Aparte
Alese marca um gol de placa ao celebrar centenário do poeta Santo Souza
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Luciano Pimentel, Ilmara Souza, Ana Lúcia e Maria Mendonça: uma convergência positiva em favor de Santo Souza

A Assembleia Legislativa de Sergipe manifestou sensibilidade e responsabilidade cultural ao promover no final da tarde da última segunda-feira, 25, uma sessão especial pelo centenário do poeta Santo Souza, atendendo a uma proposta pelo deputado estadual Iran Barbosa, PT, iniciada ano passado pela ex-deputada Ana Lúcia Menezes, também do PT.

Entre tantos poetas sergipanos já idos, como Tobias Barreto, Enoch Santiago, José Sampaio, Abelardo Romero, João Sapateiro, Mário Jorge Vieira, Hunald Alencar, Santo Souza possivelmente é que tem uma obra mais consistente, com seu autodidatismo clássico e orfeônico reverberando para fora e além de Sergipe. 

Santo Souza foi longevo. Viveu 95 anos e, apesar da ingratidão com que se trata a poesia não só em Sergipe, mas no Brasil, pode colher bons frutos ainda em vida. O fato de a Alese lembrar do ano do seu centenário tem um bom significado e é um desses frutos.

No ano passado, a Alese havia aprovado o Projeto de Lei 129/2018 de autoria da então deputada Ana Lúcia, PT, instituindo o 2019 como o “Ano Cultural Poeta Santo Souza” – ela é irmã do poeta neoconcretista Mário Jorge. Como o parlamentar Iran Barbosa atravessando um problema de saúde, coube à deputada estadual Maria Mendonça, PSDB, fazer a outorga da homenagem.

Na solenidade foi feita a entrega do diploma comemorativo dos 100 anos do nascimento do poeta Santo Souza para sua neta, a acadêmica Ilmara Souza, que sempre está à frente do espólio do avô, e o presidente da Academia de Letras de Aracaju, o poeta Francisco Diemerson.

A deputada estadual Maria Mendonça explicou que estava substituindo o colega Iran Barbosa pela questão de saúde, mas ainda assim enalteceu a oportunidade de participar de tão honrosa homenagem - Maria é professora e tem sensibilidade para a produção lírica do Estado.

“Uma das mais justas (homenagens) a um dos grandes expoentes da literatura brasileira. Um sergipano, natural de Riachuelo, cuja trajetória sobejou o papel reservado socialmente aos filhos pobres de nossa terra”, disse a deputada.

Em seguida, Maria Mendonça acrescentou que o tributo a um poeta com a biografia de Santo Souza não poderia ser mais oportuno. “O Estado deve garantir a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional e deve apoiar e incentivar a valorização e a difusão das manifestações culturais. A presente homenagem é uma reafirmação categórica da relevância do papel da cultura, em todas as suas linguagens”, disse a deputado valorando a expressão e a dimensão do poeta.

Representando o Academia de Letras de Aracaju, o acadêmico Cleiber Vieira fez uma saudação ao homenageado, dizendo que “a poesia é uma das mais profundas manifestações da alma humana”. “Mas não é para todos, por ser ao mesmo tempo o centro e circunferência de todo o conhecimento”, disse, ressaltando sua amizade com o poeta de 1977 a 2014.

Cleiber Vieira acrescentou que a vida de Santo Souza foi recheada de angústias e tristezas – possivelmente marcas do eu-lírico do autor. “Mas ele soube dar um destino à amargura. E como o sabor amargo que a jornada da vida nos oferece em alguns momentos não podia deixar de fazer parte da sopa mítico-filosófica com que o poeta riachuelense temperava seu viver, procurou ele mesmo dar sentido às suas dores. Afinal a tristeza, queiramos ou não, faz parte do viver, pois nem tudo é alegria”, diz o poeta. Santo Souza, mesmo já provecto, era chegado a uma cervejinha no rol de saúde, no Siqueira Campos, onde morava.

Bastante emocionada, a neta do homenageado, a acadêmica Ilmara Souza, fez uma menção pelo sentimento de gratidão que sentia com a Assembleia Legislativa e com a ex-deputada Ana Lúcia pela referência ao avô e ao centenário dele.

“Foi uma feliz surpresa para todos nós o recebimento da notícia do Ano Cultural Santo Souza. Foi gratificante perceber as movimentações nos espaços de cultura, diante da vida e obra do poeta”, disse Ilmara.

Em seguida, ela registrou que a homenagem era para um poeta contemporâneo que nasceu em 1919, que teve a alegria de conviver com muitos dos presentes, de abraçar e ouvir conselhos, desabafar e desfrutar de boa conversa. Ela fez o registro de toda a trajetória do poeta, e destacou os títulos e condecorações.

Ilmara ainda acrescentou que Santo Souza era metódico no seu cotidiano, que sempre foi atento às necessidades financeiras dos seus, que vibrou com a formatura de filhos e netos, que colecionou livros, revistas, cartões, selos e moedas, mas principalmente, amigos. “Hoje nos esforçamos para manter de pé sua biblioteca que guarda, no mínimo, 80 anos de história da literatura nacional e sergipana”, disse Ilmara. A Alese, sem dúvida, fez um gol de placa, como se diz na “literatura” do futebol. (Este texto tem trechos da Assessoria da Alese com inserções do autor da Coluna Aparte).