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Saúde pública: por que a dengue está mais forte este ano?
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Aracaju lidera entre os municípios com mais casos de dengue este ano

Uma situação tem preocupado as autoridades que fazem a Saúde aqui no Estado de Sergipe: o avanço dos casos de dengue. Na manhã desta quarta-feira, 21, a Secretaria de Estado da Saúde – SES - divulgou o novo informe epidemiológico do cenário da Dengue, onde aponta um aumento de 405 casos notificados em uma semana.

De janeiro até hoje, foram 6.881 notificações e 2.742 casos confirmados. 11 sergipanos perderam suas vidas. Em todo o ano passado, foram 549 casos de Dengue e nenhuma morte.

Não é normal chegar ao mês de agosto com tantas ocorrências. Geralmente, a doença tem seu pico entre os meses de janeiro a maio. Mas a quem se deve creditar a culpa pelo avassalador aumento da Dengue este ano?

Estudiosos e técnicos da área, consultados pela Coluna, atribuem a vários fatores. Existe certo desleixo da população, mas também há uma deficiência por parte de algumas prefeituras. Nota-se que  algumas ações, como orientações à população,  foram feitas tardiamente.

Não é razoável aceitar que uma prefeitura mantenha apenas dois agentes de endemias para atuarem em toda a cidade. Isso mesmo que você leu: dois profissionais para cobrir todas as residências. Um desses exemplos é Pedra Mole. O Ministério da Saúde estabelece uma média de 800 a 1.000 imóveis a serem visitados por cada agente. De acordo com o último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE -, em Pedra Mole existem 1.080 imóveis, o que estaria dentro da normalidade.

Mas outros fatores devem ser levados em consideração quando analisamos as responsabilidades dos municípios. O número de pendências também é muito grande. Significa que casas foram encontradas fechadas, durante a visita dos agentes de endemias, e estes não retornaram. Esse trabalho só é considerado completo quando o profissional consegue entrar no imóvel. Qualquer casa fechada pode ser um potencial criatório do mosquito.

Informações chegadas à Coluna dão conta de que existem municípios com mais de 30% de pendências. Itabaiana, Barra dos Coqueiros e Simão Dias são alguns deles. Também contribui para isso o não-cumprimento da carga horário do agente de endemias. Uma falha na fiscalização desse trabalhador, que deveria cumprir carga horária de 8 horas por dia.

Especialistas também garantem que a dengue é cíclica. Tem certos anos que a doença vem mais forte, mais letal. Os números deste ano já superaram os de 2016. Como 2018 foi um ano considerado tranquilo, não deveriam os municípios estarem mais preparados para o pior em 2019?

Pelo levantamento apresentado nesta quarta-feira, 21, Aracaju, com 1.743 casos notificados e 823 confirmados, lidera entre os municípios com mais casos de dengue este ano. A capital é seguida pelo município de Nossa Senhora do Socorro com 726 casos notificados e 462 confirmados. Em seguida vem: Simão Dias (578 casos notificados e 96 confirmados), Estância (277 notificados e 39 confirmados) E São Cristóvão ( 247 notificados e 113 confirmados).

Por outro lado, a população também precisa fazer a parte dela. Ainda é possível observar casos de puro desleixo. Mesmo com tantos avisos e orientações na mídia e ações nas cidades, ainda tem gente que deixa água parada dentro de suas casas, diga-se de passagem, onde se encontram 80% dos criadouros do aedes aegypti, transmissor da dengue, zika, chicungunya e febre amarela.

É preciso que todos façam a sua parte!