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Aparte
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Jozailto Lima

É jornalista com 35 anos de experiência profissional. Antes do Cinform, trabalhou nos jornais Feira Hoje, Tribuna da Bahia, Jornal da Bahia, TV Subaé e Jornal de Sergipe.

Valdevan Noventa gera sentimento de que Sergipe tem apenas 7 e não 8 deputados
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Valdevan Noventa: 45.472 votos que geram um sentimento estranho

Sem preconceito, sem segregação política, sem nenhuma visão de xenofobismo - mesmo porque, apesar do estranhamento, ele é um sergipano, pelo menos de por aqui ter nascido -, mas está difícil dissipar da atmosfera o sentimento de que, pela primeira vez em sua história recente, o Estado de Sergipe vai ter sete e não oito deputados federais em Brasília.

Desde a noite do domingo, 7 de outubro, dia da eleição do primeiro turno, esse sentimento de fenda, de menos um, na composição da nova bancada de Sergipe, insiste em empestar o ar da vida política do Estado. E causa desconforto.

É claro que essa fenda e esse buraco não são reais. No dia 7, o Tribunal Regional Eleitoral de Sergipe deu por absolutamente eleitos deputados federais oito candidatos - e o estranho consta lá com 45.472 votos, sob a sigla do PSC. Trata-se de José Valdevan de Jesus Santos. Mais conhecido por Valdevan Noventa.

Ele é um sujeito nascido no município de Estância no dia 26 de junho de 1969, prestes portanto a fazer 50 anos, que foi embora para São Paulo na adolescência, se fez sindicalista na esfera dos trabalhadores de transportes de massas (ônibus) na capital paulista, se elegeu vereador no município de Taboão da Serra e achou que deveria dar um voo maior e acessar Brasília como deputado federal via Sergipe.

Ok: conseguiu. Cabalisticamente, o Noventa fez-se o sétimo mais votado. Com 10.246 votos a mais do que o oitavo, que é Fábio Henrique, PDT, ele é efetiva e legalmente esse vazio que representará a sergipanidade em Brasília a partir de 2019.

Fala-se vazio - e essa coluna insiste: sem preconceito, sem segregação política, sem xenofobismo - porque para a imensa massa da sergipanidade Valdevan nada diz ou simboliza.

Encastelado em Arauá, Noventa não tem elo, link, liga com o Estado. Todos dizem que ele fez uma campanha de aparência essencialmente plutocrata, valendo-se de recursos que, pela lógica, não deveriam acudir a um sindicalista.

Mais do que isso: não é, o senhor Noventa, um homem de diálogo aberto e iluminado. Desde que se abeirou de Sergipe, feito um Daniel Tourinho de 1990, com o projeto de tirar proveito eleitoral do Estado, esgueirou-se pelos ermos dos grotões. Não nutre qualquer interesse por uma interlocução que o faça mais visível e palatável.

Mas, afinal, o que pensaria Valdervan Noventa sobre os interesses republicanos de Sergipe? A que tipo de projeto de Estado ele quer servir nos próximos quatro anos? Esta coluna e o titular dela torcem enormemente para que esse desconforto, essa lacuna de menos um entre os oito federais de Sergipe não passe de uma ilusão de ótica.

De coração: torce para que ao final de 2019, Noventa arrebate o prêmio de parlamentar mais aguerrido e antenado do Congresso Nacional. E que tudo isso seja consequência da sua suprema dedicação ao projeto de Sergipe. Porque, por enquanto, Noventa não passa de uma vaga. E uma vaga no sentido pleno de ausência.