado tiveram mais votos do que Pedrinho.

Mas para ficar mais perto no tempo e no espaço, agora em 2014, com 14.510 votos, o Padre Inaldo, PCdoB, beneficiário das chamadas chapinhas, deixou para trás cinco outros candidatos mais votados do que ele, como Conceição Vieira, PT, Adelson Barreto Filho, PSL, Gilmar Carvalho, SD, Daniel Fortes, PTC, e Nitinho, DEM.

Com seus 22.298 votos, Conceição Vieira botou uma talagada de 7.788 na frente de Inaldo. Mas de nada lhe valeram. Viraram garapa. Se depender da vontade e da torcida do deputado Zezinho Guimarães, nunca mais haverá situações como as de Pedrinho, Conceição, Adelson Filho, Gilmar, Daniel e Nitinho.

“O Distritão acaba com isso, terminantemente. Acaba com este comércio de chapinhas e com a farra de candidatos que não têm voto querendo entrar. Tomara que o Distritão se consolide. Eu não gosto quando alguém quer tirar vantagem de chapinhas. Eu sou contra”, diz Zezinho.

“Na verdade, o Distritão só está errado na terminologia. Ele deveria se chamar Estadão, porque devemos ver o Estado como um distrito geral. E no Distritão, cada um que tiver mais voto será o eleito. Me preocupa muito, numa eleição, ver alguém com menos voto levar vantagem”, diz ele.

“O Distritão acaba com esta história de donos de partidos querendo vender vagas para eleger quem não tem votos. O Distritão impõe respeito à vontade do eleitor. Porque, mais do que nunca, corresponde àquilo que o eleito quer. Acaba com esta aventura de donos de partidos querendo fazer de partidos um comércio.

“Com a graça de Deus, se acabam esses cabras que ficam com partidos pequenos, se vendendo, se valorizando, à custa de um ou de outro na comercialização de vagas de deputado federal, de deputado estadual e de vereador. Faz-se justiça. O grande medo deles é o de não terem futuro com o Distritão”, diz Zezinho Guimarães.