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Aparte
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Jozailto Lima

É jornalista com 35 anos de experiência profissional. Antes do Cinform, trabalhou nos jornais Feira Hoje, Tribuna da Bahia, Jornal da Bahia, TV Subaé e Jornal de Sergipe.

Só Almeida Lima não leu corretamente a construção da própria queda
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Almeida Lima: crônica de uma queda anunciada

A demissão do secretário de Estado da Saúde, José Almeida Lima, pelo governador Belivaldo Chagas, na tarde desta quarta-feira, 9, contempla um razoável poder de síntese, que pode ser basicamente definido assim: “Se eu não sirvo para ser o seu governador, você, Almeida, não serve para ser meu secretário”.

É claro que, como em toda síntese, ficam faltando aqui os enxertos e complementos que dão-lhe vida e preenchimento. E esses “enxertos e complementos” vêm basicamente da reação e do enfrentamento que Almeida Lima fez à possibilidade de Jackson Barreto deixar de ser governador para disputar o Senado e de repassar o comando do Estado para Belivaldo Chagas.

Ou seja, por essa reação e por esse enfrentamento, Almeida esteve a dizer que Belivaldo não serviria para ser o seu governador. Errou pateticamente. Agora, como governador e com a poderosa caneta na mão, Belivaldo, em seu estilo duro-durão, dá-lhe o troco de uma vez, já que ele não quis compreendê-lo nas doses homeopáticas com que fora recepcionado nesse 30 dias: “você, Almeida, não serve para ser meu secretário”.

Seria a lei do eterno retorno? Do “aqui se faz, aqui paga?” Sim, seria. Sem retoques. Mas não seria, nem de longe, somente isso. No fundo, Belivaldo disse, com enormes palavras e desabridos gestos, que acha a gestão de Almeida na Saúde um atraso do ponto de vista dos “finalmentes”. Ou seja, da contemplação aos reais interesses da sociedade por saúde.

O fato alegado nesta quarta por Belivaldo como gota a d’água, o episódio da senhora com câncer que não teve o devido atendimento da SES, é a confirmação dessa síntese da falta de contemplação à sociedade. Almeida não aceita isso, e alega falta de afinidade de estilos com Belivaldo e falta de tempo para executar o que fora planejado. E acusa Belivaldo de ter sido um entrave desde quando era secretário da Casa Civil.

Mas as reações de Belivaldo vem desde a primeira hora. A partir do dia 7 de abril, foram de acenos a que Almeida caísse definitivamente fora. O maior cartão vermelho lhe foi dado na manhã da segunda-feira, 9 de abril, quando se dirigiu ao Huse e aplicou-lhe uns cocorotes por causa da inauguração apressada do Centro de Nefrologia. Todo mundo entendeu o recado. Menos Almeida. Deu rede nacional de TV.

A relação entre ambos foi marcada por um azedume tão aberto que, diz-se no Centro Administrativo da Saúde Senador Gilvan Rocha, na Av Rio de Janeiro, há uma jura do governador do Estado de jamais pisar os pés ali. Por pura discordância com a ostentação do espaço por parte de Almeida. Tem que se levar em conta que o estilo de Belivaldo fechou o Palácio de Veraneio, na Atalaia, justamente para evitar gastos desnecessários.

Mais uma vez, em síntese: o que salta aos olhos de todo esse embate entre Belivaldo e Almeida, que durou exatamente um mês desde o esbregue do Huse no dia 9 de abril, é uma enorme insensibilidade do secretário em insistir em permanecer num espaço em que seu chefe e todas as circunstâncias não lhe queriam.