Aparte
Opinião - Belivaldo torna-se um pato manco
8142ba0f589acba5

[*] Paulo Roberto Dantas Brandão

No período republicano Sergipe já teve dois governadores que morreram no cargo, Franklin Azevedo, ainda na década de 1920, e Marcelo Déda, em 2013.  Teve também dois governadores depostos por revoluções ou golpes (como queiram chamar): Manoel Dantas, em 1930, no finalzinho do seu mandato, faltando somente dois ou três meses para passar o cargo ao seu sucessor que já estava eleito; e Seixas Dorea, em 1964, quando assumiu o vice, Celso de Carvalho.  Mas ao que consta jamais teve um governador cassado.  Pois bem, Belivaldo Chagas periga ser o primeiro.

Não sei se Belivado fez algo mais do que outros já fizeram, mas o TRE achou que sim, e por 6 votos a 1, cassou seu mandato.  Como cabe recurso com efeito suspensivo, fica no cargo até o Tribunal Superior Eleitoral julgar.  De qualquer modo é uma derrota acachapante para o governador.  Não lembro de um governador no cargo sofrer um revés por 6 a 1. 

Qualquer que venha a ser o resultado do julgamento do recurso, a força política do governador está minada.  Se tinha pouca força, agora é que será um pato manco no cargo. Ainda mais quando se mostra oposição ao Presidente da República.

Para ter alguma chance de sucesso no julgamento em Brasília, o governador terá que firmar compromissos, e talvez romper com a unidade oposicionista do Nordeste.  Bolsonaro poderá vir a ter um dos governadores.  Tanto Belivaldo pode vir a dever sua cabeça ao presidente, quanto pode resistir, continuar sendo oposição, e ter grande chance de ter a cassação do seu mandato confirmada. 

Como a vice, Eliane Aquino também está no bolo, aí teremos novas eleições.  Diretas, se o governador perder o cargo até o próximo ano, ou indiretas se depois.  Com o ambiente político em Sergipe paupérrimo, é grande a chance do presidente influenciar para eleger alguém do seu lado, seja num pleito direto, seja num indireto.

As últimas eleições consolidaram uma mudança geracional na política sergipana.  A nova geração, que ainda não se firmou, tem se mostrado pior do que a anterior (com raras exceções), que já era muito ruim.  Mas como os acontecimentos são muito recentes, só nos resta esperar.

[*] É advogado e jornalista.